O real é, ao lado do peso colombiano, a moeda que mais se valorizou no mundo em 2026. Até 3 de agosto, a moeda brasileira acumulava alta de 8,48% frente ao dólar — o segundo maior ganho entre as principais divisas globais, atrás apenas do peso colombiano (+19,49%). O dólar, que começou o ano cotado perto de R$ 5,45, passou a maior parte do período recente na faixa de R$ 5,10 a R$ 5,20.
Um dólar fraco no mundo e juro alto no Brasil
Dois fatores explicam o movimento. O primeiro é externo: o índice DXY, que mede o dólar contra uma cesta de moedas fortes, subiu apenas 1,61% no período, sinal de fraqueza relativa da moeda americana em escala global. Com o Federal Reserve mantendo os juros americanos parados por boa parte do semestre e o mercado já precificando o fim do ciclo de aperto nos Estados Unidos, o dólar perdeu tração ante moedas de países emergentes.
O segundo fator é o diferencial de juros. Com a Selic ainda em patamar de dois dígitos, o Brasil oferece um dos maiores juros reais do mundo, o que sustenta, nas palavras de analistas ouvidos pela plataforma de conteúdo da B3, um “fluxo estrangeiro para a renda fixa local”. O Boletim Focus do Banco Central passou a projetar a Selic em 13,75% ao fim de 2026 e o dólar em R$ 5,20 no mesmo horizonte.
Nem todo mundo aposta na continuidade
Entre analistas de mercado, há divergência sobre o segundo semestre. Alguns projetam leve alta do dólar até o fim do ano — a gestora Oz Câmbio trabalha com faixa de R$ 5,40 a R$ 5,60, citando “viés de leve valorização do dólar frente ao real”; a Convexa Investimentos vê “alta do dólar até novembro”. O argumento é sazonal e político: em anos de eleição presidencial, historicamente “o dólar costuma subir entre abril e outubro”, e o quadro fiscal brasileiro segue como principal fonte de risco doméstico. Já a Ativo Investimentos projeta algo próximo de R$ 5,30. O consenso é que a volatilidade cambial deve aumentar à medida que o calendário eleitoral de 2026 avança.
O que o real forte muda na economia
Um câmbio mais valorizado tem efeitos opostos conforme o lado do balcão. Para o consumidor e a indústria, ele segura a inflação de produtos importados e de itens atrelados ao dólar — da eletrônica aos combustíveis, que seguem paridade de importação — e abre espaço para o Banco Central continuar cortando juros. Para o exportador, é o contrário: cada dólar recebido vira menos reais, o que comprime a receita de quem vende para fora e reduz a competitividade frente a concorrentes de outros países.
Relação com a Paraíba e Pernambuco
No comércio, importadores e distribuidores que operam por Suape e pelo Porto de Cabedelo ganham poder de compra: máquinas, insumos, componentes e bens de consumo ficam mais baratos em reais. Na indústria, porém, o efeito se inverte para as confecções do Agreste pernambucano e para fabricantes locais que competem com o produto importado, agora mais barato na prateleira.
Entre os exportadores regionais — usinas de açúcar da Zona da Mata, calçados, pescados, frutas —, o real forte reduz a receita em reais e se soma a um ambiente já adverso de tarifas mais altas nos Estados Unidos para parte do agro nordestino. No turismo, a moeda valorizada encarece o destino para o visitante estrangeiro que pensa em João Pessoa ou no litoral de Pernambuco, ao mesmo tempo em que barateia a viagem internacional do paraibano e do pernambucano. E no transporte e no agronegócio, o câmbio ajuda a conter o preço do diesel e de fertilizantes importados, aliviando custo em toda a cadeia.
Perspectivas
O rumo do real até dezembro depende de três variáveis: a decisão do Fed sobre juros nos Estados Unidos, a trajetória do risco fiscal brasileiro e a temperatura da disputa eleitoral. Para empresas da região, o momento é de aproveitar o câmbio favorável à importação de bens de capital e de revisar contratos de exportação fechados em dólar.
Fontes
- B3 / Bora Investir — “Subir, cair ou ficar de lado? Como o mercado enxerga a trajetória do dólar até o fim de 2026” — https://borainvestir.b3.com.br/tipos-de-investimentos/renda-variavel/cambio/subir-cair-ou-ficar-de-lado-como-o-mercado-enxerga-a-trajetoria-do-dolar-ate-o-fim-de-2026.
Imagem ilustrativa/conceitual gerada por IA (pilhas de moedas) — não é registro fotográfico de fato específico.

