O mercado imobiliário da Grande João Pessoa manteve, no primeiro semestre de 2026, um ritmo de vendas equivalente a 14 imóveis negociados por dia. O dado é do Índice CRECI 360º, levantamento mensal do Conselho Regional de Corretores de Imóveis da Paraíba (CRECI-PB), que acompanha o mercado primário — unidades novas vendidas pelas incorporadoras — em João Pessoa e Cabedelo.
Os números do período
Entre junho de 2025 e maio de 2026, os dois municípios comercializaram 5.417 imóveis. Só nos cinco primeiros meses de 2026 foram 2.164 unidades vendidas, com média mensal de 432,8 imóveis e Valor Global de Vendas (VGV) de R$ 1,61 bilhão no acumulado.
O levantamento monitora 170 construtoras, 377 empreendimentos e 7.613 unidades imobiliárias na região. A velocidade de vendas (VSO, o percentual do estoque disponível que é vendido a cada mês) ficou em 6,05% ao mês na média dos 12 meses — 6,29% em João Pessoa e 5,3% em Cabedelo. O recorte por estágio da obra mostra um comportamento conhecido do setor: em maio, os imóveis prontos giraram a 7,97% ao mês, enquanto os que ainda estão em construção venderam a 3,01%. Em Cabedelo, a VSO de imóveis prontos chegou a 9,71%.
Apesar disso, a maior parte das vendas ainda acontece na planta ou com obra em andamento: 77,1% dos negócios da região foram de imóveis em construção, proporção que sobe para 80,46% em João Pessoa. É o padrão de um mercado que lança bastante e vende antecipadamente.
Estoque em queda
Um dos pontos de destaque do relatório é o recuo do estoque de imóveis prontos: de 866 unidades para 797 em maio, queda de cerca de 8% em um único mês. Estoque de prontos em baixa costuma indicar que a absorção está superando a entrega de novos empreendimentos concluídos naquele intervalo — o que sustenta preço, mas também pode sinalizar aperto de oferta imediata para quem quer comprar um imóvel para morar já. O quadro convive com um volume grande de unidades em construção (as 7.613 monitoradas), que são a oferta futura da região.
Cabedelo ganha espaço
A divisão do mercado entre as duas cidades mudou. A participação de Cabedelo nas vendas da região subiu para 24,1% em 2026, ante 20,1% em 2025. O município vizinho à capital vem concentrando lançamentos voltados tanto a moradia quanto a investimento — parte da demanda ligada a locação por temporada e segunda residência no litoral.
O primeiro trimestre e a base de comparação
Nem todos os indicadores vieram positivos. No primeiro trimestre de 2026, a Grande João Pessoa registrou 1.308 imóveis vendidos (474 em janeiro, 357 em fevereiro e 477 em março), uma queda de 13,8% em relação ao mesmo período de 2025, quando foram 1.517 unidades. Ou seja: o mercado segue ativo e com giro alto, mas partiu de um patamar mais baixo do que o do ano anterior no arranque de 2026, com recuperação ao longo dos meses seguintes.
“O mercado imobiliário permanece ativo e com grande potencial de crescimento”, afirmou o presidente do CRECI-PB, Rômulo Soares, em nota divulgada com os dados. Em João Pessoa, a distribuição das vendas se espalha por 21 bairros, com concentração em regiões como Altiplano Cabo Branco, Bessa, Bancários, Cidade dos Colibris e Mangabeira — o Altiplano, sozinho, responde por mais de 20% das vendas da capital, segundo o mesmo índice.
Um ponto de atenção
Um alerta que corre por fora do relatório do CRECI-PB, mas dialoga com ele: levantamentos nacionais apontaram alta expressiva de distratos (cancelamentos de compra) no primeiro trimestre de 2026, com destaque para praças aquecidas — João Pessoa entre elas. Distrato em volume alto pode indicar que parte das vendas registradas na planta não se converte em negócio fechado, e é um número que vale acompanhar nas próximas edições do índice. Trata-se de um risco a monitorar, não de um problema já confirmado no mercado local.
Consequências para empresas e consumidores
Para as incorporadoras e a cadeia da construção (fornecedores de material, prestadores de serviço, corretores), o cenário de giro alto e estoque de prontos baixo tende a manter o ritmo de novos lançamentos. Para o consumidor, significa oferta abundante na planta, mas escassez relativa de imóvel pronto para morar de imediato, e preços firmes. Para quem compra como investimento, a força do mercado de locação por temporada em João Pessoa e Cabedelo é o que sustenta a tese — mas rentabilidade de aluguel de temporada depende de ocupação, que é sazonal.
Relação com a Paraíba e com Pernambuco
A construção civil é um dos motores da economia paraibana no momento, e o desempenho do mercado imobiliário da Grande João Pessoa se conecta a isso: obras em andamento significam emprego, arrecadação municipal (ITBI, ISS) e demanda por insumos produzidos no estado e na região, como cimento, cerâmica e esquadrias. O padrão de João Pessoa — capital litorânea que atrai comprador de fora pelo custo de vida e pela qualidade de vida — tem paralelo direto com o de Recife e com o litoral sul de Pernambuco, mercados que disputam o mesmo perfil de comprador nacional.
Perspectivas
Especialistas ouvidos pela imprensa local projetam um segundo semestre de 2026 mais aquecido que o primeiro, com retomada da oferta. Os indicadores a acompanhar são a evolução do estoque de prontos, o comportamento dos distratos e a manutenção da VSO acima de 6% ao mês — combinação que diria se o mercado está apenas girando rápido ou de fato crescendo em base sólida.
Fontes: CRECI-PB.

