O Governo da Paraíba, por meio da Secretaria de Estado do Desenvolvimento Agropecuário e da Pesca (Sedap-PB), está tocando em 2026 a maior edição já registrada do Circuito Paraíba Agronegócios: 70 exposições espalhadas por todas as regiões do estado, entre 26 de março e 12 de dezembro, com projeção de movimentar R$ 600 milhões em negócios — um salto de 50% sobre os R$ 400 milhões movimentados em 2025.
Um calendário que se espalha pelo estado inteiro
O circuito abriu com a Agromar, em Lucena, no Litoral Norte (26 a 28 de março), seguida de perto pela Expo Sumé, no Cariri (27 a 29 de março). Ao longo do ano, o calendário passa por municípios como Campina Grande e Cabaceiras, entre outras cidades de diferentes regiões da Paraíba, funcionando como uma vitrine para produtores rurais de pequeno, médio e grande porte apresentarem animais, produtos, queijos, mel, caprinos e bovinos, e fecharem negócios diretamente com compradores.
A expectativa de público para 2026 é de 1,5 milhão de visitantes ao longo de todo o circuito, superando os 1,2 milhão registrados na edição de 2025. Como parte da programação, cada exposição do circuito passou a distribuir 5 mil mudas de palmeira-real (palmeira-californiana), com limite de 100 mudas por produtor cadastrado — uma ação de fomento à arborização e diversificação produtiva nas propriedades rurais participantes.
De 3 para 70 exposições em sete anos
O crescimento do circuito ilustra a mudança de escala da política estadual para o setor: em 2019, o governo da Paraíba apoiava apenas 3 exposições agropecuárias no estado. Em 2026, esse número chegou a 70 — um crescimento superior a 20 vezes no período. O secretário de Estado do Desenvolvimento Agropecuário e da Pesca, Joaquim Hugo Vieira, afirma que as exposições agropecuárias “criam visibilidade para o setor” e funcionam como “ambientes onde os produtores podem exibir animais, produtos, queijo, mel, caprinos e bovinos”.
Crédito reforça o calendário de eventos
O momento de expansão das exposições coincide com uma injeção relevante de crédito rural no estado: o Banco do Brasil disponibilizou R$ 310 milhões para financiar a safra 2026/27 na Paraíba, divididos entre R$ 131 milhões para produtores de pequeno e médio porte e R$ 179 milhões voltados à agricultura comercial. O crédito cobre custeio de safra, investimento, comercialização e industrialização, com foco declarado em produtores rurais “de todos os portes e segmentos”, incluindo agricultura familiar, em regiões como Sertão, Brejo e Cariri.
Segundo o superintendente do banco, “o Banco do Brasil segue ao lado dos produtores paraibanos, oferecendo crédito e soluções que impulsionam o crescimento sustentável”. Em nível nacional, o Banco do Brasil destinou R$ 210 bilhões para a safra 2026/27 em todo o país, sendo R$ 40 bilhões para pequenos e médios produtores e R$ 170 bilhões para a agricultura comercial — o que situa o valor liberado para a Paraíba dentro de um pacote bem maior de crédito agrícola do banco para o ciclo 2026/27.
O que isso significa para o produtor e para o comércio local
A combinação de mais eventos regionais com mais crédito disponível tende a ter efeito direto sobre casas agropecuárias, revendas de insumos, cooperativas e o comércio ligado ao agronegócio nas cidades-sede das exposições: mais feiras significam mais oportunidades de venda direta para o produtor, o que por sua vez movimenta hospedagem, alimentação e serviços locais durante os dias de evento em municípios do interior que normalmente não concentram grande fluxo de visitantes. Já o crédito do Banco do Brasil amplia a capacidade de compra dos produtores para insumos, máquinas e tecnologia justamente na janela de preparação da safra 2026/27.
É importante frisar que as fontes consultadas não detalham, região a região, quanto do crescimento projetado de R$ 400 milhões para R$ 600 milhões em negócios do circuito está diretamente relacionado à disponibilidade desse novo crédito — a relação entre os dois movimentos é contextual, não uma causalidade comprovada pelas fontes oficiais.
Um contraponto: crescimento de grãos foi mais tímido
Vale registrar que o otimismo em torno do circuito de exposições e do crédito rural não significa, necessariamente, um ano recorde em todas as frentes do agro paraibano: dados da Conab para a safra de grãos 2025/26 mostraram crescimento de apenas 0,9% na produção do estado, com redução de 14,7% na área plantada, num cenário regional pressionado pelo El Niño. Isso sugere que o fôlego do agronegócio paraibano em 2026 está mais concentrado em pecuária, produtos artesanais e comercialização direta via feiras — o núcleo do circuito de exposições — do que necessariamente na lavoura de grãos.
Perspectivas
Com o circuito seguindo até 12 de dezembro e o crédito da safra 2026/27 já disponível desde julho, o segundo semestre de 2026 deve concentrar boa parte das exposições regionais e da tomada de crédito pelos produtores paraibanos. Para empresários e cooperativas ligadas ao agronegócio na Paraíba, o indicador mais direto a acompanhar até o fim do ano é se o volume de negócios fechados nas próximas exposições do circuito confirma a projeção de R$ 600 milhões — o que, segundo a própria Sedap-PB, marcaria o maior resultado já registrado pelo programa desde sua criação.
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