A Paraíba entrou em setembro de 2026 sob sucessivos alertas de tempo seco. Em 7 de setembro, o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) renovou o aviso amarelo de baixa umidade do ar para 64 municípios do estado, válido das 10h às 21h daquela segunda-feira. Segundo o instituto, a umidade relativa do ar nesse período pode oscilar entre 20% e 30% — patamar que a Organização Mundial da Saúde classifica como estado de atenção, já que o ideal para a saúde fica acima de 60%.
Uma semana de avisos
O alerta do dia 7 foi apenas o mais recente de uma sequência. Em 2 de setembro, o Inmet havia emitido aviso para 98 municípios paraibanos; em 3 de setembro, os alertas somados chegaram a 144 cidades; e em 5 de setembro, 102 municípios estavam sob advertência. A repetição dos avisos, quase diários, é típica do auge da estação seca no interior do Nordeste, quando faz meses que não chove de forma significativa e a próxima quadra chuvosa da região só começa a partir de janeiro e fevereiro.
Onde o tempo seco aperta mais
As listas do Inmet concentram-se no Sertão paraibano, com municípios como Cajazeiras, Sousa, Pombal, Coremas e Patos aparecendo de forma recorrente. É a região de clima semiárido mais rigoroso do estado, com temperaturas que passam facilmente dos 35°C à tarde e amplitude térmica alta entre o dia e a noite. O Alto Sertão e o Cariri estão entre as áreas mais expostas.
Riscos e recomendações
O Inmet classifica o risco como baixo tanto para incêndios florestais quanto para impactos à saúde, mas recomenda que a população adote cuidados enquanto durar o tempo seco: manter a hidratação, bebendo água ao longo de todo o dia mesmo sem sede; evitar atividades físicas intensas nas horas mais quentes e secas, entre o fim da manhã e a tarde; e reduzir a exposição direta ao sol nesse intervalo. Ambientes com ar muito seco favorecem problemas respiratórios, irritação nos olhos, ressecamento da pele e sangramento nasal, sobretudo em crianças e idosos. O uso de umidificadores ou de bacias com água nos ambientes ajuda a amenizar o desconforto.
Em caso de emergência, a Defesa Civil atende pelo telefone 199 e o Corpo de Bombeiros pelo 193.
Contexto
O período entre agosto e novembro costuma ser o mais crítico para a umidade do ar no interior paraibano. Além do desconforto e dos riscos à saúde, o ar seco combinado com vegetação da caatinga ressequida aumenta a facilidade de propagação de queimadas — o que exige atenção redobrada de produtores rurais e de quem faz manejo de terreno com fogo, prática que segue proibida sem autorização dos órgãos ambientais. Reservatórios e açudes da região também sentem a evaporação intensa nessa fase do ano.
Relação com o Litoral e o restante do estado
A faixa litorânea, incluindo João Pessoa, e o Brejo, na região de Areia e Bananeiras, costumam ficar de fora dos alertas de baixa umidade, porque a proximidade do mar e a altitude mantêm o ar mais úmido. Ainda assim, mesmo na capital os índices caem nessa época, e a orientação de hidratação e cuidado com a exposição ao sol vale para todo o estado. Para o Sertão, o alívio só deve vir com as primeiras chuvas do próximo ano.
Fontes
Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), avisos meteorológicos de baixa umidade do ar para a Paraíba, 2 a 7 de setembro de 2026;

