Quem faz compras em atacarejo em Pernambuco, na Paraíba ou em Alagoas já percebeu a mudança: dezenas de lojas que se chamavam Mix Mateus agora ostentam a marca Novo Atacarejo. A troca de fachadas, iniciada em 19 de junho de 2026 e concluída ao longo das semanas seguintes sem interrupção das operações, é a parte mais visível de uma reorganização de bandeiras do Grupo Mateus na região.
O que mudou
Ao todo, 28 lojas do Grupo Mateus nos três estados passaram a operar como Novo Atacarejo: 14 em Pernambuco, 9 na Paraíba e 5 em Alagoas. Outras duas unidades — uma no bairro do Altiplano, em João Pessoa (PB), e outra em Casa Forte, no Recife (PE) — adotaram a bandeira Novo Mercatto, voltada ao formato de supermercado de vizinhança. Para o consumidor, a operação continua praticamente a mesma: mesmo endereço, mesma proposta de preço baixo por volume, sortimento parecido. O que muda é o nome na porta e o alinhamento da marca.
Com as conversões, o Novo Atacarejo deu um salto de tamanho: passou de 40 lojas, concentradas em cerca de 30 cidades de Pernambuco e da Paraíba, para 67 lojas em três estados — 51 em Pernambuco, 11 na Paraíba e 5 em Alagoas —, distribuídas por 43 municípios, com mais de 15 mil funcionários e um centro de distribuição em Moreno (PE), na Região Metropolitana do Recife.
De onde vem essa fusão de marcas
O Novo Atacarejo é uma rede de origem pernambucana. Em 2025, o Grupo Mateus — terceira maior varejista de alimentos do Brasil, com sede no Maranhão — firmou uma parceria societária com a rede, formando o chamado Grupo Novo Mateus. A troca de bandeiras de 2026 é o desdobramento operacional desse acordo: em vez de manter duas marcas de atacarejo concorrendo entre si nas mesmas praças de Pernambuco e da Paraíba, o grupo optou por concentrar tudo sob o nome Novo Atacarejo nesses estados, reservando a marca Mix Mateus para outras regiões do Norte e Nordeste.
Expansão continua em 2026
Além das conversões, a bandeira seguiu abrindo lojas novas ao longo do ano. Em 9 de abril de 2026, inaugurou uma unidade no bairro do Curado, no Recife, às margens da BR-232, com 4.599 m² de área de vendas climatizada, 24 pontos de caixa, cerca de 9.000 itens e 300 empregos gerados. Segundo o CEO da rede, Daniel Costa, a loja foi planejada “numa rota estratégica que atende quem vem do interior à capital para se abastecer” — uma descrição que resume o público-alvo do formato: o pequeno comerciante e o dono de bar, padaria ou mercadinho do interior, que compra em volume para revender. Outras aberturas de 2026 aconteceram em Jaboatão dos Guararapes e Igarassu, ambas na Região Metropolitana do Recife.
O pano de fundo: demanda pressionada no Nordeste
A reorganização acontece num momento em que o Grupo Mateus enfrenta um ambiente de consumo mais difícil. No segundo trimestre de 2026, a receita líquida consolidada cresceu 12,2% na comparação anual, para R$ 9,85 bilhões, e o lucro bruto avançou 10,4%, para R$ 2,31 bilhões. Mas o lucro líquido ajustado caiu 39,3% e as vendas em lojas iguais (abertas há mais de um ano) recuaram 8%, pressionadas pela deflação de alimentos, pelo endividamento das famílias e pela mudança no perfil de consumo. O Bradesco BBI classificou o trimestre como fraco e apontou que a demanda seguiu pressionada no Nordeste. O grupo encerrou o semestre com mais de 300 lojas em operação no país e sinalizou foco em eficiência e rentabilidade — o que inclui fechar unidades deficitárias em outros estados (fora de Pernambuco e da Paraíba) e concentrar esforços onde a marca é mais forte.
O que isso significa para Paraíba e Pernambuco
Para o consumidor, o efeito imediato é de padronização: a rede que ele já frequentava passa a ter um nome só, com campanhas e política comercial unificadas. Não há mudança de preço decorrente diretamente da troca de bandeira.
Para o pequeno comerciante — que é o cliente central do atacarejo —, a consolidação de uma rede grande e com centro de distribuição próprio na região tende a favorecer disponibilidade de produto e prazo de pagamento, mas também aumenta a dependência de um fornecedor dominante. O mercado de atacarejo em Pernambuco e na Paraíba segue disputado: além do Novo Atacarejo, atuam na região o Assaí, o Atacadão (Carrefour) e redes regionais menores. Para os fornecedores locais — laticínios, panificação, hortifrúti, bebidas —, ganhar espaço nas gôndolas de uma rede de 67 lojas é uma oportunidade de escala; perder esse espaço numa negociação mal conduzida é um risco relevante de faturamento.
Para a economia dos dois estados, a rede é hoje uma das maiores empregadoras privadas do varejo, com mais de 15 mil postos diretos, e a manutenção do ritmo de aberturas — ao contrário do que o grupo faz em outros estados — é sinal de que Pernambuco e Paraíba seguem sendo mercados prioritários.
Fontes
- Movimento Econômico — “Grupo Mateus vai trocar fachadas em Pernambuco para operar como Novo Atacarejo”, 19/06/2026 (início da troca; 14 unidades em PE, 9 na PB, 5 em AL; lojas do Altiplano e de Casa Forte para a bandeira Novo Mercatto).
- SuperVarejo — “Novo Atacarejo amplia rede para 67 lojas no Nordeste com inauguração em Alagoas”, 21/07/2026 (67 lojas: 51 PE, 11 PB, 5 AL; 43 cidades; mais de 15 mil empregados; salto a partir de 40 lojas anteriores).
- Mercado&Consumo — “Grupo Mateus conclui fusão com Novo Atacarejo e fortalece presença no Norte e Nordeste”, 04/07/2025 (formação do Grupo Novo Mateus).
- SuperVarejo / SuperHiper / Samais — inauguração da loja do Curado, no Recife, em 09/04/2026 (4.599 m², 24 checkouts, cerca de 9.000 itens, 300 empregos; declaração do CEO Daniel Costa); aberturas em Jaboatão dos Guararapes e Igarassu.
- Samais / ADVFN / Bradesco BBI — resultados do Grupo Mateus no 2º trimestre de 2026 (receita líquida R$ 9,85 bilhões, +12,2%; lucro bruto R$ 2,31 bilhões, +10,4%; lucro líquido ajustado -39,3%; vendas mesmas lojas -8%; demanda pressionada no Nordeste).
Imagem ilustrativa/conceitual gerada por inteligência artificial (interior de loja de atacarejo) — não é registro fotográfico de uma loja, empresa ou local específico.

