A Paraíba quer saber, município por município, onde estão suas oportunidades industriais escondidas. A Federação das Indústrias do Estado da Paraíba (FIEPB) e o Sebrae lançaram, em 8 de setembro de 2026, em João Pessoa, o projeto “Raio-X da Indústria Paraibana”, uma iniciativa que promete mapear as vocações econômicas e sociais dos 223 municípios do estado para transformar dados locais em oportunidades concretas de investimento.
O que o projeto se propõe a fazer
O Raio-X é estruturado em quatro frentes principais: um diagnóstico das realidades econômicas e produtivas de cada município paraibano; a identificação de vocações produtivas e cadeias já consolidadas ou ainda emergentes; a construção de um Mapa de Oportunidades para orientar investidores e o poder público; e, por fim, uma agenda de desenvolvimento econômico regional derivada desse diagnóstico. Na prática, é um esforço de inteligência territorial: em vez de decisões de investimento baseadas em percepção genérica sobre “o interior da Paraíba”, o objetivo é ter dado concreto, cidade a cidade, sobre o que cada uma já produz bem e o que tem potencial ainda não explorado.
Contexto: o programa ‘Juntos pela Indústria’
O Raio-X nasce dentro de um guarda-chuva maior, o programa “Juntos pela Indústria”, capitaneado pela FIEPB em parceria com o Sebrae estadual. Segundo Mário Borba, presidente do Conselho Deliberativo Estadual do Sebrae/PB, “o ‘Juntos pela Indústria’ é uma porta aberta para o crescimento e para que a Paraíba possa aproveitar todo o seu potencial”. Já Rodrigo Soares, presidente do Sebrae, situou o projeto dentro da missão histórica da instituição: “o Sebrae atua no apoio às micro e pequenas empresas para aumentar sua competitividade e promover a transformação sustentável”.
Uma base que já existe: o Brasil Mais Produtivo
O lançamento do Raio-X se apoia em resultados de outra frente do Sebrae Nacional, a plataforma Brasil Mais Produtivo, que já qualificou 135 mil empresas em todo o país, com ganho médio de 25% em produtividade entre as participantes. A lógica por trás do Raio-X paraibano é semelhante: usar dado e metodologia para destravar ganho de eficiência e competitividade, só que aplicado especificamente ao mapeamento territorial do estado, e não a processos internos de empresas isoladas.
Consequências para empresas e consumidores
Para pequenas e médias indústrias já instaladas no interior paraibano, o mapeamento pode significar acesso mais fácil a linhas de crédito e políticas públicas desenhadas especificamente para a vocação produtiva do próprio município, em vez de programas genéricos estaduais. Para municípios ainda sem vocação industrial clara, o Raio-X pode servir de vitrine para atrair investidores externos interessados em cadeias emergentes. Para o consumidor, o efeito é indireto: mais indústria distribuída pelo interior tende a significar mais emprego formal fora da Grande João Pessoa, com potencial de reduzir êxodo para a capital — um efeito que depende da execução prática do mapeamento, não uma garantia automática do projeto.
Relação com o Brasil
O movimento paraibano acompanha uma tendência nacional de descentralização da política industrial, em que estados e federações regionais assumem papel mais ativo no mapeamento de vocações produtivas locais, em vez de depender só de diretrizes federais genéricas. A metodologia de diagnóstico territorial vem ganhando espaço em outros estados do Nordeste como ferramenta de atração de investimento privado em um cenário de juros ainda altos no Brasil, que torna o crédito público e o direcionamento estratégico de investimento ainda mais decisivos para o interior.
Relação com a Paraíba e Pernambuco
O Raio-X é uma iniciativa exclusivamente paraibana, mas se soma a outros movimentos recentes de fortalecimento industrial no estado, como o programa Paraíba 2025-2026, que prevê R$ 11,5 bilhões em investimentos, e o projeto do futuro distrito industrial metropolitano na Grande João Pessoa. Para Pernambuco, o interesse está mais na comparação de modelo: o estado vizinho, que já atraiu 25 novos projetos industriais com investimentos da ordem de R$ 96 milhões via Adepe, pode se beneficiar indiretamente caso o mapeamento paraibano abra cadeias produtivas complementares — polos como Suape, em Pernambuco, e o futuro distrito industrial metropolitano da Paraíba tendem a competir e cooperar simultaneamente pela atração da mesma base de fornecedores regionais.
Perspectivas
O artigo de lançamento do Raio-X não detalha um prazo de conclusão do mapeamento dos 223 municípios, o que deixa em aberto quando o Mapa de Oportunidades estará, de fato, disponível para uso de investidores e gestores públicos. O teste real do projeto será a capacidade de transformar diagnóstico em investimento efetivo — historicamente, o desafio de iniciativas desse tipo não é produzir o dado, mas garantir que ele chegue a quem decide alocar capital.
Fontes: WSCOM, “FIEPB e Sebrae firmam parceria para atrair investimentos e impulsionar a indústria na Paraíba”, 08/09/2026; CINEP – Companhia de Desenvolvimento da Paraíba, sobre o programa Fain e investimentos estaduais; Movimento Econômico, sobre o programa Paraíba 2025-2026; ADEPE, “Governo atrai 25 novos projetos industriais para Pernambuco”.

