Um conjunto de investimentos estrangeiros e grandes projetos privados está redesenhando o
setor de hotelaria e turismo na Paraíba, com uma carteira de projetos que soma R$ 13,6 bilhões
previstos até 2030. O grupo português Vila Galé é um dos investidores internacionais à
frente desse movimento: a rede vai inaugurar um hotel no Centro Histórico de João Pessoa, com investimento
inicial de R$ 80 milhões, mais de 80 apartamentos e geração de 360 empregos diretos e
indiretos.
O Polo Turístico Cabo Branco, na capital paraibana, concentra o maior volume de recursos
do movimento: mais de R$ 3 bilhões em investimentos privados já direcionados à região. Entre
os projetos do polo está o Tauá Resort, com investimento superior a R$ 700 milhões, mais de
mil apartamentos e capacidade para mais de 5 mil hóspedes, já em operação em 2026. Outro projeto de destaque
no mesmo polo é o “12º Polo”, com investimento de R$ 322 milhões, que inclui uma piscina de ondas artificiais
com tecnologia da empresa americana SurfLoch — voltada à prática de surfe mesmo fora do mar
—, 400 unidades habitacionais e geração de 610 empregos.
Saúde e bem-estar também atraem capital internacional
Além da hotelaria tradicional, o movimento de investimento estrangeiro na Paraíba também alcança o
segmento de saúde e bem-estar: o projeto Insea Global Health & Wellness prevê investimento
inicial de R$ 95 milhões em um complexo que combina hotel, shopping e centro médico — um formato que busca
atrair tanto turistas quanto pacientes de turismo médico, segmento em crescimento em diferentes destinos
turísticos do Brasil. A diversificação de tipos de empreendimento, que vai de resorts tradicionais a parques
de aventura esportiva e complexos de saúde, sinaliza uma aposta dos investidores em ampliar o público-alvo do
turismo paraibano para além do perfil convencional de sol e praia.
Entidades como a HotelInvest e o Fórum de Operadores Hoteleiros do Brasil (FOHB) acompanham de perto esse
movimento de expansão. Em março, novos polos turísticos foram oficialmente designados no estado, incluindo
Tambaba e o Sertão paraibano, ampliando o mapa de regiões priorizadas para atração de investimento turístico
para além do eixo já consolidado de João Pessoa e do litoral sul.
O que isso significa para a Paraíba e para Pernambuco
Para a Paraíba, a chegada de capital estrangeiro de peso — como o grupo português Vila Galé e a
tecnologia americana da SurfLoch — reforça a maturidade do mercado turístico paraibano como destino capaz
de atrair investidores internacionais, não apenas capital nacional. O volume de R$ 13,6 bilhões projetados
até 2030, somado ao perfil de demanda por apartamentos compactos para locação por temporada já identificado
em levantamento recente do mercado imobiliário de João Pessoa noticiado por este Radar, sugere um ciclo de
investimento coordenado entre hotelaria, turismo e mercado imobiliário residencial na capital paraibana.
Para Pernambuco, que também disputa capital internacional para seu setor de turismo e hotelaria, o
volume de investimento estrangeiro atraído pela Paraíba nos últimos meses é um parâmetro competitivo
relevante — reforçando a necessidade, já discutida em análise recente publicada por este Radar sobre a
ausência de uma política de internacionalização mais robusta no estado pernambucano, de estruturas
dedicadas à atração de investimento estrangeiro direto também para os setores de turismo e serviços, e não
apenas para indústria e exportação de commodities.
Fontes
Paraíba Business — Capital estrangeiro e grandes projetos redesenham hotelaria na Paraíba.

