Começa nesta quarta-feira, 3 de setembro, e vai até sábado, 6, a 33ª edição da Agrinordeste, uma das maiores feiras de agronegócio da região. O evento ocorre no Pernambuco Centro de Convenções (Cecon), em Olinda, na Região Metropolitana do Recife, das 10h às 21h, com entrada gratuita. A promoção é da Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de Pernambuco (Faepe), com apoio de instituições do setor como o Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (Senar), a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), o Sebrae e a Sudene.
O que a feira oferece
Segundo a organização, a Agrinordeste 2026 reúne mais de 300 estandes e deve receber mais de 35 mil visitantes ao longo dos quatro dias, entre produtores rurais, empresários, técnicos, estudantes de ciências agrárias e autoridades. A programação técnica prevê mais de 100 palestras e seminários distribuídos em auditórios simultâneos, cobrindo cadeias como avicultura, apicultura, aquicultura, bovinocultura de leite e de corte, caprinovinocultura, floricultura, fruticultura, horticultura, cana-de-açúcar e cooperativismo rural.
Há ainda espaços de atendimento voltados ao crédito e à assistência técnica, com orientação sobre linhas de financiamento da safra 2026/2027 — um dos principais motivos que levam o pequeno e o médio produtor a esse tipo de evento, ao lado da compra de insumos, máquinas e animais de genética.
Por que a caprinovinocultura é o centro das atenções
Entre os seminários técnicos, o de caprinovinocultura — criação de caprinos e ovinos — costuma ser o de maior procura entre os produtores nordestinos, e este ano não deve ser diferente. A região Nordeste concentra a maior parte do rebanho brasileiro de caprinos, atividade especialmente adaptada às condições do semiárido, onde a caatinga e a escassez de água limitam alternativas. Para muitas famílias do Sertão e do Cariri, o bode e a ovelha são a principal fonte de renda e de proteína.
A pauta técnica da feira tende a girar em torno de manejo reprodutivo, nutrição com uso de palma forrageira e outras forrageiras adaptadas, sanidade do rebanho e, sobretudo, organização dos produtores para vender melhor — via cooperativas, feiras e contratos com frigoríficos e restaurantes.
O momento do agro pernambucano
A feira chega num momento em que o setor agropecuário de Pernambuco acumula anos seguidos de crescimento, segundo a Faepe. A federação tem destacado a expansão consistente da produção agropecuária estadual ao longo da última década como argumento para a importância econômica do evento. O agro pernambucano é marcado pela diversidade: a cana-de-açúcar e a fruticultura irrigada da Zona da Mata e do Vale do São Francisco (com polo em Petrolina), a bovinocultura de leite no Agreste (Bacia Leiteira em torno de Garanhuns), a caprinovinocultura no Sertão e a horticultura que abastece a Região Metropolitana do Recife.
Relação com a Paraíba
Embora sediada em Pernambuco, a Agrinordeste atrai produtores de todo o Nordeste, e a Paraíba está entre os estados vizinhos com presença garantida. As cadeias em destaque no evento são exatamente as que movimentam o interior paraibano: a caprinovinocultura do Cariri e do Sertão (região de Monteiro, Sumé e Cabaceiras, esta última conhecida pela produção de caprinos e pelo couro), a apicultura do Cariri — que produz mel de boa reputação comercial —, a bovinocultura de leite do Agreste paraibano e a fruticultura de Sousa e região, no Alto Sertão. Para esses produtores, feiras regionais funcionam como ponto de contato com fornecedores de tecnologia, compradores e linhas de crédito que nem sempre chegam às cidades pequenas.
O contraponto
Feira cheia não significa, por si só, negócio fechado. O número de visitantes e de estandes mede o interesse e a capacidade de mobilização do setor, mas o resultado econômico real — volume de vendas de animais, máquinas e insumos, contratos de assistência técnica e crédito efetivamente contratado — só costuma ser divulgado pela organização depois do encerramento, e nem sempre com metodologia detalhada. Além disso, o semiárido segue dependente do regime de chuvas: um ano de estiagem forte pode anular boa parte do ganho de produtividade discutido nos auditórios.
Perspectivas
Para o pequeno produtor, o valor da Agrinordeste está menos no espetáculo e mais no acesso: a chance de comparar preços, ver tecnologia funcionando, conversar com técnicos do Senar e do Sebrae e entender as regras das linhas de financiamento da nova safra. O balanço oficial do evento, com estimativa de público e de movimentação de negócios, deve ser divulgado pela Faepe na semana seguinte ao encerramento.
Fontes: Agrinordeste / Faepe (informações oficiais sobre datas, local, número de estandes, visitantes esperados e programação técnica da 33ª edição).

