Psiquiatra e escritor do Avante alcança 11% na BTG/Nexus e 7,8% na AtlasIntel/Bloomberg, passando a ocupar o centro do debate sobre uma alternativa à polarização política no Brasil
A corrida pela Presidência da República em 2026 ganhou um personagem que, até poucos dias atrás, aparecia distante dos principais nomes da disputa. O psiquiatra e escritor Augusto Cury, candidato do Avante, registrou crescimento expressivo nas pesquisas mais recentes e passou a ser apontado como uma das grandes surpresas da eleição.
Na pesquisa BTG/Nexus, divulgada neste domingo (31), Cury alcançou 11% das intenções de voto, após registrar 2% no levantamento anterior — um salto de nove pontos percentuais em apenas uma semana. No cenário apresentado pela pesquisa, Lula aparece com 37% e Flávio Bolsonaro com 31%, enquanto o escritor ocupa a terceira colocação.
O avanço também foi registrado pela AtlasIntel/Bloomberg, onde Augusto Cury aparece com 7,8%, tecnicamente próximo de Renan Santos, que marcou 7,6%. No mesmo levantamento, Lula lidera com 43,4%, seguido por Flávio Bolsonaro, com 33,7%.
Fenômeno nas pesquisas e nas redes sociais
O crescimento eleitoral de Cury veio acompanhado de uma forte movimentação digital. Monitoramentos divulgados nos últimos dias apontaram aumento expressivo nas buscas pelo nome do candidato e no número de seguidores em suas redes sociais após sua maior exposição durante debates e entrevistas da campanha presidencial.
Dados divulgados pela CNN Brasil indicaram que as buscas pelo nome de Augusto Cury no Google cresceram fortemente após o debate presidencial, enquanto suas redes sociais também registraram uma expansão acelerada de seguidores.
A velocidade dessa ascensão chamou atenção do mercado político. Em uma eleição marcada, mais uma vez, pela força dos grupos ligados a Lula e ao bolsonarismo, Cury conseguiu algo que vários políticos tradicionais tentaram — e não conseguiram: entrar rapidamente na conversa nacional.
Quem é Augusto Cury?
Conhecido nacionalmente por sua trajetória como psiquiatra e autor de livros sobre inteligência emocional, comportamento humano e saúde mental, Augusto Cury chega à política eleitoral carregando uma enorme vantagem de conhecimento público.
O Avante oficializou sua candidatura à Presidência da República no início de agosto. Durante a convenção partidária, Cury defendeu mudanças no sistema político brasileiro e apresentou, entre suas propostas, a discussão sobre um modelo de semipresidencialismo.
A experiência eleitoral, no entanto, é uma novidade em sua trajetória. Essa é justamente uma das principais dúvidas levantadas pelos adversários: o sucesso como escritor e comunicador será suficiente para construir uma candidatura presidencial sólida?
O crescimento muda o jogo?
Ainda é cedo para decretar uma ruptura definitiva na polarização brasileira. Pesquisas diferentes utilizam metodologias diferentes e os próximos levantamentos serão fundamentais para saber se o crescimento de Augusto Cury representa uma tendência consolidada ou um efeito momentâneo provocado pela intensa exposição recente.
Mas há um fato político impossível de ignorar: Cury saiu do pelotão intermediário e entrou no radar dos dois principais campos da disputa.
A campanha de Lula e aliados de Flávio Bolsonaro já acompanham o fenômeno com atenção. O crescimento do candidato do Avante pode embaralhar principalmente a disputa pelos eleitores que não se identificam integralmente com nenhum dos dois polos tradicionais.
Uma nova terceira via?
A grande questão agora é saber se Augusto Cury conseguirá transformar popularidade, exposição digital e reconhecimento nacional em uma estrutura política capaz de sustentar uma campanha até outubro.
O eleitor brasileiro conhece o escritor. Agora começa a descobrir o candidato.
E, numa eleição em que a polarização parecia novamente ter reservado todos os espaços do palco para os mesmos protagonistas, Augusto Cury conseguiu abrir uma porta — e entrou fazendo barulho.
A eleição de 2026 ainda tem muito chão pela frente. Mas uma coisa já parece clara: Augusto Cury deixou de ser apenas um nome alternativo e passou a ser um personagem que os adversários terão de observar com muito mais atenção.

