A balança comercial brasileira registrou superávit de US$ 1,906 bilhão na primeira semana de setembro de 2026, segundo o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC). As exportações somaram US$ 7,298 bilhões, alta de 31,7% em relação ao mesmo período de 2025, enquanto as importações totalizaram US$ 5,392 bilhões, crescimento de 8,4%. No acumulado do ano até a primeira semana de setembro, o superávit chega a US$ 57,224 bilhões, 36,7% acima do mesmo intervalo de 2025 — e o MDIC projeta superávit de US$ 90 bilhões para o ano fechado, com exportações de US$ 394,4 bilhões e importações de US$ 304,4 bilhões.
Indústria extrativa puxa o resultado da semana
Entre os setores exportadores, a Indústria Extrativa teve o salto mais expressivo na primeira semana de setembro, com alta de 84,4% e US$ 2,264 bilhões embarcados. A Indústria de Transformação avançou 17,9%, para US$ 3,597 bilhões, e a Agropecuária cresceu 15,7%, somando US$ 1,406 bilhão. Do lado das importações, a Indústria de Transformação segue como a maior fatia, com US$ 5,018 bilhões (+7,8%).
Suape ganha primeiro terminal 100% eletrificado da América Latina
O resultado nacional tem um reforço concreto vindo de Pernambuco: em 2 de setembro, o novo terminal da APM Terminals no Complexo Industrial Portuário Governador Eraldo Gueiros, em Suape, recebeu seu primeiro navio comercial, o Maersk Ganges, que passa a fazer duas escalas semanais no terminal. A obra, resultado de mais de R$ 2 bilhões em investimentos, é o primeiro terminal de contêineres 100% eletrificado da América Latina, com capacidade inicial de até 400 mil TEUs por ano — volume que deve elevar em 55% a movimentação de contêineres do Complexo de Suape.
Um estudo da A&M Infra e da Navarro Prado Advogados em parceria com a APM Terminals estima que o novo terminal tem potencial para injetar até R$ 4,8 bilhões em exportações, adicionar R$ 4,9 bilhões ao PIB e gerar mais de 43 mil empregos diretos e indiretos nas cadeias ligadas ao comércio exterior. Suape também assinou contrato com a empresa de inteligência marítima Solve Shipping para mapear novas rotas comerciais, dentro do programa “Pacto pelo Agro”, que busca consolidar o porto pernambucano como porta de saída para o agronegócio — incluindo um piloto de exportação de grãos do Matopiba (fronteira agrícola formada por áreas do Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia) ainda para 2026.
Cabedelo amplia calado e mira mais exportação
Na Paraíba, o Porto de Cabedelo publicou em agosto um balanço de modernização: R$ 200 milhões já investidos, mais R$ 105 milhões comprometidos em março (R$ 64,5 milhões em dragagem e R$ 40,5 milhões na ampliação do molhe), elevando o calado do terminal para 11 metros. A movimentação de carga no primeiro quadrimestre de 2026 somou 504,4 mil toneladas, alta de 31,41% sobre igual período de 2025, com destaque para o crescimento de 22,02% nos granéis líquidos ao longo de 2025. O porto hoje é dominado por importações — combustíveis, trigo, malte, cevada, minérios e petcoke —, mas busca ativamente operadores para desenvolver o lado exportador, com planos de receber navios de até 55 mil toneladas e aumentar a frequência para até 25 navios por mês.
Consequências para empresas e consumidores
Para exportadores de Pernambuco e da Paraíba, a ampliação de capacidade portuária tende a reduzir custo logístico e prazo de embarque, tornando mais competitivos produtos do agronegócio e da indústria regional em mercados externos. Para o consumidor, o impacto é mais indireto: um superávit comercial maior contribui para a entrada de dólares no país, o que historicamente ajuda a conter a valorização do câmbio — fator que pesa no preço de insumos e produtos importados vendidos no varejo local. É uma relação de tendência, não uma causalidade direta e imediata sobre o preço ao consumidor.
Perspectivas
Com Suape entrando em operação plena e Cabedelo buscando novos operadores de exportação, a tendência é de Pernambuco e Paraíba ganharem peso relativo na pauta exportadora do Nordeste nos próximos anos — ainda que a maior parte do superávit comercial do país continue vindo do agronegócio e da indústria extrativa concentrados em outras regiões. O ritmo dessa mudança depende de fatores fora do controle local, como demanda externa e câmbio.
Fontes
MDIC/Secex, resultados da balança comercial brasileira da primeira semana de setembro de 2026, via Jornal do Comércio e ADVFN News; Movimento Econômico e Portal de Prefeitura, cobertura da entrada em operação do terminal da APM Terminals em Suape (agosto e setembro de 2026); Logweb, “APM Terminals investe em terminal eletrificado em Suape”; Gov.br/Portos e Aeroportos, sobre o primeiro terminal eletrificado da América Latina; Paraíba Business, “Porto de Cabedelo amplia capacidade logística após ciclo de investimentos” (10 de agosto de 2026).

