A Chapada do Araripe, região compartilhada por Pernambuco, Ceará e Piauí, está se consolidando como uma nova fronteira agrícola do Nordeste — com produtividade de milho e soja que supera a média nacional brasileira em algumas propriedades. A área soma cerca de 1,036 milhão de hectares, e municípios como Exu, em Pernambuco, e Santana do Cariri, no Ceará, concentram parte relevante do movimento.
Os números de produtividade chamam atenção: a fazenda da empresa OvoNovo, sediada em Caruaru (PE), já registrou até 152 sacas de milho por hectare, com média esperada de 120 sacas — bem acima da média histórica nacional. Já a Fazenda Ouro da Serra, em Santana do Cariri, colheu 69 sacas de soja por hectare. Um segundo produtor da região registrou 110 sacas de milho por hectare.
Por trás desses números está um movimento de investimento real: cerca de R$ 20 milhões já foram aplicados em propriedades, infraestrutura e correção de solo na região. A OvoNovo, que começou com 1.200 hectares plantados, está expandindo para 2.000 hectares. A Fazenda Ouro da Serra saiu de 330 hectares em 2024 para uma expansão prevista de 600 hectares.
De Mato Grosso do Sul para o Sertão pernambucano
Parte desse movimento é protagonizada por produtores que migraram de regiões tradicionalmente mais fortes do agronegócio brasileiro — caso do produtor Sebastiaan Spekken, originário de Maracaju (MS), que decidiu investir na Chapada do Araripe atraído pelo potencial produtivo da região e pelo custo da terra, historicamente mais baixo que no Centro-Oeste.
O movimento não é fruto do acaso: pesquisas científicas sobre o potencial agrícola da região começaram ainda em 1996, mas foi a partir de 2021 que o desenvolvimento se acelerou de forma mais visível, com apoio de instituições como a Universidade Federal Rural de Pernambuco (UFRPE) e o Instituto Agronômico de Pernambuco (IPA), que vêm estudando correção de solo e manejo adaptados às condições da chapada.
O que isso significa para o agronegócio de Pernambuco e da Paraíba
Para Pernambuco, o dado é relevante em pelo menos duas frentes: gera uma nova cadeia produtiva de grãos num estado historicamente mais associado à cana-de-açúcar e à fruticultura irrigada, e atrai investimento privado significativo para o interior do estado, no Sertão, região que costuma ficar fora do radar quando se fala em desenvolvimento econômico de Pernambuco.
O efeito de cadeia tende a se espalhar: mais produção de grãos na região significa demanda por armazenagem, transporte, insumos agrícolas, maquinário e mão de obra especializada — oportunidades para fornecedores e prestadores de serviço não só de Pernambuco, mas também da Paraíba, dado o corredor logístico que liga o Sertão e o Agreste das duas regiões.
Vale o alerta editorial: a Chapada do Araripe ainda é uma fronteira em formação, não uma região consolidada nos moldes do Centro-Oeste — os números de produtividade mais altos vêm de propriedades específicas que já investiram pesado em correção de solo, não da média de toda a região ainda.
Fontes
Movimento Econômico; Universidade Federal Rural de Pernambuco (UFRPE); Instituto Agronômico de Pernambuco (IPA).

