O comércio eletrônico brasileiro fechou o primeiro semestre de 2026 com R$ 125 bilhões em vendas, alta de 24,37% em relação aos R$ 100,5 bilhões registrados no mesmo período de 2025, segundo dados da Associação Brasileira de Inteligência Artificial e E-commerce (Abiacom, antiga ABComm). No período, o setor contabilizou 242 milhões de pedidos, com ticket médio de R$ 517. A projeção da entidade é de que 2026 termine com faturamento acima de R$ 260 bilhões e cerca de 460,87 milhões de pedidos.
“A preferência pelos canais virtuais continua crescendo e mantém o e-commerce aquecido”, afirmou Fernando Mansano, presidente da Abiacom, ao comentar os números. Entre os fatores que sustentam a expansão, a associação cita o fortalecimento do ecossistema digital e o surgimento de novas plataformas, o aumento do investimento das lojas em conteúdo nas redes sociais, as parcerias com influenciadores e as transmissões ao vivo de vendas (as chamadas lives de compra), além do uso crescente de inteligência artificial para personalizar a experiência.
A Semana do Cliente entra em cena
O calendário do varejo online chega agora a uma de suas datas mais fortes do segundo semestre. O Dia do Cliente é comemorado em 15 de setembro — em 2026, uma terça-feira, sem feriado — e o varejo concentra as ações na Semana do Cliente, de 13 a 19 de setembro. É um período que funciona como aquecimento para a Black Friday, dois meses depois, e que ganhou peso próprio: diferentemente de outras datas sazonais, o foco não é atrair público novo, e sim reforçar o vínculo com quem já compra da marca.
Os números recentes mostram por que a data virou prioridade para o pequeno lojista. Na Semana do Cliente de 2025, as pequenas e médias empresas que vendem pela plataforma Nuvemshop movimentaram R$ 136 milhões, crescimento de 31% sobre os R$ 104 milhões de 2024. Entre 9 e 15 de setembro de 2025 foram mais de 510 mil pedidos, alta de 22% na comparação anual, com ticket médio de R$ 247,90. Levantamentos do setor apontam que 41% das lojas que faturam até R$ 20 mil por mês fazem alguma ação específica na data, proporção que sobe para 66% entre as lojas em expansão. Para 2026, a expectativa de crescimento da data gira em torno de 10%, ritmo mais moderado do que nos anos anteriores, mas ainda positivo.
O que está por trás do crescimento
A alta de mais de 24% no semestre acontece sobre uma base de comparação que já era elevada — o e-commerce brasileiro faturou cerca de R$ 204 bilhões em 2024 — e reflete tanto o aumento do número de compradores quanto a maior frequência de compra. O consumo se pulverizou: em vez de concentrar gastos em poucas datas, o consumidor passou a distribuir pedidos ao longo do ano, comprando itens de menor valor com mais recorrência. Plataformas como Amazon, Mercado Livre, Magalu, Shopee e TikTok Shop ampliaram a oferta de frete rápido e de marketplaces abertos a lojistas terceiros, o que reduziu a barreira de entrada para micro e pequenos negócios.
Relação com a Paraíba e Pernambuco
O avanço do e-commerce tem se espalhado para fora dos grandes centros, e o Nordeste é parte importante desse movimento. Estados como Bahia, Pernambuco e Ceará registraram crescimento no volume de pedidos recebidos entre 2023 e 2025. Na Paraíba, o comércio eletrônico movimentou R$ 2,43 bilhões em 2024, o equivalente a 1,19% de todo o faturamento do e-commerce nacional naquele ano, segundo levantamento do setor citado pela imprensa local. Entre os estados nordestinos, a Paraíba aparece na quinta posição em incremento nesse segmento, atrás de Bahia, Pernambuco, Ceará e Maranhão.
Na prática, isso significa dois efeitos simultâneos para os negócios locais. De um lado, o consumidor paraibano e pernambucano tem acesso a um catálogo nacional e a preços que a loja física de bairro nem sempre consegue acompanhar — uma pressão competitiva real sobre o varejo tradicional das capitais e de polos como Campina Grande e Caruaru. De outro, cresce o número de empreendedores da região que usam marketplaces e redes sociais como canal principal de venda, alcançando clientes de todo o país sem abrir loja física. Esse segundo movimento tem puxado a demanda por serviços de logística no estado — transportadoras, centros de distribuição e operações de fulfillment (armazenagem e envio terceirizados) —, um gargalo histórico para quem vende de fora do eixo Sul-Sudeste. O ganho de eficiência logística no Nordeste é condição para que o pequeno lojista da região consiga competir em prazo de entrega, e não só em preço.
O que muda para empresas e consumidores
Para o lojista, a Semana do Cliente é uma janela de faturamento concentrado que exige preparo de estoque, atendimento e logística com semanas de antecedência — e uma oportunidade de recompra junto a quem já é cliente, com custo de aquisição menor do que o de campanhas para público novo. Para o consumidor, o período traz promoções reais, mas também o risco recorrente das datas de pico: propaganda enganosa de desconto, atraso na entrega e dificuldade de troca. A recomendação dos órgãos de defesa do consumidor é registrar o preço antes da promoção, guardar comprovantes e checar a reputação da loja em plataformas de reclamação.
Perspectivas
Se a projeção da Abiacom se confirmar, 2026 será mais um ano de recorde para o e-commerce brasileiro, com o segundo semestre respondendo pela maior fatia — Dia do Cliente, Dia das Crianças, Black Friday e Natal se sucedem em menos de quatro meses. O ritmo de crescimento tende a desacelerar em relação aos 24% do primeiro semestre, à medida que a base de comparação sobe e o crédito mais caro pesa sobre o consumo, mas a trajetória segue de alta. Para a Paraíba e Pernambuco, o teste é transformar o aumento das compras online em oportunidade para os negócios locais, e não apenas em porta de entrada para produtos de fora.
Fontes
E-Commerce Brasil, “E-commerce registra R$ 125 bilhões em vendas no primeiro semestre” e “E-commerce deve faturar cerca de R$ 260 bilhões em 2026, projeta estudo” (2026); Diário do Comércio, “Abiacom: e-commerce projeta faturamento de R$ 260 bilhões em 2026”; dados da Abiacom (ex-ABComm); Nuvemshop, balanço da Semana do Cliente 2025; reportagens sobre o e-commerce na Paraíba (A União, Pauta Real, THMais) com base em levantamento do setor; Movimento Econômico, “E-commerce entra na era da compra pulverizada” (2026).

