O mercado imobiliário do interior da Paraíba vem se consolidando como um dos motores do desenvolvimento regional, com destaque para Campina Grande, que superou João Pessoa em rankings nacionais de mercado imobiliário e desenvolvimento urbano, segundo dados da consultoria Urban Systems divulgados em reportagem publicada em 17 de setembro de 2026.
Campina Grande na frente da capital
No ranking nacional de mercado imobiliário da Urban Systems, Campina Grande ocupa a 51ª posição (nota 2.295), contra a 95ª posição (nota 2.180) de João Pessoa. A cidade também aparece à frente da capital no ranking geral de desenvolvimento (47º lugar) e no setor de serviços (64º lugar). Em valores, o metro quadrado médio em Campina Grande está em R$ 4.475, sendo R$ 4.697/m² para apartamentos, R$ 4.016/m² para casas e R$ 965/m² para terrenos, segundo dados da plataforma Guru Imóveis.
O motor por trás do crescimento: universidades
Segundo o corretor Pablo Franco, com 11 anos de atuação na cidade, um dos principais fatores da valorização é a migração estudantil: “Muitas famílias do Sertão estão enviando filhos para faculdades de Campina Grande”. Os bairros Bodocongó e Itararé foram identificados como os principais focos de expansão ligada a essa demanda estudantil, num movimento que também impulsiona a verticalização da cidade — com o bairro Portal Sudoeste entre as novas frentes de expansão.
Patos e Sousa: dinâmicas distintas do interior
Enquanto Campina Grande verticaliza, cidades menores do Sertão paraibano seguem outro padrão. Em Patos — cidade com idade mediana populacional de 34 anos —, o metro quadrado de venda está em R$ 3.200, chegando a R$ 3.800/m² no Centro e R$ 3.500/m² no Jardim Guanabara, com o bairro Jatobá, em expansão, na faixa de R$ 2.600/m²; o aluguel médio gira em torno de R$ 15,00/m². Já em Sousa, onde a renda média formal é de R$ 2.300 e 70,1% da população está nas classes D e E, o mercado é dominado por casas e terrenos entre R$ 30 mil e R$ 150 mil, com aluguéis residenciais entre R$ 500 e R$ 1.500 mensais — valores que refletem tanto o poder de compra local quanto o crescimento de pequenas empresas exportadoras identificado na cidade.
O corretor como elo entre oferta e demanda
Para Lamartine Alves Pereira, presidente do Sinduscon-PB, a figura do corretor de imóveis é central para conectar esses mercados tão diferentes entre si: “Ele, mais do que ninguém, conhece o mercado local, entende as necessidades”. Pereira destacou que o profissional funciona como elo entre o “setor produtivo e o cliente final”, reforçando a importância de respeitar as particularidades de cada região do estado — uma vez que loteamentos e casas térreas dominam a oferta em Patos e Sousa, enquanto a verticalização segue como tendência forte em Campina Grande.
Contexto regional: Nordeste em expansão
O desempenho do interior paraibano acompanha um cenário mais amplo de aquecimento do mercado imobiliário no Nordeste, que registrou alta de 24,6% nos lançamentos residenciais e de 13,6% nas vendas no segundo trimestre de 2026 ante o mesmo período de 2025, com o programa Minha Casa, Minha Vida respondendo por 60% dos lançamentos da região. O volume de investimento em construção no Nordeste também saltou de R$ 12,8 bilhões para R$ 26,5 bilhões, alta de 107%.
Relação com o Brasil
O caso de Campina Grande ilustra um fenômeno observado em outras cidades médias do interior do país: municípios-polo universitários e regionais crescendo, em alguns indicadores, mais rápido que capitais estaduais — muitas vezes puxados por setores específicos, como o imobiliário ligado à demanda estudantil.
Relação com a Paraíba e Pernambuco
Para o Sindicato da Indústria da Construção Civil da Paraíba (Sinduscon-PB), a consolidação de Campina Grande como polo imobiliário reforça a tese de interiorização do desenvolvimento no estado. Em Pernambuco, embora o levantamento não traga dados equivalentes para cidades do interior, o mesmo ciclo de aquecimento do setor de construção civil no Nordeste sugere espaço para dinâmicas semelhantes em polos como Caruaru e Petrolina, hoje já beneficiados pelo crescimento do setor de serviços e da indústria regional.
Perspectivas
Se a demanda estudantil e a verticalização em Campina Grande seguirem no ritmo atual, a tendência é que a cidade amplie ainda mais a distância em relação a João Pessoa nos rankings nacionais de mercado imobiliário — o que reforça o interior da Paraíba como uma frente de investimento a ser observada por incorporadoras e investidores nos próximos anos.
Fontes: WSCOM, “Mercado imobiliário se consolida como motor do desenvolvimento no interior da Paraíba e corretores de imóveis atuam como elo entre oferta e demanda”, por Anna Barros, 17/09/2026; Urban Systems (ranking nacional); Guru Imóveis; Rentola; IBGE; Movimento Econômico, “Mercado imobiliário do Nordeste avança 24,6% com força do Minha Casa, Minha Vida”, 25/08/2026.

