O comércio varejista de Pernambuco registrou o melhor desempenho entre os estados
brasileiros no acumulado do ano: as vendas cresceram 11% entre janeiro e maio de 2026,
frente ao mesmo período de 2025, segundo a Pesquisa Mensal de Comércio (PMC) do IBGE. O resultado
pernambucano supera com folga a média nacional, de apenas 1,7% no mesmo período, e também a média da região
Nordeste, de 3,2% — evidenciando que o crescimento do varejo no estado não é apenas um reflexo de uma
tendência regional, mas um desempenho isolado e destacado mesmo dentro do próprio Nordeste.
Na comparação de maio de 2026 com maio de 2025, o crescimento foi de 7,4%, o segundo melhor resultado do
país no mês, atrás apenas de outro estado. Já na comparação mês a mês — maio ante abril de 2026 —, houve uma
leve retração de 0,6%, uma oscilação pontual que não chega a comprometer a trajetória de crescimento
acumulado observada ao longo do ano. O índice de volume de vendas do varejo pernambucano em maio de 2026
atingiu 117,4 pontos, patamar 17,4% acima da média registrada em 2022, ano-base de comparação da série
histórica do IBGE.
Supermercados puxam a alta, com expansão de quase 27%
Entre os segmentos que compõem o varejo, o destaque absoluto foi o de supermercados,
hipermercados e produtos alimentícios, que somados registraram alta acumulada de 22,2% no ano —
com o subsegmento específico de hipermercados e supermercados atingindo uma expansão ainda maior, de
26,8% nas vendas. Outros segmentos também tiveram desempenho relevante: equipamentos de
informática e comunicação cresceram 18,2%, enquanto livros, jornais, revistas e papelaria avançaram 19,1% —
um resultado que dialoga com a expansão de redes de livrarias físicas na região, como mostrado em matéria
recente deste Radar sobre a abertura de uma nova unidade da Livraria Leitura em Jaboatão dos Guararapes.
Danielle Jara Souto, secretária de Desenvolvimento Econômico de Pernambuco, comentou o resultado
divulgado pelo IBGE, afirmando que “Pernambuco lidera o crescimento nacional no acumulado do ano, resultado
que reflete o dinamismo da economia estadual”. O desempenho do varejo se soma a outros indicadores positivos
da economia pernambucana já registrados por este Radar nas últimas semanas, como o crescimento industrial e
a geração de vagas por micro e pequenas empresas no estado.
O que isso significa para Pernambuco e para a Paraíba
Para Pernambuco, a liderança nacional em crescimento do varejo — puxada especialmente por supermercados —
reforça um momento de consumo aquecido no estado, mesmo em um cenário nacional de juros ainda elevados, como
mostrado na matéria sobre o corte da Selic para 14% publicada recentemente por este Radar. Esse contraste
sugere que fatores locais específicos, como geração de emprego formal e crescimento industrial, podem estar
sustentando o consumo pernambucano acima da média nacional, apesar do crédito mais caro em todo o país.
Para a Paraíba, que integra a mesma região Nordeste que cresceu, em média, 3,2% no varejo no período —
bem abaixo do resultado pernambucano —, o desempenho de Pernambuco funciona como um parâmetro de comparação
regional. Redes de varejo com operação em ambos os estados, como Carrefour, Atacadão e Novo Atacarejo, já
noticiadas por este Radar, tendem a monitorar de perto esse descompasso de desempenho entre os dois mercados
vizinhos ao planejar novos investimentos e aberturas de lojas na região.
Fontes
Diario de Pernambuco — Pernambuco lidera alta do comércio varejista no país, aponta IBGE.

