Um levantamento divulgado pela Shopee mostra que o número de vendedores ativos do Agreste
pernambucano na plataforma cresceu 80% em 2025, impulsionado pelo tradicional polo de
confecções formado por Caruaru e Santa Cruz do Capibaribe — dois dos maiores centros de produção de
vestuário do Brasil. No recorte estadual, a participação de vendedores ativos de Pernambuco na plataforma
passou de 11,2% para 17% em um ano, e o estado já aparece entre os dez com mais vendedores ativos do
país, segundo a empresa.
O crescimento reflete um movimento que já vinha se desenhando no Agreste: pequenos e médios confeccionistas,
historicamente dependentes do comércio presencial no Polo de Confecções (incluindo o tradicional Parque das
Feiras de Caruaru), passaram a usar o marketplace digital como canal de venda direta para consumidores de
todo o país, sem depender só de atacadistas e lojistas intermediários de outras regiões.
De vendas regionais a alcance nacional
Um dos exemplos citados no levantamento é o de um vendedor da região que registrou alta de 800%
nas vendas em seis meses, ampliando o alcance que antes era concentrado no Nordeste para atender também
consumidores do Centro-Oeste e do Sul do país — com destaque para a região metropolitana de São Paulo, um
dos maiores mercados consumidores de moda do Brasil. Segundo Felipe Lima, diretor de desenvolvimento de
negócios da Shopee, o comércio eletrônico “dá a pequenos varejistas, empreendedores individuais e negócios
familiares a chance de estruturar e escalar seus empreendimentos com acesso a consumidores em todo o país”.
João D’arru, presidente do Sindicato das Indústrias do Vestuário de Pernambuco, associa a expansão do
canal digital a um efeito em cadeia sobre o emprego local: o crescimento do e-commerce no polo não movimenta
só a costura e a produção em si, mas também serviços associados, como contabilidade e gestão especializada
de vendas online — funções que vêm crescendo junto com a demanda por profissionalização dos pequenos
negócios de confecção da região.
O que isso significa para a Paraíba e Pernambuco
Para Pernambuco, o dado reforça uma tendência que o Radar já vem acompanhando: a economia do Agreste,
historicamente organizada em torno das feiras físicas de confecção, está encontrando no comércio eletrônico
uma rota complementar de crescimento — sem abrir mão do polo produtivo local, mas ampliando o alcance de
venda para além da região. Isso tem efeito direto sobre o fluxo de caixa de pequenos confeccionistas, que
passam a vender diretamente ao consumidor final em vez de depender só da margem do atacado.
Para a Paraíba, que tem no comércio e no pequeno varejo uma fatia relevante da economia (e municípios como
Campina Grande com ligação histórica ao setor têxtil e de confecções), o caso pernambucano funciona como
referência prática: mostra que a digitalização de vendedores de pequeno porte pode ser uma estratégia real
de crescimento, não apenas um discurso de inovação — desde que venha acompanhada de suporte em logística,
gestão financeira e atendimento ao cliente à distância, área em que o levantamento aponta crescimento de
demanda por serviços especializados.
Vale o registro: os números divulgados são da própria plataforma, sem auditoria independente disponível
publicamente — ainda assim, a tendência de crescimento do e-commerce como canal de venda para o pequeno
varejo nordestino já aparece de forma consistente em outros levantamentos do setor ao longo de 2025 e 2026.
Fontes
Diário de Pernambuco.

