Pernambuco encerrou o primeiro semestre de 2026 na liderança do crescimento do comércio varejista no Brasil, segundo a Pesquisa Mensal do Comércio (PMC), do IBGE. No acumulado de janeiro a junho, na comparação com o mesmo período de 2025, o varejo restrito pernambucano cresceu 10,7% e o varejo ampliado — que inclui veículos, peças e material de construção — avançou 9,6%. Os dois indicadores ficaram bem acima da média nacional, de 1,7% no varejo restrito, e também à frente da média da região Nordeste.
Os números do semestre
Em junho, o varejo ampliado de Pernambuco cresceu 0,8% na série com ajuste sazonal, na contramão do resultado nacional apurado pelo IBGE, que registrou queda de 1,0% no mês. Na comparação de maio de 2026 com maio de 2025, o comércio pernambucano já havia crescido 7,4%, um dos melhores desempenhos do país naquele recorte.
A Paraíba também fechou o semestre no azul, ainda que em ritmo mais moderado: alta de 2,6% no acumulado de janeiro a junho e de 3,1% no acumulado de 12 meses, segundo a mesma pesquisa. O estado esteve entre os seis do Nordeste que superaram a média brasileira nos indicadores acumulados — um sinal de que o consumo no Nordeste vem puxando o varejo nacional em 2026.
Quais segmentos puxaram a alta
Em Pernambuco, os segmentos que mais contribuíram para o avanço do varejo no acumulado do ano foram supermercados, hipermercados e produtos alimentícios, com alta de 22,2%; livros, jornais, revistas e papelaria (19,1%); e equipamentos de informática e comunicação (18,2%). No mês de junho, o desempenho estadual foi sustentado principalmente por veículos, motocicletas, partes e peças (+9,3%), atacado especializado em alimentos, bebidas e fumo (+4,2%) e material de construção (+4,2%).
Histórico e base de comparação
Parte do crescimento acumulado se explica por uma base de comparação mais fraca em 2025 e pela recuperação do consumo após os anos de inflação alta e juros elevados. Ainda assim, o índice de volume de vendas de Pernambuco em maio ficou em torno de 17% acima da média de 2022, o que indica que o setor opera acima do patamar pré-pandemia e não apenas repondo perdas.
O outro lado: emprego e crédito
O bom momento das vendas não se traduziu, até agora, em criação consistente de empregos no comércio. Segundo o Novo Caged, a Paraíba fechou julho com saldo de 2.307 vagas formais no total — o quinto mês seguido de resultado positivo —, mas o setor de comércio, isoladamente, teve saldo negativo de 132 postos no mês. O desempenho da indústria (+1.298) e de serviços (+571) sustentou o número geral.
Para o fim do ano, a expectativa é mais otimista. Levantamento da Câmara de Dirigentes Lojistas de João Pessoa (CDL-JP), com base em dados da Fecomércio-PB, aponta que a Paraíba deve abrir cerca de 7 mil vagas temporárias no comércio, bares, restaurantes e hotelaria para o período de outubro a janeiro, sendo cerca de 3 mil na capital. Historicamente, uma parcela relevante desses contratos — a entidade estima entre 60% e 70% — acaba efetivada no início do ano seguinte.
O que isso significa para lojistas e consumidores
Para o lojista, o crescimento de dois dígitos em Pernambuco é um sinal de demanda aquecida, mas concentrada em alimentação e bens essenciais — o que pressiona margens em segmentos de tíquete médio maior. Para o consumidor, a leitura é dupla: há oferta e movimento no comércio, mas o crédito segue caro, e datas recentes mostraram cautela. No Dia dos Pais de 2026, por exemplo, a Fecomércio-PE projetou queda real de 3,6% nas vendas em relação ao ano anterior, atribuída ao orçamento apertado das famílias.
Relação com o Nordeste e com a Paraíba
O desempenho de Pernambuco e da Paraíba se encaixa num movimento regional: todos os estados nordestinos acompanhados pela PMC cresceram acima da média do Brasil no primeiro semestre. No caso paraibano, o varejo é sustentado sobretudo por João Pessoa e Campina Grande, e por segmentos como vestuário, calçados, cosméticos e perfumaria nas datas sazonais. O período entre o 7 de Setembro e o Natal, que começa agora, é decisivo para fechar o ano no azul.
Perspectivas
Os próximos dados da PMC, referentes a julho, são divulgados pelo IBGE em setembro e vão mostrar se o Nordeste mantém o ritmo acima da média nacional na segunda metade do ano. O varejo regional entra no quarto trimestre com vendas em alta, emprego ainda oscilante e crédito restritivo — a combinação que vai definir o tamanho do Natal de 2026 no comércio de Pernambuco e da Paraíba.
Fontes: IBGE — Pesquisa Mensal do Comércio (PMC), dados de junho de 2026 e acumulado do primeiro semestre, divulgados em agosto de 2026.

