O consumidor de supermercado em Pernambuco e na Paraíba teve um raro mês de alívio no bolso em agosto de 2026. Segundo a Pesquisa Nacional da Cesta Básica de Alimentos, divulgada pelo Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese) em parceria com a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), o custo da cesta básica caiu em 25 das 27 capitais na comparação de agosto com julho — só Maceió (+1,43%) e São Luís (+0,78%) tiveram alta no mês.
Os números em João Pessoa e Recife
Em João Pessoa, a cesta básica custou R$ 641,13 em agosto, uma queda de 0,45% em relação a julho. Segundo o detalhamento por produto, sete itens ficaram mais caros no mês — leite integral (+7,08%), arroz agulhinha (+3,86%), açúcar cristal (+1,82%), café em pó (+1,55%), carne bovina de primeira (+0,57%), óleo de soja (+0,22%) e farinha de mandioca (+0,14%) — mas foram compensados pela queda em outros cinco: tomate (-3,98%), pão francês (-2,87%), banana (-2,26%), manteiga (-2,09%) e feijão carioca (-1,52%). Na comparação com agosto de 2025, o maior salto de preço em 12 meses na capital paraibana foi o do feijão carioca, com alta de 44,21%, seguido do leite integral (+13,55%) e da carne bovina (+8,32%) — enquanto açúcar (-17,44%), tomate (-16,75%) e café (-14,11%) ficaram mais baratos no acumulado anual.
Em Recife, a queda mensal foi ainda mais expressiva: -2,62% na passagem de julho para agosto, puxada por itens como batata, tomate e café em pó — os mesmos produtos que explicam o recuo generalizado na maioria das capitais do país, segundo o Dieese.
O contraste com o primeiro semestre
A trégua de agosto chega depois de um primeiro semestre difícil para o bolso do nordestino. O indicador AbrasMercado, que acompanha os preços de 35 produtos de largo consumo em supermercados, acumulou alta de 8,06% entre janeiro e junho no Nordeste — acima da média nacional, de 6,52% no período —, fazendo da região a que mais sentiu a pressão inflacionária nos carrinhos de compra do país. Ainda assim, o Nordeste seguiu com a cesta de menor custo médio do Brasil, em torno de R$ 773,03 em junho, atrás inclusive da capital mais barata do levantamento nacional em agosto, Aracaju (R$ 570,98) — contra o topo do ranking, São Paulo, com R$ 900,59.
Apesar da pressão de preços no primeiro semestre, o setor supermercadista brasileiro seguiu vendendo mais: a Associação Brasileira de Supermercados (Abras) registrou crescimento acumulado de 2,49% nas vendas do setor no primeiro semestre de 2026, sustentado por fatores como taxa de desemprego em 5,4%, aumento de 2,8% no rendimento real habitual do trabalhador e a injeção de renda via antecipação do 13º salário do INSS, restituições do Imposto de Renda e pagamentos do Bolsa Família.
O que isso significa para o varejo supermercadista da região
Para o supermercadista de bairro, o atacarejo e as redes regionais que operam em Pernambuco e na Paraíba, a combinação de preços em queda com volume de vendas em alta é o cenário mais favorável possível: o consumidor gasta menos por item, mas mantém — ou aumenta — a frequência e o volume de compra, o que preserva o giro de caixa das lojas sem precisar recorrer a promoções agressivas para atrair cliente. É um contraponto ao início do ano, quando a alta de preços do Nordeste, acima da média nacional, pressionava o supermercadista a absorver parte do repasse de custos para não perder cliente para o concorrente.
O detalhe por produto também importa para o planejamento de compras dos lojistas: itens como arroz, leite e açúcar seguem em trajetória de alta mesmo com a cesta geral em queda, o que exige atenção a contratos com fornecedores desses itens de alto giro, enquanto hortifrúti (tomate, banana) e pães devem continuar puxando promoções de entrada nas lojas da região nos próximos meses, aproveitando a safra e a queda de custo desses insumos.
Perspectivas
Com o Ranking Abras 2026 mostrando o varejo alimentar brasileiro faturando R$ 1,14 trilhão em 2025 — alta de 3,68% em termos reais — e redes como Carrefour, Assaí e Grupo Mateus na liderança nacional, o desempenho de agosto reforça a leitura de um setor que segue resiliente mesmo em ambiente de juros altos. Para o consumidor e o lojista de Pernambuco e da Paraíba, o ponto de atenção agora é saber se a queda de agosto é o início de uma tendência de acomodação de preços às vésperas da Black Friday e do fim de ano, ou apenas um respiro pontual num ano que, até junho, tinha o Nordeste como a região mais pressionada pela inflação de supermercado do país.
Fontes
- Agência Brasil — Cesta básica ficou mais barata em 25 capitais brasileiras em agosto (09/2026)
- DIEESE — Pesquisa Nacional da Cesta Básica de Alimentos, resultados de agosto de 2026 (dieese.org.br)

