A Paraíba vem batendo recordes de abertura de empresas em 2026. Segundo dados do Ministério do Empreendedorismo, da Microempresa e da Empresa de Pequeno Porte, o estado registrou 32.859 novos negócios entre janeiro e maio de 2026, crescimento de 10,7% em relação ao mesmo período de 2025. No recorte do primeiro trimestre, o avanço apurado pela Junta Comercial do Estado da Paraíba (Jucep) foi ainda maior: 30,9%, com 19.782 empresas constituídas contra 15.111 um ano antes.
Quem está abrindo negócio
O perfil das aberturas ajuda a entender o número. Cerca de 95% dos novos registros são microempresas, e boa parte da expansão vem de microempreendedores individuais (MEI). O empreendedorismo paraibano é predominantemente jovem — em torno de 56% dos que abriram negócio têm até 35 anos — e ainda majoritariamente masculino, com participação de aproximadamente 62% de homens e 38% de mulheres.
Os setores que mais concentram aberturas são comércio de roupas e acessórios, minimercados e mercearias de bairro, e serviços de beleza — atividades de baixo custo de entrada, que costumam absorver quem sai do desemprego ou complementa a renda.
Concentração em João Pessoa e Campina Grande
A geografia do empreendedorismo no estado é concentrada. Só João Pessoa respondeu por 13.614 registros no acumulado até maio, cerca de 41% do total estadual, com crescimento de quase 40% sobre 2025. Campina Grande aparece em segundo, com 4.977 novos negócios (por volta de 15% do total) e alta superior a 40%. As duas cidades juntas concentram mais da metade de tudo o que foi aberto na Paraíba no período.
O restante se distribui pelo interior, com destaque para cidades polo do agreste, do sertão e do litoral, onde a formalização de MEI tem avançado puxada por serviços, pequeno comércio e atividades ligadas a turismo e alimentação.
Crédito acompanha o movimento
O aumento das aberturas veio acompanhado de mais crédito. A carteira destinada a MEIs, microempresas e pequenos empreendedores na Paraíba alcançou R$ 396,8 milhões em abril de 2026, considerando os dados de uma das principais instituições cooperativas que atuam no estado — uma alta de 51,1% em relação a 2024. Programas estaduais de microcrédito também seguem ativos: em 2025, a linha do governo da Paraíba atendeu mais de 4 mil proponentes, com cerca de R$ 38 milhões concedidos e presença em mais de 200 municípios.
O que explica o número — e o que ele não diz
Parte do crescimento é real: ambiente de juros ainda alto, mas com consumo aquecido no Nordeste, mais formalização e desburocratização do registro empresarial. Outra parte é estatística: a facilidade de abrir MEI pela internet infla o número de CNPJs, sem que isso signifique, necessariamente, empresa em operação plena ou geração de emprego formal.
O saldo líquido ajuda a calibrar a leitura. No acumulado até maio, a Paraíba teve 32.859 aberturas e 19.055 fechamentos, com saldo positivo de 13.804 empresas e um estoque total de cerca de 322 mil negócios ativos. Ou seja: para cada três empresas abertas, praticamente duas fecharam no mesmo período — um lembrete de que a taxa de mortalidade dos pequenos negócios continua alta.
Consequências para empresas e consumidores
Para quem já tem negócio, o cenário é de mais concorrência na base — especialmente no varejo de vestuário, na alimentação e nos serviços pessoais. Para o consumidor, tende a significar mais oferta e mais informalidade competindo com o comércio estabelecido. Para o poder público, o desafio é transformar abertura de CNPJ em empresa que sobrevive: acesso a crédito de capital de giro, apoio à gestão e qualificação são os gargalos citados de forma recorrente por Sebrae e entidades do setor.
Relação com o Brasil
O Brasil abriu 3,6 milhões de pequenos negócios nos sete primeiros meses de 2026, alta de quase 14% sobre o ano anterior, com os MEIs, microempresas e EPPs respondendo por 96,7% dos novos CNPJs. A Paraíba acompanha essa tendência nacional, com crescimento um pouco abaixo da média do país, mas com forte expansão de crédito — o que sugere um ecossistema local que está não só formalizando, mas começando a financiar o pequeno empreendedor.
Relação com a Paraíba e Pernambuco
Na Paraíba, a concentração em João Pessoa e Campina Grande reforça o papel das duas cidades como centros de serviços do estado. Em Pernambuco, o movimento é semelhante, puxado pela Região Metropolitana do Recife e por polos como Caruaru e Petrolina. Para os dois estados, a agenda que se impõe é a mesma: menos foco na comemoração do número de aberturas e mais atenção à sobrevivência das empresas nos primeiros cinco anos.
Perspectivas
A expectativa é de que o ritmo de aberturas continue elevado em 2026, sustentado pela formalização de MEI e pelo consumo regional. O teste será o segundo semestre: com juros ainda altos e eventual desaceleração da economia, a pergunta é se o saldo líquido — hoje positivo — se mantém quando as empresas abertas na pandemia e no pós-pandemia chegarem à idade em que a mortalidade costuma bater mais forte.
Fontes: Empreender PB (balanço de 2025).

