O mês de setembro de 2026 concentra as duas maiores feiras de agronegócio do Nordeste oriental. Em Pernambuco, a 33ª Agrinordeste foi realizada de 3 a 6 de setembro no Pernambuco Centro de Convenções (Cecon), em Olinda, na Região Metropolitana do Recife. Na Paraíba, a etapa João Pessoa do Circuito Paraíba Agronegócio acontece de 13 a 20 de setembro, no Parque de Exposições Henrique Vieira de Melo, no bairro do Cristo Redentor. As duas mostras funcionam como vitrine anual de um setor que vem se destacando como o de melhor desempenho relativo nas economias dos dois estados.
Agrinordeste: o balcão de negócios do agro pernambucano
Organizada pela Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de Pernambuco (Faepe) e pelo Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (Senar), com a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), a Agrinordeste 2026 reuniu mais de 300 estandes e projetou receber mais de 35 mil visitantes ao longo dos quatro dias, com entrada gratuita e funcionamento das 10h às 21h. O Seminário da Agrinordeste distribuiu palestras e oficinas por vários auditórios simultâneos, cobrindo avicultura, apicultura, aquicultura, bovinocultura de leite e de corte, ovinocaprinocultura, floricultura, fruticultura, olericultura, cana-de-açúcar e cooperativismo rural. Entre as atrações tradicionais estiveram a Dairy Show e o concurso leiteiro e de queijos, que premia queijos, manteiga, doce de leite e produtos fermentados.
Segundo a Faepe, a agropecuária pernambucana cresceu 1,2% em 2025, no nono ano consecutivo de expansão, acumulando 85% de avanço no período — desempenho muito acima dos demais setores da economia estadual. “A feira acompanha esse crescimento ao promover, com excelência, conexões entre produtores, empresas e instituições”, afirmou o presidente da Faepe, Pio Guerra.
Circuito Paraíba Agronegócio: 70 exposições e meta de R$ 600 milhões
Do lado paraibano, a etapa de João Pessoa é a mais robusta de um circuito estadual que, em 2026, prevê cerca de 70 exposições espalhadas por todas as regiões da Paraíba, de 26 de março a 12 de dezembro. A organização, conduzida pelo Governo da Paraíba por meio da Secretaria de Desenvolvimento Agropecuário e da Pesca (Sedap-PB), estima mais de 1,5 milhão de visitantes no circuito completo — ante 1,2 milhão em 2025 — e projeta movimentar R$ 600 milhões em negócios ao longo do ano, contra R$ 400 milhões no ano anterior.
Para a etapa da capital, entre 13 e 20 de setembro, a expectativa é de público de 200 mil pessoas, em uma edição descrita pela organização como maior e mais tecnológica, com layout inteiramente novo. Duas áreas estreiam neste ano: a “Cidade da Agroindústria”, voltada a fortalecer a presença do setor industrial do agro, e a “Cidade Vete”, com lojas de artigos veterinários. O parque terá quatro auditórios — um para 300 pessoas, um para 100 e dois para 50 — além de concursos de equinos, bovinos, caprinos e ovinos, e do projeto “Encontro de Mulheres do Agro”, no Salão do Queijo.
Contexto: crédito e safra
As duas feiras chegam em um momento de reforço do crédito rural para o Nordeste. O Banco do Brasil anunciou a renegociação de até R$ 10,4 bilhões em dívidas de cerca de 17,5 mil produtores da região, com base na Medida Provisória 1.376/2026, voltada a quem teve perdas climáticas ou de mercado em safras recentes. No plano nacional, o Plano Safra 2025/2026 movimentou R$ 494,4 bilhões em concessões de crédito. Feiras como a Agrinordeste e o Circuito Paraíba costumam funcionar como ponto de encontro entre produtores, bancos e cooperativas para fechar financiamento de máquinas, insumos e animais.
Impacto para empresas e consumidores
Para o produtor rural e o pequeno agroindustrial, as feiras são canal direto de venda (animais, queijos, cachaça, mel, artesanato), de acesso a assistência técnica e de comparação de preços de máquinas e insumos antes do plantio. Para o comércio e os serviços das cidades-sede, o efeito é de curto prazo, mas concentrado: hotéis, restaurantes, transporte e diárias de montagem de estande aquecem durante os dias de evento — em João Pessoa, a etapa coincide com a semana seguinte ao feriadão de 7 de Setembro, somando movimento à rede hoteleira.
Para o consumidor, o desempenho consistente da agropecuária nos dois estados tem relação com preço e abastecimento: cadeias como a de leite e derivados, a ovinocaprinocultura, a fruticultura irrigada (no Vale do São Francisco, em Petrolina, e no polo de Sousa, no sertão paraibano) e a horticultura do Agreste ajudam a segurar a oferta local de alimentos e reduzem a dependência de produtos vindos de outras regiões.
Relação com a Paraíba e Pernambuco
O calendário reforça uma característica do agro do Nordeste oriental: são estados de propriedades majoritariamente pequenas e médias, com peso grande da agricultura familiar e forte ligação com a agroindústria de alimentos. O crescimento acumulado da agropecuária pernambucana (85% em nove anos) e as metas de movimentação do circuito paraibano (R$ 600 milhões em 2026) apontam na mesma direção — um setor que ganhou relevância relativa nas duas economias enquanto indústria e serviços cresceram menos. A concentração das feiras em setembro cria, na prática, um mês-vitrine do agro regional, com potencial de atrair comprador e investidor de fora.
Perspectivas
O teste para os dois estados é converter o movimento das feiras em negócio recorrente: contratos de fornecimento para redes de supermercados, ganho de escala na agroindústria de queijos e laticínios e acesso a mercados fora do Nordeste. A continuidade depende de crédito acessível, da regularidade de chuvas no semiárido e de investimento em irrigação e logística. Se o ritmo de crescimento da última década se mantiver, a agropecuária tende a seguir como a âncora mais estável das economias da Paraíba e de Pernambuco.
Fontes: Agrinordeste 2026 (site oficial — programação, formato e realização).

