Enquanto 20 dos 27 estados brasileiros registraram queda nas vendas para os Estados Unidos
em meio ao novo tarifaço americano, a Paraíba seguiu na direção contrária: as exportações do estado para
o mercado americano cresceram 5,9% no primeiro semestre de 2026 na comparação com igual
período do ano anterior, somando US$ 10,3 milhões entre janeiro e junho — o equivalente a 15,8% de tudo
que a Paraíba exportou no período, segundo levantamento da Confederação Nacional da Indústria (CNI).
O resultado chama atenção porque veio no mesmo semestre em que os Estados Unidos aprofundaram a política
tarifária contra produtos brasileiros: em 22 de julho de 2026 entrou em vigor uma tarifa adicional de 25%,
resultado de uma investigação baseada na Seção 301 da legislação comercial americana, aberta em 2025. Some-se
a isso os 12,5% já aplicados anteriormente, e o efeito combinado pode levar a tarifa total sobre alguns
produtos brasileiros a até 37,5% — embora 2.126 códigos tarifários tenham sido mantidos isentos, entre eles
café, suco de laranja e carne.
Um resultado positivo em meio a um cenário nacional negativo
No comparativo nacional, o quadro é de retração: as exportações de produtos industriais brasileiros para
os EUA caíram 8,7% no período, puxadas por itens como semimanufaturados de ferro e aço, pasta de madeira e
óleos de petróleo. Nesse contexto, o desempenho paraibano é uma exceção que merece leitura cuidadosa — o
levantamento da CNI não detalha quais produtos específicos sustentaram o crescimento das exportações do
estado, mas a pauta exportadora da Paraíba para os EUA é historicamente concentrada em suco e polpa
concentrada de frutas, item que segue na lista de isenções tarifárias, o que pode ajudar a explicar por que
o estado não sentiu o mesmo efeito negativo de outras economias mais expostas a produtos taxados.
Ricardo Alban, presidente da CNI, classificou o cenário geral como preocupante e alertou que a situação
tende a “piorar, corroendo a competitividade” da indústria brasileira caso não haja avanço nas negociações
entre os dois países. Constanza Negri, gerente da entidade, destacou que setores como madeira, minerais
não metálicos e produtos químicos enfrentam tarifas mais altas, com risco direto sobre emprego e
investimento nessas cadeias produtivas.
O que isso significa para a Paraíba e Pernambuco
Para a Paraíba, o resultado positivo do primeiro semestre não deve ser lido como uma blindagem definitiva:
como já mostrou cobertura anterior deste Radar sobre a exposição tarifária dos estados nordestinos, a
concentração da pauta exportadora paraibana em poucos produtos — ainda que hoje favorecidos pela isenção —
é também um fator de risco caso a lista de tarifas mude nas próximas rodadas da investigação da Seção 301,
que segue em andamento.
Para Pernambuco, com pauta de exportação mais diversificada e apoiada em uma estrutura portuária robusta
como Suape, o desafio é outro: o estado tem maior exposição a produtos já taxados, como aço semimanufaturado
e componentes automotivos, o que reforça a necessidade de diversificação de mercados e de acompanhamento
próximo das negociações entre Brasília e Washington — tema que o governo brasileiro já sinalizou que pretende
levar à Organização Mundial do Comércio (OMC), além de estudar medidas recíprocas.
Fontes
PB Agora; Movimento Econômico.

