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A China informou nesta segunda-feira (8) que suas exportações cresceram 25% em agosto na comparação anual, o ritmo mais forte do ano, puxadas por carros (+43%) e semicondutores (+130%). O superávit comercial do mês subiu para US$ 119,1 bilhões, novo recorde, e as vendas para os Estados Unidos avançaram 34% mesmo com as tarifas, ajudadas pela base fraca de 2025. As importações chinesas subiram 28%, mas ficaram abaixo do esperado — sinal de que a demanda interna do país segue devagar. Como a China é a maior parceira comercial do Brasil e a principal compradora de petróleo, soja e minério, o que acontece na sua economia chega direto ao superávit brasileiro e à indústria de Paraíba e Pernambuco.

O barril de petróleo Brent fechou a cerca de US$ 97 nesta segunda-feira (7), com máxima intradia perto de US$ 98, depois de um ataque a instalações da Saudi Aramco no sul da Arábia Saudita e da escalada de tensões entre Estados Unidos e Irã, que voltou a ameaçar o tráfego no Estreito de Ormuz. No mesmo dia, o banco central chinês informou ter ampliado as reservas de ouro pelo 22º mês consecutivo e as reservas cambiais para US$ 3,438 trilhões. Petróleo caro pressiona combustíveis, frete e inflação no Brasil — e chega ao Nordeste na conta do diesel do transporte e do agronegócio.

O barril do tipo Brent fechou a semana em torno de US$ 96, o maior patamar em mais de dois anos, depois que dois petroleiros foram atingidos por minas no Estreito de Ormuz — rota por onde passa cerca de um quinto do petróleo e do gás natural do mundo. Neste domingo (6), a OPEP+ decidiu manter a produção de outubro inalterada. No Brasil, apesar da disparada externa, a gasolina até caiu e o diesel ficou estável em setembro, segundo a ANP, sustentados por uma subvenção federal cuja renovação ainda é incerta.

O relatório de emprego dos Estados Unidos referente a agosto, divulgado em 4 de setembro, mostrou a criação de 162 mil vagas não-agrícolas, contra expectativa de apenas 53 mil, com a taxa de desemprego estável em 4,1%. Revisões de julho e junho ainda somaram 55 mil postos aos meses anteriores. Com o dado, a probabilidade de o Federal Reserve subir os juros em 0,25 ponto na reunião de 15 e 16 de setembro voltou para cerca de 60%, segundo a ferramenta FedWatch. Na mesma semana, o Copom se reúne no Brasil com a Selic em 14% ao ano. Esse descasamento — juro podendo subir lá fora e cair aqui — estreita o diferencial que sustenta o real, que fechou a semana passada em torno de R$ 5,11.

O Federal Reserve se reúne em 15 e 16 de setembro e, pela primeira vez em anos, o mercado precifica alta de juros: a ferramenta FedWatch aponta cerca de 66% de probabilidade de aumento de 0,25 ponto, sobre a faixa atual de 3,50% a 3,75%, diante de inflação persistente e de um choque de energia ligado ao conflito no Oriente Médio. Na mesma semana, o Copom deve cortar a Selic em 0,25 ponto. Esse descasamento — juro subindo lá fora e caindo aqui — estreita o diferencial que sustenta o real e ajuda a explicar o dólar de volta ao redor de R$ 5,14 no início de setembro, com projeções entre R$ 5,10 e R$ 5,35 para o mês.

O real acumula valorização de 8,48% frente ao dólar em 2026, o segundo melhor desempenho entre as moedas do mundo, atrás apenas do peso colombiano. A moeda saiu de cerca de R$ 5,45 no início do ano para a faixa de R$ 5,10 a R$ 5,20, puxada por um dólar global fraco e pelo juro real elevado que atrai o investidor estrangeiro. Para importadores e consumidores da Paraíba e de Pernambuco é alívio no custo de insumos e combustíveis; para o exportador, é aperto na receita.

Em seu primeiro discurso em Jackson Hole, nesta sexta-feira (28), o presidente do Federal Reserve, Kevin Warsh, disse que a inflação americana “continua alta demais” e que o banco central “tem mais trabalho a fazer”, abrindo caminho para uma alta de juros ainda em 2026. Depois da fala, a chance de aumento na reunião de setembro saltou para 55,7% nas apostas de mercado. No Brasil, o movimento é oposto: o Copom cortou a Selic para 14% em agosto. A divergência entre os dois bancos centrais mexe diretamente com o câmbio, o fluxo de dólares e o custo do crédito que chega ao comércio e à indústria da Paraíba e de Pernambuco.

Grupos estrangeiros como o português Vila Galé e a americana SurfLoch lideram uma onda de investimentos que deve somar R$ 13,6 bilhões em hotelaria e turismo na Paraíba até 2030. Só o Polo Turístico Cabo Branco, em João Pessoa, já soma mais de R$ 3 bilhões em investimentos privados, incluindo um resort com mais de mil apartamentos e um parque de ondas artificiais.

O Senado aprovou um empréstimo de US$ 50 milhões do Banco Internacional para Reconstrução e Desenvolvimento (Bird), o Banco Mundial, destinado ao projeto Paraíba Rural Sustentável II, voltado ao apoio a agricultores familiares no estado. A operação integra um pacote maior de empréstimos externos de US$ 1,87 bilhão aprovados para estados e municípios brasileiros.

A montadora chinesa BYD confirmou investimento de até R$ 500 milhões para ampliar a produção de baterias no Brasil, com decisão sobre a localização esperada para meados de setembro. Paraíba e Pernambuco estão entre os oito estados nordestinos avaliados, ao lado de Alagoas, Bahia, Ceará, Piauí e Rio Grande do Norte, numa disputa que pode gerar ao menos 400 empregos diretos.