O mercado imobiliário da Paraíba ganhou, pela primeira vez, um indicador próprio e recorrente de velocidade de vendas. O Secovi-PB, em parceria com a BCB Inteligência, divulgou em 25 de agosto de 2026 o primeiro Índice de Velocidade de Vendas (IVV) do estado, reunindo dados de 376 empreendimentos de 194 construtoras em João Pessoa e Campina Grande.
Os números do primeiro levantamento
Entre dezembro de 2025 e julho de 2026, o mercado paraibano movimentou R$ 2,73 bilhões em Valor Geral de Vendas (VGV) e registrou a venda de 6.027 unidades. A oferta disponível encerrou julho em 12.683 imóveis, com um estoque de 12.089 unidades. O IVV geral do período ficou em 1,6%, enquanto a Venda Sobre Oferta (VSO) — outro indicador padrão do setor, que mede o ritmo de vendas em relação ao total ofertado — chegou a 7,5%.
Menos MCMV, mais imóvel de temporada
Um dos achados centrais do levantamento é o peso dos empreendimentos fora do programa Minha Casa, Minha Vida (MCMV): eles concentram 74,3% do VGV total, o equivalente a R$ 2,03 bilhões transacionados no período. O resultado reflete um mercado paraibano com presença relevante de imóveis de temporada e voltados a investimento, sobretudo na faixa litorânea de João Pessoa, em contraste com o padrão observado em boa parte do Nordeste, onde o MCMV tem puxado a maior fatia dos lançamentos e das vendas nos últimos anos.
Por que um índice próprio importa
Até este levantamento, o mercado imobiliário paraibano dependia majoritariamente de pesquisas regionais ou nacionais — como as da Abrainc, que cobrem o Nordeste como bloco — para entender sua própria dinâmica de vendas. Um IVV local, com dados de 376 empreendimentos específicos de João Pessoa e Campina Grande, permite que construtoras, corretores e investidores acompanhem o ritmo real de vendas e a formação de estoque no estado com muito mais precisão do que estimativas regionais agregadas. Segundo o Secovi-PB, essa primeira divulgação abre uma série histórica que vai passar a acompanhar vendas, oferta, estoque, distratos, preços, tipologias e localização dos empreendimentos de forma contínua.
Consequências para empresas e consumidores
Para construtoras e incorporadoras que atuam na Paraíba, o novo índice funciona como uma ferramenta de planejamento: um IVV de 1,6% e uma VSO de 7,5% dão um parâmetro mais preciso de quanto tempo, em média, um empreendimento leva para vender seu estoque — informação crítica para decidir o ritmo de novos lançamentos. Para o consumidor final, a proporção elevada de imóveis fora do MCMV sinaliza um mercado paraibano com oferta relevante em segmentos de médio e alto padrão e de temporada, o que pode significar preços menos acessíveis para quem busca moradia própria dentro das faixas de subsídio do programa federal — ainda que o MCMV continue presente, com 25,7% do VGV do período.
Relação com o Brasil
O lançamento de índices regionais próprios, como o da Paraíba, acompanha uma tendência nacional de maior sofisticação estatística do setor imobiliário, com entidades locais (Secovis e Ademis estaduais) publicando cada vez mais indicadores próprios em vez de depender apenas de pesquisas nacionais ou regionais amplas. Isso melhora a qualidade da informação disponível para investidores de fora do estado que avaliam entrar no mercado paraibano.
Relação com Pernambuco
O caso paraibano ocorre em paralelo ao amadurecimento de indicadores semelhantes em Pernambuco, onde o mercado imobiliário já registrou VGV recorde de R$ 10,1 bilhões em 2025 — quase quatro vezes o volume movimentado pela Paraíba nos oito meses cobertos pelo novo IVV. A diferença de escala entre os dois mercados é grande, mas o movimento de profissionalização estatística é o mesmo: tanto o Secovi-PE quanto o Secovi-PB vêm investindo em pesquisas próprias e recorrentes, o que deve facilitar comparações diretas entre os dois estados nas próximas edições dos respectivos índices.
Perspectivas
O Secovi-PB afirma que esta primeira divulgação inaugura uma série contínua de acompanhamento, o que significa que os próximos números — ainda sem data de divulgação confirmada nas fontes consultadas — vão permitir comparações período a período e identificar se o ritmo de vendas do estado está acelerando ou desacelerando. Esse será o principal ponto de atenção para construtoras e investidores nos próximos meses.
Fontes: Movimento Econômico, “Mais temporada, menos MCMV: novo IVV traça perfil dos imóveis na Paraíba”, 11/08/2026; cobertura complementar sobre o mercado imobiliário paraibano com dados de oferta, estoque e VSO do mesmo levantamento do Secovi-PB e BCB Inteligência, agosto de 2026.

