O varejo supermercadista da Paraíba tem porte próprio e um perfil de consumidor que ajuda as redes locais a segurar o avanço das grandes bandeiras nacionais. As dez maiores empresas do setor no estado movimentaram R$ 3,3 bilhões em 2025, de acordo com o ranking da Associação Brasileira de Supermercados (ABRAS), edição de 2026.
Quem lidera
A primeira colocada é a BeMais Supermercados, com faturamento de R$ 860 milhões em 2025. Em seguida aparecem a Farias Supermercados (R$ 601 milhões), a Rede Paraíba de Supermercados (R$ 539 milhões), a Rede Menor Preço (R$ 501 milhões) e o Mercadinho Cestão (R$ 176 milhões). Somadas, essas cinco primeiras já respondem pela maior parte dos R$ 3,3 bilhões do grupo das dez maiores.
A trajetória da BeMais resume o modelo de negócio que prevalece no estado. A empresa foi fundada em 1994 pelos irmãos Raílton e Ronaldo Cardoso da Costa como uma mercearia de bairro em João Pessoa e segue familiar, com os fundadores na administração. Hoje opera 13 lojas, a maioria na capital, e abriu em 2024 sua primeira unidade fora de João Pessoa, em Guarabira. Emprega cerca de 2 mil pessoas de forma direta, tem centro de distribuição próprio e ocupa a 104ª posição no ranking nacional da ABRAS — a 13ª entre as operações do Nordeste.
O consumidor paraibano como vantagem competitiva
A leitura de executivos do setor, reproduzida pela imprensa local, é que o paraibano tende a um perfil de compra mais conservador, com preferência por empresas regionais já consolidadas em vez de bandeiras novas. Esse apego à marca conhecida funciona como uma barreira de entrada informal: mesmo com preço competitivo, o entrante precisa de tempo para ganhar confiança. Redes como a SuperFácil, que chegou ao estado em 2021, e o Grupo Mateus, que se expandiu a partir do Maranhão, disputam esse espaço há alguns anos.
A diferença de escala para os nacionais
O tamanho do varejo paraibano fica em perspectiva quando comparado ao dos grandes grupos. O Carrefour Brasil faturou R$ 58,2 bilhões apenas no primeiro semestre de 2026; o Assaí Atacadista, R$ 21,3 bilhões no segundo trimestre do ano; e o Grupo Mateus fechou 2025 com R$ 43,6 bilhões. São companhias que operam em outra faixa de poder de compra junto à indústria, o que lhes permite preços mais agressivos em determinadas categorias.
Pernambuco: mercado maior e mais concentrado
No estado vizinho, o jogo é diferente. As dez maiores redes de supermercados de Pernambuco movimentaram R$ 16,3 bilhões em 2025, quase cinco vezes o número da Paraíba — e a concentração é altíssima. O Novo Mateus, resultado da associação entre o Novo Atacarejo (maior rede pernambucana) e o Grupo Mateus para atuar em Pernambuco, Paraíba e Alagoas, faturou sozinho R$ 12,5 bilhões e é apresentado como a 9ª maior rede de supermercados do Brasil. A segunda colocada pernambucana, o Supermercado da Família, aparece bem atrás, com R$ 1,3 bilhão.
Essa diferença importa para a Paraíba porque o Novo Mateus atua também em território paraibano. A força de compra e a malha logística montadas em Pernambuco se estendem à Paraíba e elevam a pressão sobre as redes locais, sobretudo na região de João Pessoa e no Litoral, mais próximos da divisa e do Complexo de Suape.
O que muda para empresas e consumidores
Para o consumidor da Paraíba e de Pernambuco, a convivência entre redes regionais fortes e grandes grupos nacionais tende a manter a concorrência de preços viva, especialmente em itens de alto giro como arroz, feijão, café, carnes e produtos de limpeza. Para o pequeno e médio supermercadista, o recado do ranking é que escala e logística própria — centro de distribuição, marca consolidada, relação de longo prazo com o cliente — são hoje condições para sobreviver à disputa, não diferenciais.
Para fornecedores locais — laticínios, panificação, hortifruti, indústria de alimentos do Agreste e do Brejo —, a consolidação do setor concentra o poder de negociação em menos compradores, o que pode espremer margens, mas também abre a possibilidade de contratos de maior volume com as redes que estão crescendo.
Perspectivas
A ABRAS projeta crescimento de 3,6% nas vendas do varejo de alimentos no Brasil em 2026, puxado mais por volume e por datas fortes do segundo semestre do que por aumento de preços. Os pontos de atenção para o setor na região são a evolução da renda e do crédito num ambiente de juros altos, o custo dos alimentos e a velocidade com que as grandes redes abrem novas lojas na Paraíba.
Fontes
- Ranking ABRAS (Associação Brasileira de Supermercados).

