A maior feira agropecuária da Paraíba entra na reta de montagem. A etapa João Pessoa do Circuito Paraíba Agronegócio acontece de 13 a 20 de setembro de 2026, no Parque de Exposições Henrique Vieira de Melo, no bairro do Cristo Redentor, com entrada gratuita. A organização espera reunir cerca de 500 expositores, 2.500 animais — entre bovinos, caprinos, ovinos e equinos — e um público de aproximadamente 200 mil pessoas ao longo dos oito dias.
O que muda nesta edição
A área útil do parque foi ampliada de 3.400 para mais de 14 mil metros quadrados. A programação inclui leilões de gado, concursos leiteiros, salão do queijo e do mel, rodadas de negócios, apresentações culturais e parque de diversões. Entre as novidades estão dois espaços temáticos — a Cidade da Agroindústria e a Cidade Veterinária —, quatro auditórios para palestras técnicas (com capacidade para 300, 100, 50 e 50 pessoas), uma sala sensorial para crianças autistas, dentro do projeto Tea Acolhe, e encontros do programa Mulheres do Agro. Segundo o secretário de Desenvolvimento Agropecuário e da Pesca, Júnior Nóbrega, a aposta da edição é em tecnologia e em ambiente de negócios; o coordenador do parque, Gilson Filho, destacou reformas de estrutura, iluminação e banheiros.
O circuito estadual em números
A etapa da capital é a maior de um calendário estadual amplo. O Circuito Paraíba Agronegócio 2026 reúne cerca de 70 exposições distribuídas por todas as regiões do estado, de 26 de março a 12 de dezembro. O governo estadual projeta um público total de 1,5 milhão de pessoas e uma movimentação de R$ 600 milhões em negócios ao longo do ano — números superiores aos de 2025, quando o circuito registrou 1,2 milhão de visitantes e cerca de R$ 400 milhões. A organização é do Governo da Paraíba, por meio da Secretaria de Desenvolvimento Agropecuário e da Pesca (Sedap-PB), em parceria com prefeituras, sindicatos rurais e o Sistema Famepe/Senar-PB.
Por que uma feira vira política econômica
Exposições agropecuárias funcionam como ponto de encontro anual de uma cadeia que, no resto do ano, está dispersa pelo interior. É nelas que o produtor fecha compra de genética animal, máquinas, implementos e insumos; que cooperativas e laticínios captam fornecedores; que bancos e o crédito rural (Pronaf, FNE) apresentam linhas; e que a assistência técnica chega a quem não a procura sozinho. Os leilões movimentam dinheiro de forma concentrada e servem de termômetro de preço para a pecuária da região. Para o comércio e os serviços de João Pessoa, a semana de feira significa hotéis, restaurantes, transporte e fornecedores de estrutura contratados.
O agro que a feira representa
A Paraíba tem um agronegócio de escala menor que o dos estados do Centro-Oeste, mas diversificado e socialmente relevante: bovinocultura de leite na Bacia Leiteira do Curimataú e Agreste (Guarabira, Alagoinha, Esperança), caprino e ovinocultura no Cariri e no Sertão, avicultura e suinocultura no Litoral e Brejo, fruticultura irrigada (abacaxi em Itapororoca e Santa Rita, que colocam a Paraíba entre os maiores produtores do país) e a cana-de-açúcar na Zona da Mata litorânea. Boa parte dessa produção vem da agricultura familiar, o que dá às feiras um papel de política de renda no interior, além do econômico.
O momento do setor
O circuito de 2026 acontece num ano de sinais mistos para o agro nordestino. Na cana, a safra 2025/2026 foi difícil: a produção de açúcar da Paraíba caiu cerca de 24%, segundo o Sindalcool-PB, com as usinas migrando para o etanol diante da queda de preço do açúcar e de um ciclo climático irregular. Já a pecuária de leite e a caprinocultura vêm sendo impulsionadas por programas de compra institucional e pela demanda por derivados com identidade regional, como o queijo de coalho e a manteiga de garrafa. A aposta do governo estadual em ampliar público e negócios do circuito parte da leitura de que há espaço para agregar valor e formalizar parte dessa produção.
Relação com Pernambuco
O calendário de feiras da Paraíba se encaixa num movimento regional. Poucos dias antes da etapa João Pessoa, Pernambuco realizou a Agrinordeste, em Olinda (3 a 6 de setembro), e mantém a Expo Bezerro e as festas do interior. Produtores do Agreste pernambucano e da divisa cruzam para expor e comprar dos dois lados — a Bacia Leiteira é praticamente contínua entre os dois estados —, o que torna o circuito paraibano também uma vitrine para o comprador de Pernambuco.
Perspectivas
O balanço real — público efetivo, volume de leilões e de vendas nos estandes — só sai depois do encerramento, em 20 de setembro, e depois do fim do circuito, em dezembro. Se as metas se confirmarem, 2026 será o maior ano da série para o evento. O teste de fundo é se esse movimento de feira se converte em contratos, assistência técnica continuada e novos canais de venda para o pequeno produtor, ou se fica concentrado nos dias do evento.
Fontes: Governo da Paraíba / Sedap-PB, Paraíba Online e Paraíba Total, “Circuito Paraíba Agronegócios 2026 promove 70 exposições e estimativa de público de 1,5 milhão de pessoas” (03/2026)

