A balança comercial brasileira registrou superávit de US$ 1,91 bilhão na primeira semana de setembro de 2026, avanço de 233,7% sobre o mesmo período de 2025, segundo dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC). As exportações somaram US$ 7,30 bilhões, alta de 31,7%, enquanto as importações cresceram em ritmo mais moderado, de 8,4%, para US$ 5,39 bilhões — uma corrente de comércio de US$ 12,69 bilhões na semana, 20,7% maior que a de 2025.
No acumulado do ano até a primeira semana de setembro, as exportações somam US$ 258,15 bilhões (+10,7%) e as importações, US$ 200,93 bilhões (+5%), resultando em superávit de US$ 57,22 bilhões, 36,7% acima do mesmo período do ano passado. Por setor, a Indústria Extrativa liderou o crescimento na semana, com alta de 84,4% (US$ 2,26 bilhões), puxada por minérios de metais preciosos (+1.397,6%) e petróleo bruto (+151%); a Indústria de Transformação avançou 17,9% (US$ 3,60 bilhões) e a Agropecuária, 15,7% (US$ 1,41 bilhão).
Suape bate recorde atrás de recorde em 2026
Esse desempenho nacional tem contrapartida direta em Pernambuco. O Complexo Industrial Portuário de Suape movimentou 13,7 milhões de toneladas de carga no primeiro semestre de 2026, alta de 25,6% sobre igual período de 2025 — resultado que consolida o porto como o quarto mais movimentado do país, segundo ranking da Agência Nacional de Transportes Aquaviários (Antaq). O destaque ficou com os granéis líquidos (petróleo, derivados e afins), que somaram 7,45 milhões de toneladas até maio, crescimento de 41,9% sobre 2025, além de um aumento de 14,7% no número de embarcações atracadas no período.
Suape também já registrou operações pontuais de peso neste ciclo, como uma megaoperação de exportação de veículos da Stellantis, reforçando o papel do complexo pernambucano como porta de saída da produção industrial do Nordeste para o mercado externo — um movimento que se soma ao crescimento generalizado das exportações brasileiras observado pelo MDIC em setembro.
Cabedelo cresce e recebe novo aporte
Na Paraíba, o Porto de Cabedelo movimentou 504,4 mil toneladas no primeiro quadrimestre de 2026, alta de 31,41% sobre o mesmo período de 2025. Diferente de Suape, o perfil de Cabedelo é predominantemente importador, com cargas como coque de petróleo, trigo, malte, açúcar, gasolina, diesel e álcool. Em março de 2026, a União e a Companhia Docas da Paraíba assinaram termo de compromisso para mais R$ 105 milhões em obras, somando-se a investimentos que já elevaram o calado do terminal para 11 metros e ampliaram as áreas de armazenagem — infraestrutura pensada para atrair novos importadores, exportadores e armadores para o terminal paraibano.
O que isso significa para empresas de PB e PE
Para exportadores da região Nordeste, o cenário nacional de câmbio mais favorável às vendas externas (dólar valorizado torna produtos brasileiros mais competitivos lá fora) se combina com investimento local em capacidade portuária, reduzindo o gargalo logístico que historicamente encarecia o frete de quem exportava fora do eixo Sul-Sudeste. Já para os importadores que dependem de Cabedelo — como distribuidores de combustíveis e insumos agrícolas —, a ampliação da capacidade do porto tende a reduzir custos de armazenagem e tempo de espera, ainda que o custo final da mercadoria importada continue sujeito à variação cambial.
Relação com o Brasil
O MDIC projeta que o superávit da balança comercial feche 2026 em torno de US$ 90 bilhões, alta de 32,3% sobre 2025, com exportações de US$ 394,4 bilhões e importações de US$ 304,4 bilhões. Esse desempenho nacional é sustentado, em parte, pela expansão de portos regionais como Suape e Cabedelo, que descentralizam a capacidade de comércio exterior do país para além dos portos tradicionais do Sudeste e do Sul.
Perspectivas
Se o ritmo de expansão portuária em Suape e Cabedelo se mantiver — o que depende de fatores como preço internacional de commodities e continuidade dos investimentos em obras já contratados —, é razoável esperar que o Nordeste amplie sua fatia na balança comercial brasileira ao longo de 2026, embora o resultado final dependa também de fatores externos, como o comportamento do dólar e a demanda internacional por commodities e produtos manufaturados.
Fontes
Reconecta News, “Exportações aceleram e superávit comercial dispara 233,7% na primeira semana de setembro” (9 de setembro de 2026), com dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC); Governo de Pernambuco/Suape, notícias institucionais sobre movimentação de cargas em 2026; Movimento Econômico, “Porto de Cabedelo investe R$ 210 milhões para ampliar capacidade logística” (8 de agosto de 2026); Companhia Docas da Paraíba, dados operacionais do Porto de Cabedelo em 2026.

