O setor sucroenergético da Paraíba iniciou, no começo de agosto de 2026, o novo ciclo da
safra 2026/27. As sete usinas associadas ao Sindicato da Indústria de Fabricação de Álcool da Paraíba
(Sindalcool) começam a operação em um cenário de preços pressionados tanto para o etanol quanto para o
açúcar, combinado a um aumento generalizado nos custos de produção e a incertezas climáticas associadas ao
fenômeno El Niño, que pode afetar o volume e a qualidade da cana colhida ao longo da safra.
Como referência do tamanho da operação, a safra anterior (2025/2026) resultou na moagem de 6.471.561
toneladas de cana-de-açúcar, gerando 352,226 milhões de litros de etanol — divididos entre 176,672 milhões
de litros de etanol anidro e 175,554 milhões de litros de etanol hidratado — além de 216.603 toneladas de
açúcar produzidas no estado.
Mistura obrigatória mais alta pressiona demanda por etanol anidro
Um fator que deve influenciar diretamente a safra 2026/27 é o aumento da mistura obrigatória de etanol
anidro na gasolina brasileira, que passou para 32%. Essa mudança regulatória tende a aumentar a demanda
nacional por etanol anidro, o que pode ser positivo para as usinas paraibanas na comercialização do produto
— desde que consigam sustentar a produção em meio ao cenário de custos elevados. O sindicato também
destaca o fortalecimento da logística portuária em Cabedelo como parte da estratégia do setor para garantir
o escoamento da produção com mais eficiência.
Edmundo Barbosa, presidente-executivo do Sindalcool, resumiu a postura das usinas diante do cenário
desafiador: “as usinas seguem investindo em eficiência, inovação e competitividade para garantir o
abastecimento do mercado”. A fala reflete uma estratégia de resposta à pressão de custos que passa por
ganhos de produtividade em vez de repasse imediato de preços, ao menos no discurso público do setor.
O que isso significa para a Paraíba e para Pernambuco
Para a Paraíba, o setor sucroenergético segue sendo uma fonte relevante de emprego formal no interior do
estado, com cerca de 20 mil empregos diretos distribuídos por 26 municípios — um número que reforça a
importância econômica e social do setor para regiões que dependem fortemente da atividade canavieira,
especialmente no Litoral e no Agreste paraibano. Um início de safra sob pressão de custos e clima
representa um risco direto a esses empregos, caso as usinas precisem reduzir operação ou atrasar
investimentos diante de margens mais apertadas.
Para Pernambuco, que também possui um polo sucroalcooleiro relevante na Zona da Mata, o cenário
paraibano de custos pressionados e clima incerto tende a se repetir de forma semelhante, já que ambos os
estados compartilham características climáticas e de cadeia produtiva parecidas. Empresários e investidores
do setor sucroenergético pernambucano podem acompanhar a evolução da safra paraibana como um indicador
antecipado de como a safra 2026/27 deve se comportar também em território pernambucano, inclusive no que
diz respeito à logística de escoamento via portos — no caso de Pernambuco, com o Porto de Suape cumprindo
papel semelhante ao do Porto de Cabedelo para a Paraíba.
Fontes
Paraíba Total.

