O mercado imobiliário de João Pessoa deve superar o desempenho já forte do primeiro semestre de 2026, segundo especialistas ouvidos na 7ª edição do evento Mercado em Foco, realizado em 4 de agosto no Espaço Luzzco, no Altiplano. O estoque de imóveis na capital paraibana somava 7.323 unidades no segundo trimestre do ano, segundo dados da Brain Inteligência de Mercado.
O pano de fundo desse desempenho é um crescimento setorial relevante: a construção civil ajudou a Paraíba a crescer 5,2% em 2025 — resultado mais que o dobro da média nacional do período. O dado reforça a leitura, já discutida em outras coberturas do setor, de que a construção civil segue como um dos principais motores da economia paraibana também em 2026 (ver matéria relacionada sobre a projeção de PIB do estado).
Zona Norte lidera valorização
Entre as regiões da capital, a Zona Norte — bairros como Bessa, Jardim Oceania e Aeroclube — segue como a mais valorizada, com alta anual entre 13% e 15%, segundo Gustavo Galindo, sócio-diretor da Núcleo Consultoria Imobiliária e citado como referência do setor no Nordeste. As tipologias de maior liquidez no mercado atual são apartamentos de 2 quartos (50 a 60 m²) e de 3 quartos (70 a 80 m²), especialmente em áreas próximas ao mar.
Incorporadoras confirmam ritmo aquecido
No painel do Mercado em Foco, incorporadores e executivos do setor — entre eles Diego Dantas (Portomar), Marcela Ramalho (Brascon), George Vasconcelos (Nordeste), Alexei González (Holanda) e Alisson Holanda (Grupo N|Holanda) — discutiram o momento do mercado sob mediação de Glauco Morais, cofundador do portal Paraíba Business, e com participação do economista Écio Costa, da UFPE. O evento também trouxe comparações com os mercados de Salvador e Recife, sem detalhar, porém, diferenças específicas de valorização entre as três capitais.
O que isso significa para quem empreende na Paraíba
Um mercado imobiliário aquecido tem efeito de cadeia direto sobre uma série de negócios locais: material de construção, mobiliário planejado, serviços de arquitetura e decoração, e prestadores de serviço ligados a reformas e acabamento tendem a se beneficiar do ritmo de lançamentos e vendas. Corretores e imobiliárias de menor porte também tendem a se beneficiar do aquecimento, especialmente em bairros fora do eixo mais tradicional da Zona Norte, à medida que o mercado se adensa e a procura se espalha por outras regiões da cidade.
Para investidores, o dado de valorização de 13% a 15% ao ano na Zona Norte é um número concreto e relativamente alto mesmo descontada a inflação — e ganha um reforço adicional com o ciclo de queda da Selic em curso (ver matéria relacionada sobre o corte de juros do Copom), que tende a baratear o financiamento imobiliário e sustentar a demanda por mais alguns trimestres.
Fontes
Paraíba Business; Política por Elas; Brain Inteligência de Mercado; Núcleo Consultoria Imobiliária.

