O volume de vendas do comércio varejista da Paraíba cresceu 1,5% em maio de 2026 na comparação com abril, o segundo maior avanço entre todas as unidades da federação no período, atrás apenas do Distrito Federal (1,6%). Os dados são da Pesquisa Mensal do Comércio (PMC) do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), divulgada em 16 de julho de 2026. No mesmo mês, o varejo brasileiro ficou praticamente estável, com alta de 0,1%.
O que dizem os números
Na comparação entre maio de 2026 e maio de 2025, o varejo paraibano avançou 0,6%, também acima da média nacional (0,4%). O varejo ampliado — que inclui veículos, motos, peças, material de construção e atacado de alimentos — subiu 1,5% no mês e 0,7% em relação a um ano antes. Entre as atividades pesquisadas, os destaques de alta no estado foram livros, jornais, revistas e papelaria; tecidos, vestuário e calçados; e móveis e eletrodomésticos, impulsionados pelo Dia das Mães e pela demanda ligada à Copa do Mundo.
O resultado foi atribuído pelo IBGE e pela Secretaria de Estado da Fazenda da Paraíba à combinação de mercado de trabalho aquecido, massa de renda em alta e transferências de renda, que pesam mais no orçamento das famílias nordestinas do que na média brasileira. No começo do ano a série já vinha forte: em março de 2026, o varejo restrito da Paraíba havia crescido 5,1% na comparação anual e o ampliado, 7,2% — à época, no 26º mês consecutivo de resultado positivo, segundo levantamentos com base na PMC noticiados por veículos locais.
Contexto
A Paraíba vem figurando de forma recorrente entre os estados de maior crescimento proporcional do varejo no país ao longo de 2025 e 2026, movimento que acompanha a expansão do consumo no Nordeste. A região tem sido puxada por reajustes reais do salário mínimo, ampliação do crédito e programas de transferência de renda. Os números de maio, no entanto, mostram desaceleração: a alta anual de 0,6% é bem menor do que as taxas de dois dígitos vistas em parte de 2024 e no início de 2025.
Impacto para empresas e consumidores
Para o comerciante paraibano, a leitura é de um mercado consumidor resiliente, mas com ritmo de crescimento mais moderado. Isso recomenda cautela com estoque e endividamento: o consumo segue crescendo, porém não na velocidade que justificaria expansão agressiva de capacidade.
O momento é sensível porque antecede o feriadão de 7 de Setembro — que cai numa segunda-feira em 2026 e concentra movimento em shoppings, no comércio de rua e no varejo das áreas turísticas da orla de João Pessoa — e abre a temporada de datas fortes do segundo semestre: Dia das Crianças, Black Friday e Natal. Para o consumidor, os juros ainda altos (a Selic segue em patamar elevado) tornam caro parcelar compras no cartão e no crediário; quem puder, ganha desconto pagando à vista.
Relação com o Brasil e com Pernambuco
O desempenho paraibano contrasta com a média nacional quase estável e coloca o estado ao lado de outros da Região Nordeste no topo do ranking de crescimento. Em Pernambuco, o varejo também vem registrando resultados acima da média do país, sustentado pelo polo de confecções do Agreste (Caruaru, Toritama, Santa Cruz do Capibaribe) e pelo comércio da Região Metropolitana do Recife. Para fornecedores, atacadistas e transportadoras que atendem os dois estados a partir de centros de distribuição em Cabedelo, no Recife e em Suape, o quadro é de demanda firme, ainda que sem a euforia de meses anteriores.
Perspectivas
A trajetória do varejo no restante de 2026 depende principalmente do comportamento dos juros e da inflação de alimentos. Uma eventual queda da Selic barateia o crédito e tende a reforçar as vendas de bens duráveis (móveis, eletrodomésticos, eletrônicos); a manutenção dos juros no patamar atual mantém o consumo concentrado em itens essenciais e no varejo de menor tíquete. Para o comércio paraibano, o desafio é transformar a longa sequência de meses no positivo em ganho de produtividade, e não apenas em crescimento de faturamento nominal.
Fontes: IBGE — Pesquisa Mensal do Comércio (PMC) de maio de 2026, divulgada em 16 de julho de 2026.

