O Complexo Industrial Portuário de Suape, o maior polo industrial de Pernambuco e uma das principais portas logísticas do Nordeste, recuperou uma área de 55 hectares — o equivalente a cerca de 550 mil metros quadrados, ou 77 campos de futebol — que estava destinada ao estaleiro Vard Promar. A devolução do terreno abre espaço para novos investimentos industriais numa das faixas mais valorizadas do complexo: a que tem conexão direta com o mar.
Como a área voltou para Suape
A retomada foi resultado de uma decisão arbitral favorável a Suape, que reconheceu a validade da rescisão unilateral do contrato firmado em 2010. Pelo acordo original, a Vard Promar tinha direito de uso sobre um terreno de cerca de 80 hectares. O estaleiro em si ocupa 25 hectares e continua funcionando normalmente — a parte devolvida à administração de Suape são os 55 hectares restantes, hoje praticamente ociosos (apenas 1,75 hectare vem sendo usado como área de armazenagem).
“A área amplia a capacidade de Suape de receber novos projetos”, afirmou o diretor-presidente do complexo, Armando Monteiro Bisneto, destacando que o terreno, por ter frente para o mar, comporta “diferentes tipos de empreendimentos”.
Para que serve um terreno com frente para o mar
O diferencial da área não é o tamanho, e sim a localização. Terrenos com acesso direto à lâmina d’água e à infraestrutura portuária são escassos e disputados: são eles que viabilizam projetos que precisam embarcar e desembarcar cargas pesadas ou volumosas sem depender de transporte rodoviário até o cais. Segundo Suape, os 55 hectares devem ser oferecidos a projetos das cadeias naval e offshore (construção e reparo de embarcações e plataformas), industrial, logística e de apoio às operações portuárias.
A expectativa da gestão é incorporar a área ao porto organizado de Suape, o que amplia a oferta de terrenos para empresas que exigem ligação direta com a estrutura marítima do complexo. Segundo o portal Movimento Econômico, Suape também negocia outros projetos de peso, como uma unidade de biocombustível da Be8 e o interesse do grupo J&F em instalar uma termelétrica e um terminal de regaseificação — negociações que, se confirmadas, disputariam espaço no complexo.
Suape em ritmo de alta
A retomada do terreno acontece num momento de expansão da movimentação do porto. Entre janeiro e julho de 2026, Suape movimentou 16,1 milhões de toneladas de carga, um crescimento de 21,3% em relação ao mesmo período do ano anterior. O número de navios atendidos subiu 10,7%, para 969 embarcações. Os granéis líquidos — combustíveis, derivados de petróleo e produtos químicos — responderam por 66,8% de tudo o que passou pelo porto.
Suape reúne hoje mais de uma centena de empresas instaladas, em setores que vão de refino de petróleo e petroquímica a energia, alimentos, construção naval e bens de consumo. É também o principal porto do Norte e Nordeste em movimentação de contêineres e de veículos.
O que isso significa para a economia regional
Para Pernambuco, mais área disponível em Suape significa mais capacidade de atrair projetos industriais de grande porte — e os empregos, a arrecadação de ICMS e a cadeia de fornecedores que vêm junto. O complexo é um dos maiores empregadores do estado e um polo que puxa serviços em toda a Região Metropolitana do Recife, especialmente nos municípios do Cabo de Santo Agostinho e Ipojuca.
Para a Paraíba, o efeito é indireto, mas real: parte da carga de importação e exportação de empresas paraibanas — sobretudo dos polos calçadista, têxtil e de alimentos — passa por Suape ou pelo Porto de Cabedelo, e a competitividade de um porto influencia fretes e prazos do outro. Um Suape mais robusto tende a puxar investimento em logística para todo o Nordeste oriental, incluindo rodovias e ferrovias que servem também à Paraíba, como o projeto da Transnordestina.
Vale a ressalva: a área foi retomada, mas ainda não há empresa nova anunciada para ocupá-la. O impacto econômico depende de Suape conseguir atrair e contratar projetos concretos para o terreno — e empreendimentos industriais de porte costumam levar anos entre a assinatura e a operação. Por ora, o que se tem é a ampliação do estoque de terra disponível, o que melhora a posição de Suape na disputa por investimentos, mas não garante, sozinho, novos negócios.
O que acompanhar
Os pontos a observar nos próximos meses: a definição de regras e prazos para a oferta dos 55 hectares ao mercado; o desfecho das negociações com Be8 e J&F; e a evolução da movimentação do porto no segundo semestre, para confirmar se o ritmo de alta de 21% se sustenta.
Fontes
- Suape — dados de movimentação portuária, janeiro a julho de 2026.

