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As vendas brasileiras aos Estados Unidos somaram US$ 24,1 bilhões de janeiro a agosto de 2026, queda de 9,7% (cerca de US$ 2,6 bilhões a menos) sobre o mesmo período de 2025 e o pior resultado para os oito primeiros meses do ano desde 2023, segundo o Monitor do Comércio Brasil-EUA da Amcham Brasil, divulgado em 9 de setembro. Entre os produtos atingidos pela sobretaxa de 25% a 37,5% que Washington aplica desde julho, a retração chega a 29,1% no acumulado do ano. Em Pernambuco, o tarifaço coloca em risco cerca de R$ 380 milhões em exportações, sobretudo uva, manga e derivados de cana do Vale do São Francisco e da Zona da Mata; a Paraíba, na contramão, ampliou as vendas aos EUA em 2026, puxada por calçados e sucos de fruta.

A balança comercial brasileira começou setembro com superávit de US$ 1,906 bilhão na primeira semana do mês, com exportações 31,7% maiores que no mesmo período de 2025, segundo dados da Secex divulgados nesta segunda-feira (8). No acumulado de 2026, o saldo positivo já soma US$ 57,2 bilhões, alta de 36,7% sobre o ano passado, e o Ministério do Desenvolvimento passou a projetar superávit de US$ 90 bilhões para o ano inteiro. Para a Paraíba e Pernambuco, o número nacional recorde convive com um cenário local dividido: o acordo Mercosul-União Europeia abre mercado para frutas, sucos e açúcar por Cabedelo e Suape, enquanto o tarifaço dos Estados Unidos derruba embarques de calçados e açúcar.

Nas três primeiras semanas de agosto de 2026 — último recorte divulgado pelo MDIC —, a balança comercial brasileira acumulou superávit de US$ 5,11 bilhões, com exportações de US$ 24,14 bilhões (alta de 14,3%) e importações de US$ 19,03 bilhões (alta de 13,0%). No ano, o saldo positivo soma US$ 54,1 bilhões, avanço de 30,2% sobre 2025, e o ministério projeta fechar 2026 com superávit de US$ 90 bilhões. A força vem da indústria extrativa, cujas vendas externas subiram 34,2% no mês. No Nordeste, Pernambuco e Paraíba seguem em pontas opostas do ranking regional de exportações.

Até a 3ª semana de agosto, o Brasil acumula US$ 54,15 bilhões de superávit na balança comercial em 2026, alta de 30,2% sobre o mesmo período de 2025, com exportações de US$ 242,7 bilhões (+10,7%). A indústria extrativa, puxada por petróleo e minério, cresce 34% no mês. No pano de fundo, Brasil e Estados Unidos remarcaram para 31 de agosto a primeira negociação formal sobre o tarifaço americano desde a conversa entre Lula e Trump. Para Pernambuco e Paraíba, o acordo Mercosul-União Europeia, em vigor desde maio, já começa a abrir espaço para frutas e sucos na Europa.

O Porto de Cabedelo, na Paraíba, concluiu obras de R$ 210 milhões que reformaram armazéns, pátios e área primária, elevando a capacidade estática para 4 mil contêineres e o calado para 11 metros. A expectativa é de crescimento de até 20% na movimentação de cargas nos próximos três anos, com o porto buscando ampliar sua fatia nas exportações — hoje 95% da operação é voltada à importação.