O preço internacional do petróleo voltou a subir nesta segunda-feira, 7 de setembro de 2026, com o barril do tipo Brent fechando em torno de US$ 97, alta de cerca de 0,75% no dia, e chegando a marcar quase US$ 98 no melhor momento. O petróleo WTI, referência nos Estados Unidos, era cotado perto de US$ 92,7, com ganho superior a 1%. Os dois contratos acumulam valorização expressiva nas últimas semanas e se aproximam da marca psicológica de US$ 100 o barril.
O que puxou os preços
A alta foi atribuída a um ataque contra instalações da Saudi Aramco — a maior petroleira do mundo — na região de Jizan, no sul da Arábia Saudita, e à escalada de tensões entre Estados Unidos e Irã ao longo do fim de semana. Autoridades iranianas voltaram a fazer alertas sobre o Estreito de Ormuz, corredor marítimo por onde passa cerca de um quinto do petróleo consumido no mundo. Relatos de mercado apontaram queda no trânsito de navios pela região, com redução no número de embarcações e no volume de carregamentos programados. Qualquer ameaça de interrupção nesse ponto costuma elevar rapidamente o prêmio de risco embutido no preço do barril.
China reforça reservas
No mesmo dia, o Banco do Povo da China (PBoC) informou que as reservas internacionais do país subiram para US$ 3,438 trilhões em agosto, um aumento de cerca de US$ 19,5 bilhões no mês e acima da estimativa de mercado. As reservas de ouro chegaram a 76,73 milhões de onças troy — o equivalente a algo em torno de US$ 350 bilhões —, com acréscimo de 650 mil onças no mês, o maior desde outubro de 2023. Foi o 22º mês consecutivo em que a China ampliou suas reservas de ouro, movimento que analistas associam a uma estratégia de diversificação para reduzir a dependência do dólar. Há ainda discussão sobre a possibilidade de a China vir a enfrentar uma tarifa adicional de 25% sobre importações de petróleo russo, semelhante à medida já aplicada pelos Estados Unidos à Índia.
Histórico e contexto
O petróleo passou a maior parte de 2025 e o início de 2026 numa faixa mais baixa, entre US$ 65 e US$ 80 o barril, com oferta ampla e demanda global fraca. A guinada recente é geopolítica: ataques a infraestrutura de energia no Oriente Médio e o risco em Ormuz recolocaram o barril na rota dos US$ 100. Ao mesmo tempo, os juros dos títulos públicos americanos (Treasuries) seguem em patamar elevado, e o Federal Reserve, o banco central dos Estados Unidos, tem reunião marcada para 15 e 16 de setembro, com o mercado esperando manutenção da taxa diante da inflação ainda resistente e do risco inflacionário adicional que o petróleo caro representa.
O que muda para o Brasil
Petróleo em alta tem efeito duplo sobre a economia brasileira. Pelo lado positivo, o país é exportador líquido de petróleo — o produto foi um dos principais responsáveis pelo superávit comercial recorde de 2026 — e preços altos aumentam a receita de exportação e a arrecadação. Pelo lado negativo, encarece a gasolina, o diesel e o gás no mercado interno, pressiona os custos de transporte e alimenta a inflação. Um dólar projetado entre R$ 5,15 e R$ 5,20 para setembro amplifica esse repasse, já que o preço de referência dos combustíveis é cotado em dólar.
Relação com a Paraíba e Pernambuco
O canal mais direto de transmissão para a economia paraibana e pernambucana é o diesel. O transporte rodoviário de cargas — que leva a produção de frutas, sucos e calçados do interior até os portos de Cabedelo e Suape, e que abastece o varejo das capitais e do Agreste — tem no combustível uma das maiores linhas de custo. Diesel mais caro encarece o frete, e esse aumento tende a ser repassado aos preços na ponta, dos alimentos aos materiais de construção. A frota pesqueira do Litoral e o agronegócio irrigado do Sertão (Petrolina-Juazeiro, no caso pernambucano) também sentem diretamente o custo do óleo diesel. Para o consumidor das duas capitais, o efeito aparece primeiro na bomba de combustível e, algumas semanas depois, na inflação de transporte e de alimentos. É uma cadeia de transmissão indireta, mas historicamente consistente.
Perspectivas
O rumo do petróleo no curto prazo depende quase inteiramente da evolução do conflito no Oriente Médio e da situação em Ormuz. Se a tensão arrefecer, o barril tende a devolver parte da alta, já que os fundamentos de oferta e demanda não justificam sozinhos um preço de US$ 100. Se houver interrupção efetiva de tráfego no estreito, o cenário muda de patamar, com risco de choque de preços e de nova rodada de pressão inflacionária global — o que afetaria as decisões de juros nos Estados Unidos, no Brasil e nos demais emergentes. Vale acompanhar a reunião do Federal Reserve em meados de setembro e os próximos dados de reservas e de importação de petróleo da China.
Fontes
Seu Dinheiro, “Petróleo fecha em alta e se aproxima de US$ 100, e China aumenta reservas cambiais e em ouro; veja o dia nos mercados globais” (7 de setembro de 2026); Banco do Povo da China (PBoC), dados de reservas internacionais e de ouro de agosto de 2026 (divulgados em 7 de setembro de 2026); Blog Daycoval, “Dólar em setembro de 2026: expectativas e cenário do câmbio”; Rankia e Seu Dinheiro, cobertura das decisões e do calendário do Federal Reserve em 2026.

