A multinacional espanhola Acciona venceu, em 15 de maio de 2026, o leilão da Parceria Público-Privada (PPP) de esgotamento sanitário da Companhia de Água e Esgotos da Paraíba (Cagepa), realizado na sede da B3, em São Paulo. A empresa foi a única proponente no certame e ofereceu um deságio de 1% sobre a contraprestação pública, arrematando um contrato de 25 anos com investimentos totais estimados em R$ 3 bilhões.
O que o contrato prevê
A PPP abrange 85 municípios distribuídos pelas microrregiões de Água e Esgoto do Alto Piranhas e do Litoral paraibano. Segundo os termos do contrato, a Acciona vai construir 104 estações de tratamento de esgoto, implantar mais de 2.800 quilômetros de redes coletoras e viabilizar cerca de 566 mil novas ligações domiciliares ao longo da concessão. A meta oficial é elevar a cobertura de esgotamento sanitário na área a 90% até 2039.
A remuneração da empresa ao longo do contrato inclui uma parcela fixa de até R$ 483,6 milhões anuais, somada a uma parcela variável atrelada a metas de desempenho e expansão da rede.
Impacto populacional
De acordo com a Cagepa, o projeto tem potencial para beneficiar diretamente até 1,7 milhão de pessoas, das quais 1 milhão passará a ter acesso a coleta e tratamento de esgoto pela primeira vez — um salto significativo em regiões do interior paraibano historicamente carentes desse tipo de infraestrutura.
Declarações oficiais
O governador da Paraíba, Lucas Ribeiro, classificou o resultado do leilão como um marco para o setor: “Estamos dando mais um passo no caminho do desenvolvimento, com uma parceria que vai acelerar a expansão do saneamento”, afirmou. Já o presidente da Cagepa, Marcus Vinícius, destacou o caráter estrutural do acordo: “Essa parceria representa uma virada de chave para a Cagepa e para o estado.”
Por que isso importa para empresas e consumidores
Para o setor produtivo paraibano, a expansão do saneamento básico tende a destravar investimentos em áreas hoje limitadas pela falta de infraestrutura — loteamentos, polos comerciais e até distritos industriais dependem de rede de esgoto regularizada para obter licenciamento ambiental e alvarás. A chegada de uma operadora internacional de grande porte também sinaliza ao mercado financeiro que a Paraíba consegue atrair capital estrangeiro de longo prazo para infraestrutura, o que pode facilitar a captação de outros projetos estruturantes no estado nos próximos anos.
Para o consumidor final, a promessa é de melhoria direta na qualidade de vida em municípios do Alto Piranhas e do litoral que ainda dependem de fossas ou de redes precárias — com efeitos esperados sobre saúde pública, valorização imobiliária local e redução de passivos ambientais.
Relação com o Brasil
O negócio faz parte de uma onda mais ampla de privatizações e concessões no setor de saneamento brasileiro, acelerada desde a aprovação do novo marco legal do saneamento em 2020, que exige investimentos privados para universalizar o acesso à água e ao esgoto no país até 2033. Estados do Nordeste, historicamente com os piores indicadores de cobertura, têm sido protagonistas dessa onda — em dezembro de 2025, Pernambuco já havia leiloado um bloco de saneamento com 151 municípios, também vencido por um consórcio com participação da Acciona.
Relação com Pernambuco e a Paraíba
A repetição da Acciona como vencedora tanto na Paraíba quanto em Pernambuco reforça o Nordeste como uma região de interesse estratégico para grandes operadoras internacionais de saneamento, com efeitos que podem se espalhar por cadeias de fornecedores locais — empreiteiras, fabricantes de tubulação e prestadoras de serviços de engenharia da Paraíba e de Pernambuco tendem a disputar subcontratos ao longo dos 25 anos de obras. É uma inferência econômica, mas coerente com o padrão observado em PPPs de saneamento de grande porte já em execução em outros estados.
Perspectivas
Com o contrato assinado, os próximos passos incluem o início das obras nas áreas de maior déficit e a estruturação da governança do contrato entre Cagepa e Acciona. O cumprimento das metas de cobertura ao longo dos próximos 13 anos (até 2039) será acompanhado de perto por órgãos reguladores estaduais, e o desempenho da concessão paraibana deve servir de referência para futuras PPPs de saneamento no Nordeste.
Fontes: Movimento Econômico, “Acciona vence PPP da Cagepa com R$ 3 bilhões e único lance na B3”, 15/05/2026.

