O rendimento dos títulos do Tesouro americano de 10 anos subiu 15 pontos-base e atingiu 5,11%, o maior nível desde 2007, segundo reportagem da CNN publicada pela CNN Brasil em 24 de setembro. O título de 30 anos avançou para 5,4%, e o de 5 anos superou 5% pela primeira vez desde 2007. O Treasury de 10 anos havia começado 2026 em 4,15%.
O que provocou a alta
O movimento foi impulsionado por dados de atividade mais fortes do que o esperado — a atividade empresarial nos EUA acelerou em setembro ao ritmo mais rápido desde julho de 2021, segundo a S&P Global — e pela alta do petróleo em meio às tensões no Oriente Médio e no Estreito de Ormuz. Na ocasião, o Brent subiu 3,86%, para US$ 103,08 o barril. “No geral, foi uma leitura muito mais forte do que o esperado para a atividade empresarial”, disse Vail Hartman, estrategista de taxas dos EUA do BMO Capital Markets. Para Chip Hughey, diretor-gerente de renda fixa do Truist, “foi uma tempestade perfeita alimentando a disparada nos rendimentos”.
Fed e mercados
A probabilidade de nova alta de juros pelo Federal Reserve em outubro, precificada pelo mercado, subiu para 66%, ante 55% antes dos dados, de acordo com a CNN. O Fed já havia elevado a taxa básica neste mês, para a faixa de 3,75% a 4%. Para tentar conter a disparada, o Tesouro americano ampliou recompras de títulos. Até o fim da semana, o petróleo recuou, mas o juro de 10 anos seguiu acima de 5%, segundo o boletim semanal de mercados do Washington Trust de sexta-feira (25).
O que isso significa para o Brasil
Quando o título americano, considerado o investimento mais seguro do mundo, paga mais de 5% ao ano, parte do capital tende a deixar mercados emergentes, o que pressiona o dólar e os juros futuros no Brasil. Para empresas da Paraíba e de Pernambuco, o efeito aparece no custo de importar insumos e máquinas e no crédito atrelado ao câmbio; para quem exporta, o dólar mais alto pode ajudar a receita em reais. O cenário também reduz o espaço do Banco Central para seguir cortando a Selic, hoje em 13,75% ao ano.
Fontes
CNN Brasil (John Towfighi, CNN), 24 de setembro de 2026 — Treasury de 10 anos atinge 5,1% pela 1ª vez em 19 anos.
Washington Trust (Callen Young e Allan Prins), 25 de setembro de 2026 — Fixed Income & Equities Markets Week in Review.

