A Paraíba fechou o primeiro semestre de 2026 com 32.859 novas empresas abertas no estado,
um crescimento de 10,7% em relação ao mesmo período de 2025. No mesmo intervalo, 19.055 empresas encerraram
suas atividades, resultando em um saldo positivo de 13.804 novos empreendimentos líquidos. O estado
encerrou o período com 322.082 empresas ativas ao todo.
A grande maioria das novas empresas — 31.137, ou 95% do total — são microempresas, reforçando o padrão
já conhecido do empreendedorismo paraibano: negócios de pequeno porte, com baixa necessidade de capital
inicial, concentrados principalmente em lojas de roupas e acessórios, minimercados, mercearias e serviços
de beleza. A concentração geográfica também segue o padrão histórico do estado: João Pessoa lidera com
13.614 novos registros (41,4% do total estadual), seguida por Campina Grande, com 4.977 registros (15,2%).
Perfil dos novos empreendedores
Entre os empreendedores que abriram negócio na Paraíba neste período, 56% têm até 35 anos, reforçando a
tendência de empreendedorismo jovem já observada em outros estados do Nordeste. A divisão por gênero mostra
62% de homens contra 38% de mulheres entre os novos empresários registrados.
Artur da Silva Figueiredo, assessor de Ciclo de Crédito da Central Sicredi Nordeste, avalia que o
crescimento na abertura de empresas ocorre mesmo em um cenário de juros elevados: “o empreendedor continua
identificando oportunidades de mercado”, afirmou, sugerindo que a busca por renda alternativa e a
percepção de nichos ainda pouco explorados seguem funcionando como motor de abertura de negócios, mesmo com
o crédito mais caro.
O que isso significa para a Paraíba e para Pernambuco
Para a Paraíba, o dado reforça um cenário de dinamismo empreendedor sustentado mesmo em contexto de
juros altos, mas também levanta um ponto de atenção: o expressivo número de encerramentos (19.055 no
mesmo período) mostra que, apesar do saldo positivo, a mortalidade de negócios recém-abertos segue sendo um
desafio relevante — especialmente para microempresas com pouco capital de giro e menor capacidade de
sobreviver a períodos de baixa demanda ou dificuldade de acesso a crédito. A concentração de mais de 56%
das novas empresas em João Pessoa e Campina Grande também reforça a necessidade de políticas de fomento ao
empreendedorismo mais distribuídas pelo interior do estado.
Para Pernambuco, que também vem registrando recorde na abertura de empresas em 2026, o caso paraibano
serve de parâmetro comparativo direto: ambos os estados mostram um padrão semelhante de empreendedorismo
concentrado em microempresas e liderado por público jovem, o que sugere uma tendência regional mais ampla
no Nordeste — não um fenômeno isolado de um único estado. Para gestores públicos e entidades de apoio ao
pequeno negócio como Sebrae e associações comerciais, o desafio comum aos dois estados passa a ser reduzir
a taxa de mortalidade dessas novas empresas nos primeiros anos de operação, e não apenas estimular novas
aberturas.
Fontes
NE9.

