O empreendedorismo brasileiro está em alta — mas o ritmo não é o mesmo em todo lugar. De acordo com levantamento do Sebrae com dados da Receita Federal, o Brasil registrou 2.050.548 pequenos negócios abertos entre janeiro e abril de 2026, um crescimento de 14% em relação ao mesmo período de 2025. Esses empreendimentos — microempreendedores individuais (MEI), microempresas e empresas de pequeno porte — representaram 97% de todos os CNPJs registrados no país nesses quatro meses.
Na Paraíba, o retrato é bem menos animador. No primeiro bimestre de 2026, o estado registrou 14.147 pequenos negócios abertos — contra 14.123 no mesmo período de 2025. Ou seja: 24 empreendimentos a mais, uma variação praticamente nula enquanto a média nacional avançava dois dígitos. É preciso considerar que os períodos comparados não são idênticos — o dado nacional vai até abril e o da Paraíba, até fevereiro —, mas a estagnação paraibana no início do ano chama a atenção diante do aquecimento no resto do país.
Quem está abrindo negócio no Brasil
O setor de serviços puxou a expansão nacional, com 1.327.408 aberturas de janeiro a abril (alta de 15%). Em seguida vieram comércio (411,8 mil), indústria (159,7 mil), construção (136,3 mil) e agropecuária (15,4 mil). Entre as atividades específicas que mais cresceram estão serviços de malote e entrega (136,2 mil novos negócios), transporte rodoviário de carga (131,4 mil), publicidade (113 mil) e salões de beleza e cabeleireiros (97,6 mil) — um retrato da economia de plataformas, do comércio eletrônico e da informalidade que virou CNPJ.
A concentração geográfica seguiu o peso econômico das regiões: São Paulo respondeu por 29% das aberturas, Minas Gerais por 10,5% e Rio de Janeiro por 8%. Só em abril, foram 463.080 novos negócios no país, metade deles (50,2%) no Sudeste.
“A economia vai bem, as pessoas ganham confiança em colocar em prática o sonho de empreender”, resumiu o presidente interino do Sebrae Nacional, Rodrigo Soares.
O perfil da Paraíba
Dos 14.147 pequenos negócios abertos na Paraíba no início do ano, 81,44% são MEIs, 15,98% microempresas e 2,58% empresas de pequeno porte. Os setores que mais abriram no estado foram construção e serviços. As micro e pequenas empresas paraibanas geraram 2.413 postos de trabalho com carteira assinada no período, segundo o Sebrae/PB, com base no Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged).
Os dados também mostram o peso das mulheres no empreendedorismo local: a Paraíba tem cerca de 160 mil mulheres à frente de negócios — 35% do total de empreendedores do estado —, e 57,5% delas são as principais responsáveis pelo sustento da família.
Por que o número importa
A alta predominância do MEI (mais de 8 em cada 10 aberturas) tem duas leituras. A positiva: a formalização dá ao empreendedor acesso a CNPJ, emissão de nota fiscal, crédito bancário, previdência e a possibilidade de vender para empresas e para o poder público. A leitura de cautela: boa parte desses MEIs nasce da falta de emprego formal, tem faturamento baixo e alta taxa de mortalidade nos primeiros anos — abrir um CNPJ não é o mesmo que ter um negócio sustentável.
Para a Paraíba, a quase estagnação no início de 2026 é um sinal a acompanhar. Pode ser um efeito sazonal do começo do ano, pode refletir uma base de comparação já alta (2025 foi um ano forte de aberturas), ou pode indicar que o fôlego do empreendedorismo local esbarrou em juros altos, endividamento das famílias e um mercado consumidor regional mais apertado. Os dados dos bimestres seguintes vão dizer qual dessas hipóteses se sustenta.
O que acompanhar
Vale observar os próximos boletins do Sebrae para ver se a Paraíba volta a crescer em linha com o Brasil ou se a estagnação se confirma ao longo do ano; e os dados de sobrevivência desses negócios — quantos dos MEIs abertos em 2024 e 2025 seguem ativos —, indicador mais revelador da saúde do empreendedorismo do que o número bruto de aberturas.
Fontes
- Sebrae, com dados da Receita Federal e do Caged / Ministério do Trabalho e Emprego.

