Um novo Índice de Velocidade de Vendas (IVV), produzido pelo Secovi-PB em parceria com a
BCB Inteligência, traça o perfil mais recente do mercado imobiliário paraibano: entre dezembro de 2025 e
julho de 2026, o setor movimentou R$ 2,73 bilhões em Valor Geral de Vendas (VGV), com
6.027 imóveis vendidos em 376 empreendimentos de 194 construtoras diferentes. A oferta disponível no mês
de julho chegava a 12.683 imóveis, com um estoque total de 12.089 unidades. O IVV geral do período ficou em
1,6%, com uma Venda Sobre Oferta (VSO) de 7,5%.
O levantamento separa o desempenho por faixa de programa habitacional. Fora do Minha Casa, Minha Vida
(MCMV), o mercado paraibano registrou VGV de R$ 2,03 bilhões — 74,3% do total —, com 2.803 unidades
vendidas a um ticket médio de R$ 725.295 e IVV de 1,2%. Já dentro do MCMV, o VGV foi de R$ 699,92 milhões
(25,7% do total), mas com um volume maior de unidades — 3.224, mais da metade de todas as vendas do
período —, ticket médio de R$ 217.096 e IVV mais alto, de 2,2%, com VSO de 13,8%, sinalizando giro de
vendas mais rápido nesta faixa.
Apartamentos de um quarto dominam João Pessoa
O dado mais específico do levantamento aponta para uma mudança de perfil na demanda por imóveis em João
Pessoa: apartamentos compactos de um quarto, voltados majoritariamente a investimento e locação de curta
temporada, concentram boa parte do interesse dos compradores. O estoque desse tipo de imóvel soma 2.664
unidades, das quais 930 já foram vendidas, a um ticket médio de aproximadamente R$ 463 mil e preço por
metro quadrado de cerca de R$ 16,6 mil. Do total de unidades de um quarto em estoque, cerca de 85% — 2.260
unidades — têm entre 21 e 40 metros quadrados, reforçando o padrão compacto voltado a investidores. No
ritmo atual de vendas, esse estoque equivale a 22,4 meses de comercialização.
Os bairros com maior concentração desse tipo de empreendimento são Jardim Oceania, com 651 unidades de
um quarto, e Cabo Branco, com 620 unidades, seguidos por Altiplano Cabo Branco e Manaíra — todos bairros
turísticos e litorâneos da capital paraibana, o que reforça a leitura de que a demanda está atrelada ao
mercado de locação por temporada. Bruno Cantalupo, da BCB Consultoria, explicou o perfil predominantemente
de investimento por trás dessas vendas. Na comparação de junho para julho, porém, o mercado mostrou
desaceleração pontual: as vendas caíram 31,8% (de 871 para 594 unidades), a oferta cresceu 10,5% e o VGV
mensal recuou 26,3%, para R$ 330,30 milhões.
O que isso significa para a Paraíba e para Pernambuco
Para a Paraíba, o IVV — que terá divulgação oficial completa em 25 de agosto — confirma uma tendência já
percebida por corretores e incorporadores locais: o crescimento do turismo e da locação por temporada em
João Pessoa está remodelando o perfil de empreendimentos lançados na capital, com mais unidades compactas
voltadas a investidores e menos unidades dentro da faixa do MCMV, que representa uma fatia bem menor do VGV
total do que costuma ocorrer em outros mercados regionais.
Para Pernambuco, que segundo o próprio levantamento tem participação proporcionalmente maior de
lançamentos do Minha Casa, Minha Vida — puxados também pelo programa estadual “Morar Bem PE – Entrada
Garantida”, especialmente na Região Metropolitana do Recife —, o contraste com o padrão paraibano reforça
como os dois mercados imobiliários vizinhos vêm seguindo trajetórias distintas: um mais orientado a
habitação popular subsidiada, o outro mais orientado a investimento turístico e locação de curta duração,
cada um com seus próprios riscos e oportunidades para incorporadoras que atuam nos dois estados.
Fontes
Movimento Econômico — Mais temporada, menos MCMV: novo IVV traça perfil dos imóveis na Paraíba.

