O Nordeste fechou agosto de 2026 com US$ 3 bilhões em exportações, o maior valor mensal registrado pela região neste ano, segundo dados oficiais de comércio exterior. As importações somaram US$ 2,87 bilhões no período, resultando em superávit de US$ 141,9 milhões — uma reversão expressiva frente a agosto de 2025, quando a região havia registrado déficit de US$ 500 milhões, uma diferença de US$ 641,9 milhões entre os dois anos.
China na liderança, agronegócio como motor
A China segue como o principal comprador dos produtos nordestinos, com US$ 797,6 milhões em compras no mês, seguida por Estados Unidos (US$ 432 milhões) e Espanha (US$ 283,7 milhões). O setor agrícola liderou as vendas da região, com cerca de US$ 1 bilhão, puxado pela soja produzida na região do Matopiba (fronteira entre Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia), responsável por US$ 766 milhões sozinha. Petróleo (US$ 360,8 milhões) e metais comuns (US$ 249,2 milhões) completam a lista de produtos mais exportados pela região no mês.
Entre os estados nordestinos, a Bahia exportou cerca de US$ 500 milhões, também puxada pelo agronegócio, com destaque para o polo de Luís Eduardo Magalhães, responsável por US$ 280,6 milhões. O Maranhão somou US$ 300 milhões em vendas agrícolas, com Balsas concentrando US$ 172,1 milhões. Já o Ceará teve na siderurgia 63,8% de toda a pauta exportadora do estado — um perfil concentrado, distinto da diversificação vista em Pernambuco.
Panorama nacional: recuperação puxada por China
O resultado regional acompanha um cenário nacional de recuperação. Segundo dados parciais do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) para a segunda semana de setembro de 2026, as exportações brasileiras cresceram 28,5% na comparação com o mesmo período de 2025, somando US$ 14,25 bilhões, enquanto as importações cresceram 9,5%, para US$ 10,89 bilhões — um superávit de US$ 3,36 bilhões na semana. Projeções para o ano apontam superávit comercial entre US$ 70 bilhões e US$ 90 bilhões, uma recuperação moderada do saldo em relação ao início do ciclo.
O outro lado da moeda: o tarifaço americano
Esse fôlego, no entanto, convive com um problema concentrado especificamente nas vendas aos Estados Unidos. Em julho de 2026, o governo americano publicou duas medidas de sobretaxa às importações brasileiras: uma alíquota adicional de 25% sobre uma parte dos produtos do Brasil e uma tarifa de 12,5% sobre itens brasileiros sob investigação relacionada a trabalho forçado. Combinadas, as duas medidas atingem 23,1% de tudo o que o Brasil exporta para o mercado americano.
O impacto já aparece nos números: as exportações brasileiras aos Estados Unidos acumulam queda de 12,4% em 2026, e o país registrou uma perda de receita de US$ 2,9 bilhões frente aos US$ 23,8 bilhões embarcados entre janeiro e julho de 2025 na mesma comparação. É um contraponto direto ao bom desempenho do Nordeste com a China, que reforça como o comércio exterior brasileiro está reorganizando destinos em resposta à barreira tarifária americana.
Relação com Pernambuco e Paraíba
Os dados consolidados de agosto não trazem uma quebra isolada para Pernambuco e Paraíba, mas indicam que Ipojuca — município que abriga o Complexo Industrial e Portuário de Suape — concentra parte relevante das compras externas (importações) da região, reforçando o papel do polo pernambucano como porta de entrada de insumos para a indústria local, especialmente quando o câmbio e o custo logístico tornam a importação mais ou menos vantajosa. Para os importadores e exportadores paraibanos e pernambucanos, o cenário é misto: o comércio com a China segue aquecido e pode compensar parte da perda de mercado americano, mas empresas da região com pauta exportadora voltada aos Estados Unidos — sobretudo no setor de alimentos processados e químicos, que Pernambuco exporta em volume próximo a US$ 2 bilhões por ano — tendem a sentir o efeito direto do tarifaço, ainda que o dado agregado não permita quantificar a perda estadual específica.
Perspectivas
Com o superávit nacional caminhando para a faixa projetada de US$ 70 bilhões a US$ 90 bilhões em 2026, o comércio exterior brasileiro segue em trajetória de recuperação, mas de forma desigual entre destinos: crescimento robusto com a China e mercados alternativos, e retração persistente nas vendas aos Estados Unidos enquanto a sobretaxa de 23,1% sobre a pauta exportadora seguir em vigor. Para exportadores de Pernambuco e Paraíba, a recomendação de analistas de comércio exterior é diversificar destinos e evitar concentração excessiva no mercado americano enquanto a política tarifária dos EUA permanecer instável.
Fontes: Movimento Econômico (exportações do Nordeste em agosto de 2026, com base em dados oficiais de comércio exterior); Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços — MDIC (balança comercial semanal de setembro de 2026); Poder360 (exportações do Brasil aos Estados Unidos em 2026); comunicado do MDIC sobre medidas tarifárias dos Estados Unidos (julho de 2026).

