A safra de grãos 2025/26 no Nordeste fechou em 34,05 milhões de toneladas, um crescimento de 8,4% sobre o ciclo anterior — desempenho bem acima da média nacional, que avançou 2,6% e chegou a 361,7 milhões de toneladas em todo o Brasil. O resultado regional, no entanto, esconde uma fotografia bastante desigual entre os nove estados nordestinos, com Paraíba e Pernambuco entre os que menos avançaram.
Paraíba e Pernambuco crescem, mas com área plantada menor
A Paraíba produziu 87,8 mil toneladas de grãos na safra, alta de apenas 0,9% em relação ao ciclo anterior — e essa pequena alta veio mesmo com uma retração de 14,7% na área cultivada no estado, que tem no feijão e no amendoim suas principais culturas de grãos ao lado do milho. Pernambuco, por sua vez, colheu 353,5 mil toneladas, avanço de 0,7%, também com ganhos discretos de produtividade compensando uma área plantada reduzida. No estado, milho e feijão são as culturas mais relevantes, com destaque para a região do Agreste pernambucano, que registrou produtividade satisfatória mesmo diante de chuvas irregulares ao longo do ciclo.
Os dois lados do Nordeste: quem cresceu e quem perdeu
Enquanto Paraíba e Pernambuco cresceram pouco, outros estados da região dispararam: o Ceará teve alta de 146,9% na produção de grãos, e o Rio Grande do Norte avançou 60,4%, ambos beneficiados por distribuição mais favorável de chuvas e maior disponibilidade de irrigação. Do lado oposto, Alagoas viu sua produção despencar 40%, de 212,2 mil para 127,4 mil toneladas, e Sergipe recuou 34,1%, saindo de 1,31 milhão para 864,8 mil toneladas — quedas atribuídas principalmente à quebra da terceira safra de milho, mais exposta à irregularidade das chuvas na região. Bahia segue como o maior produtor de grãos do Nordeste, com 15,14 milhões de toneladas (+8%), seguida pelo Piauí, que colheu 7,51 milhões de toneladas, com salto de 20% puxado por ganhos expressivos de produtividade.
O que explica o crescimento regional
No cômputo geral do Nordeste, a expansão da safra de grãos veio de uma combinação de fatores: aumento de 2% na área cultivada na região como um todo, ganho médio de produtividade de 6,3%, e condições climáticas favoráveis nos estados que lideraram o crescimento. Ou seja, o resultado positivo regional foi puxado por poucos estados com desempenho muito acima da média — Ceará, Rio Grande do Norte, Piauí e Bahia —, enquanto Paraíba e Pernambuco praticamente mantiveram a produção estável e Alagoas e Sergipe puxaram o resultado para baixo.
Consequências para empresas e consumidores
Para produtores rurais e cooperativas da Paraíba e de Pernambuco, o cenário de área plantada em retração é um sinal de alerta: mesmo com ganhos pontuais de produtividade, a redução do espaço cultivado limita o potencial de crescimento da produção nos próximos ciclos, a menos que haja investimento em irrigação e manejo — como já ocorre nos estados que mais cresceram. Para o consumidor e para a indústria de alimentos que depende de milho e feijão como insumo, a estabilidade da produção nos dois estados, combinada ao crescimento forte em outras partes do Nordeste, tende a manter a oferta regional de grãos relativamente equilibrada, sem grandes sobressaltos de preço atribuíveis especificamente a Paraíba ou Pernambuco.
Relação com o Brasil
O desempenho do Nordeste — crescimento de 8,4%, mais que o triplo da média nacional de 2,6% — reforça o papel cada vez maior da região na safra brasileira de grãos, historicamente concentrada no Centro-Oeste e no Sul. Ainda assim, a produção nordestina segue distante, em volume absoluto, das grandes safras de soja e milho do Centro-Oeste; o crescimento regional tem mais peso simbólico e de segurança alimentar local do que de disputa por participação no total nacional exportável.
Relação com Pernambuco e Paraíba, em detalhe
Vale reforçar que os números de Paraíba (87,8 mil toneladas) e Pernambuco (353,5 mil toneladas) são pequenos frente aos 15,14 milhões de toneladas da Bahia — os dois estados têm papel mais relevante na produção de outras culturas, como cana-de-açúcar (cujas usinas paraibanas iniciaram com cautela a safra 2026/2027, sem projeção de crescimento significativo) e frutas como acerola e goiaba, nas quais o Nordeste é um dos principais polos produtores do país. Isso é uma inferência editorial a partir do conjunto de dados disponíveis, não uma comparação direta feita pela fonte original: os grãos, no caso paraibano e pernambucano, funcionam mais como cultura complementar e de segurança alimentar regional do que como principal motor do agronegócio dos dois estados.
Perspectivas
Para o próximo ciclo, o desafio de Paraíba e Pernambuco será reverter a tendência de redução da área plantada de grãos — hoje compensada apenas parcialmente por ganhos de produtividade. Estados vizinhos como Ceará e Rio Grande do Norte mostram que investimento em irrigação pode transformar rapidamente o resultado da safra, mesmo em anos de chuva irregular; a se confirmar esse caminho, produtores paraibanos e pernambucanos têm um modelo relativamente próximo a observar antes do próximo plantio.
Fontes
Movimento Econômico, 15 de setembro de 2026 — Nordeste fecha safra de grãos 8,4% maior, mesmo com perdas em Alagoas e Sergipe.
Movimento Econômico, 4 de agosto de 2026 — Usinas da Paraíba iniciam safra de cana-de-açúcar sob pressão de preços e custos.

