Depois de um período de retração, o Carrefour voltou a crescer no Brasil. O desempenho brasileiro ajudou o grupo a superar as projeções de vendas para o segundo trimestre.
As vendas globais do Carrefour cresceram 1,9% no segundo trimestre de 2026, considerando lojas comparáveis. O mercado projetava expansão de 1,6%. No Brasil, a companhia registrou crescimento de 0,4%, revertendo o desempenho negativo dos períodos anteriores.
O Carrefour apresentou vendas acima das expectativas no segundo trimestre de 2026, apoiado pela melhora das operações na França e pelo retorno ao crescimento no Brasil. As vendas comparáveis do grupo cresceram 1,9%, superando a projeção média de 1,6% dos analistas consultados.
Na França, maior mercado da companhia, o crescimento foi de 1%, representando o quinto trimestre consecutivo de expansão. A expectativa dos analistas era de alta de 0,8%. No Brasil, o avanço foi mais moderado, de 0,4%, mas teve valor estratégico porque interrompeu uma sequência recente de resultados negativos.
O lucro operacional recorrente do primeiro semestre alcançou € 757 milhões, acima dos € 727 milhões registrados no mesmo período do ano anterior. O resultado, porém, ficou abaixo da expectativa de € 779 milhões do mercado. A margem operacional recorrente foi de 1,9%.
O desempenho mostra que crescimento de vendas e rentabilidade não caminham necessariamente na mesma velocidade. O Carrefour aumentou as vendas, mas ainda enfrenta pressão sobre custos, margem, preços e eficiência operacional.
A estratégia do grupo envolve redução de preços, investimentos digitais, ampliação de participação nos mercados prioritários e um programa que pretende gerar € 1 bilhão em economias anuais até 2030. A companhia também se beneficiou de uma demanda sazonal extraordinária provocada por uma onda de calor em junho, quando vendeu 200 mil ventiladores, aparelhos de ar-condicionado e umidificadores, além de mais de 7 milhões de sacos de gelo em apenas uma semana.
No Brasil, o Carrefour permanece como o maior grupo do varejo alimentar. No Ranking ABRAS 2026, a companhia aparece na primeira posição, com faturamento informado de aproximadamente R$ 123,6 bilhões, à frente de Assaí, Grupo Mateus, Supermercados BH e GPA.
A recuperação de 0,4% ainda é pequena para ser caracterizada como uma virada definitiva. Entretanto, sinaliza que as decisões relacionadas a preço, portfólio, digitalização e eficiência começaram a produzir algum efeito sobre as vendas.
Impacto para PB e PE
O movimento do Carrefour deve ser acompanhado por redes regionais porque uma recuperação da maior empresa do setor pode intensificar a competição por preço, mídia, fidelização e participação no atacarejo. Isso afeta especialmente mercados onde redes nacionais e grupos regionais disputam o mesmo consumidor.
Fontes e referências
- Resultado do segundo trimestre do Carrefour, divulgado pela Reuters.
- Ranking ABRAS 2026 do varejo alimentar brasileiro.

