O mês de agosto de 2026 escancarou a distância entre os estados do Nordeste no comércio exterior. Segundo dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, disponibilizados pela Superintendência do Desenvolvimento do Nordeste (Sudene) na plataforma Data Nordes, a Paraíba exportou apenas US$ 10 milhões no mês — o menor volume entre os nove estados da região, empatada com Alagoas na última posição do ranking regional, que somou US$ 3,01 bilhões em exportações no acumulado do ano até agosto.
Ranking regional expõe a fragilidade paraibana
À frente da Paraíba aparecem Bahia (US$ 1,53 bilhão, líder isolada), Maranhão (US$ 0,53 bilhão), Ceará (US$ 0,35 bilhão), Piauí (US$ 0,20 bilhão), Pernambuco (US$ 0,16 bilhão), Rio Grande do Norte (US$ 0,14 bilhão) e Sergipe (US$ 0,07 bilhão). Os produtos que mais moveram a balança regional foram os do reino vegetal (US$ 1,01 bilhão), produtos minerais (US$ 759,72 milhões) e metais comuns (US$ 249,26 milhões) — categorias em que a Paraíba tem presença marginal se comparada a vizinhos como Bahia e Pernambuco.
2025 fechou com déficit de US$ 813 milhões na Paraíba
O retrato de agosto não é um caso isolado. No acumulado de 2025, a Paraíba exportou US$ 178,6 milhões (alta de 8% sobre o ano anterior), mas importou US$ 991,6 milhões — uma queda de 31,7% nas importações que, ainda assim, deixou o estado com déficit comercial de US$ 813 milhões no ano. Ou seja: mesmo com a retração das compras externas, o volume importado pelo estado seguiu muito superior ao exportado, um desequilíbrio estrutural que reflete a baixa diversificação da pauta exportadora paraibana frente a estados vizinhos com parques agroindustriais e portuários mais desenvolvidos.
Pernambuco: segundo melhor resultado agro da história
Na direção oposta, Pernambuco fechou 2025 com US$ 2,53 bilhões em exportações totais, das quais 30,76% (US$ 781,1 milhões) vieram do agronegócio — uma retração de 3,48% frente aos US$ 809,2 milhões de 2024, mas ainda assim classificada como “o segundo maior resultado da nossa história” pelo presidente da Federação da Agricultura do Estado de Pernambuco (Faepe), Pio Guerra. O açúcar foi o carro-chefe: 428,6 mil toneladas exportadas na safra 2024/2025, com destino a mercados como Canadá, Estados Unidos, Portugal, França, Bangladesh, Camarões e Trindade e Tobago. Cinco produtos concentram 54% de toda a pauta exportadora do estado.
“Buscamos ampliar mercados e fortalecer a presença internacional dos nossos produtos”, afirmou Guilherme Cavalcanti, secretário de Desenvolvimento Econômico de Pernambuco, sobre a estratégia do governo estadual. Já Renato Cunha, presidente do Sindicato da Indústria do Açúcar de Pernambuco (Sindiaçúcar-PE), citou um acordo com a União Europeia que deve abrir uma cota de 180 mil toneladas a partir do fim da safra 2026/2027 — um mercado adicional relevante para o setor sucroalcooleiro do estado.
Brasil cresce nas exportações, mas o Nordeste é desigual
O contraste regional ocorre em um momento de expansão para o comércio exterior brasileiro como um todo: até a segunda semana de setembro de 2026, as exportações nacionais cresceram 28,5% frente ao mesmo período de 2025, somando US$ 14,25 bilhões; no acumulado de janeiro a setembro, o avanço é de 11,1%, para US$ 265,10 bilhões. O desempenho nacional positivo, no entanto, não se distribui de forma uniforme dentro do Nordeste — reforçando que o resultado fraco da Paraíba é mais um sintoma de gargalos estruturais locais do que reflexo de um cenário externo desfavorável.
O que isso significa para empresas da Paraíba
Para o empresário paraibano que depende de comércio exterior — seja para exportar, seja para importar insumos —, o cenário reforça um alerta antigo: a pauta exportadora do estado segue pouco diversificada e concentrada em poucos produtos, o que deixa a economia local mais exposta a oscilações pontuais de preço e demanda internacional. A recuperação, segundo analistas do setor, passa por atrair investimento em agroindústria e infraestrutura portuária e logística — áreas em que estados vizinhos como Pernambuco (com o Porto de Suape) e Bahia já têm vantagem consolidada.
Perspectivas
Para Pernambuco, o acordo europeu do açúcar e o ritmo forte do agronegócio local sugerem que o estado deve manter, ou até ampliar, sua posição de destaque entre os exportadores nordestinos ao longo de 2026 e 2027. Já para a Paraíba, o desafio de reverter o déficit comercial e sair da última colocação do ranking regional depende de fatores estruturais de médio prazo — diversificação produtiva e investimento em infraestrutura — que dificilmente mudam o quadro no curto prazo, mas que já aparecem no radar de políticas de desenvolvimento estadual.
Fontes: Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, via Sudene/Data Nordes (WSCOM, 17/09/2026); Movimento Econômico (exportações de Pernambuco, 21/03/2026, com dados da Agrostat/Ministério da Agricultura, Faepe e Sindiaçúcar-PE); Balança Comercial Brasileira (Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços).

