Um levantamento sobre o impacto das tarifas impostas pelo governo americano às exportações brasileiras mostra uma exposição bastante desigual entre estados: enquanto Alagoas tem 98,4% de todo o comércio com os Estados Unidos afetado pelas novas tarifas, o Ceará tem 42% de suas exportações totais impactadas (91,3% do comércio especificamente com os EUA). Espírito Santo (18,5% das exportações totais), Santa Catarina (9,7%) e São Paulo (7,7%) aparecem com exposição bem menor, ainda que relevante em valores absolutos.
As tarifas em vigor combinam uma taxa adicional de 12,5%, imposta em 23 de julho de 2025, com uma sobretaxa de até 25% decorrente de investigações abertas sob a Seção 301 da legislação comercial americana — usada pelos EUA para impor tarifas em resposta a práticas que considera desleais. Somadas, as duas camadas podem levar a tarifa total sobre determinados produtos a até 37,5%.
Setores poupados e setores taxados
Nem todos os produtos foram atingidos da mesma forma. Carne bovina — que beneficiou vários estados do Centro-Oeste —, a indústria aeronáutica e o suco de laranja (ambos relevantes para São Paulo) seguem isentos das novas tarifas. Já produtos como semimanufaturados de aço, mel, granito, calçados de borracha, madeira e componentes automotivos entraram na lista de itens taxados. A cana-de-açúcar é um caso à parte: fica isenta da tarifa de 12,5%, mas é taxada em 25% pela camada da Seção 301 — o que ajuda a explicar por que Alagoas, importante produtor de açúcar e etanol, aparece como o estado proporcionalmente mais afetado do país, com US$ 65,6 milhões em exportações de açúcar aos EUA registradas em 2025.
O que isso significa para a Paraíba e Pernambuco
O levantamento não traz dados específicos para a Paraíba e Pernambuco, mas o padrão observado nos outros estados nordestinos — sobretudo o caso de Alagoas — acende um sinal de atenção regional: economias com pauta exportadora concentrada em poucos produtos tendem a sofrer mais com tarifas específicas do que estados com pauta diversificada. Como já mostrou cobertura anterior deste Radar sobre a balança comercial brasileira, a Paraíba tem no suco e na polpa concentrada de frutas cerca de 60% de sua pauta exportadora aos EUA — uma concentração que, por analogia ao padrão observado em Alagoas com o açúcar, sugere vulnerabilidade real do estado a qualquer mudança futura na lista de produtos tarifados, mesmo que o suco de laranja especificamente esteja isento até o momento.
Para Pernambuco, com pauta exportadora mais diversificada e um porto como Suape movimentando granel sólido, líquido e contêineres para múltiplos destinos (ver matéria relacionada sobre o crescimento de Suape em 2026), a exposição tende a ser proporcionalmente menor — mas não nula, já que produtos como aço semimanufaturado e componentes automotivos, ambos taxados, também fazem parte da pauta industrial do estado.
Vale o alerta: este cenário tarifário segue mudando com investigações da Seção 301 em andamento — qualquer novo produto incluído ou excluído da lista pode alterar esse quadro nas próximas semanas.
Fontes
O Tempo; Seu Dinheiro.

