O papel do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS), o custo do crédito e as perspectivas para a habitação popular estiveram entre os temas do Encontro CBIC de Incorporadores e Construtores 2026 – Centro-Oeste, realizado em Goiânia em 27 de outubro. O evento reuniu representantes da construção civil, do governo federal e da Caixa Econômica Federal para discutir desafios e oportunidades do setor.
Na pauta estiveram os efeitos dos juros elevados sobre o financiamento de empreendimentos e a capacidade de compra das famílias, além da segurança jurídica nas relações entre construtoras e consumidores. Os participantes também trataram da expansão do mercado habitacional e da importância do Minha Casa, Minha Vida.
FGTS e financiamento habitacional
Maria Henriqueta, consultora técnica da Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC) e integrante do Conselho Curador do FGTS, abordou a trajetória do fundo e sua contribuição para as condições de vida da população. Segundo o relato da entidade sobre o encontro, ela defendeu a necessidade de modernizar e preservar os resultados do FGTS.
Danielle Mendonça de Souza dos Reis, diretora de Fundos de Governo da Caixa, apresentou marcos da história do fundo, entre eles a centralização das contas na Caixa, em 1991, e a criação do Fundo de Investimento do FGTS, em 2007.
O secretário nacional de Habitação do Ministério das Cidades, Augusto Henrique Alves Rabelo, destacou a relevância do FGTS para as políticas habitacionais. De acordo com a CBIC, ele afirmou que o Minha Casa, Minha Vida representa aproximadamente 83% do financiamento habitacional brasileiro. O dado foi apresentado no contexto do encontro e não deve ser interpretado como um balanço independente dos resultados do programa.
Juros, custo dos empreendimentos e demanda
A economista-chefe da CBIC, Ieda Vasconcelos, apresentou uma leitura do cenário econômico brasileiro e das consequências das taxas de juros elevadas para a construção. Entre os efeitos discutidos estão o encarecimento do financiamento dos empreendimentos e a redução da capacidade de compra das famílias.
Esses fatores são relevantes para empresas e compradores porque o acesso ao crédito influencia tanto a viabilidade dos projetos quanto a aquisição de imóveis. No encontro, porém, não foram apresentados na apuração números específicos sobre variação de custos, volume de lançamentos ou previsão de vendas; por isso, não é possível quantificar esses efeitos a partir do material disponível.
O debate também abordou a habitação popular e seus reflexos econômicos e fiscais para os municípios. Segundo a cobertura da CBIC, os participantes apontaram a importância de estudos que mensurem os efeitos dos empreendimentos habitacionais sobre as contas públicas e apoiem o planejamento municipal.
Garantias e responsabilidades após a entrega
Outro eixo da programação foi a segurança jurídica na relação entre construtoras e consumidores. As discussões trataram dos prazos de garantia dos imóveis e das responsabilidades das empresas após a entrega das obras, com ênfase na clareza das obrigações e na prevenção de conflitos.
O tema envolve etapas posteriores à construção: a definição de responsabilidades e a compreensão das garantias podem ajudar a reduzir divergências entre proprietários e construtoras. A apuração não detalha mudanças legais ou novas regras anunciadas durante o evento, de modo que o debate deve ser entendido como discussão setorial, não como alteração normativa.
O encontro foi realizado pela CBIC, com correalização da Associação das Empresas do Mercado Imobiliário de Goiás (Ademi-GO) e do Sindicato da Indústria da Construção no Estado de Goiás (Sinduscon-GO), e apoio da Federação das Indústrias do Estado de Goiás (Fieg). A programação concentrou-se em questões do mercado habitacional e da construção no Centro-Oeste, sem anúncio, no material consultado, de medidas específicas para a Paraíba ou Pernambuco.
