A balança comercial brasileira fechou a primeira semana de setembro de 2026 com superávit de US$ 1,906 bilhão, resultado de exportações de US$ 7,298 bilhões e importações de US$ 5,392 bilhões. Os números constam do boletim semanal do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), divulgado em 8 de setembro. Na comparação com o mesmo período de 2025, as exportações cresceram 31,7%, enquanto as importações avançaram em ritmo mais moderado, de 8,4%.
Desempenho por setor
O boletim detalha o resultado por grandes setores da economia. As exportações da Agropecuária somaram US$ 1,406 bilhão na semana, alta de 15,7% ante o mesmo período do ano passado. A Indústria Extrativa foi o destaque percentual, com salto de 84,4%, para US$ 2,264 bilhões em vendas externas. Já a Indústria de Transformação, que reúne os produtos manufaturados, cresceu 17,9%, somando US$ 3,597 bilhões exportados. Do lado das importações, chamou atenção a expansão de 32,4% nas compras ligadas à Indústria Extrativa.
Acumulado do ano e projeções
Somando todas as semanas de 2026 até o início de setembro, o superávit comercial acumulado chega a US$ 57,224 bilhões, um avanço de 36,7% sobre os US$ 46,300 bilhões registrados no mesmo intervalo de 2025. Com base nesse ritmo, o MDIC mantém a projeção de um superávit recorde de US$ 90 bilhões para o fechamento de 2026, resultado de US$ 394,4 bilhões em exportações e US$ 304,4 bilhões em importações ao longo do ano — uma alta projetada de 32,3% no saldo em relação ao ano anterior.
Contexto do ano
O resultado positivo de setembro se soma a um ano marcado por dois movimentos que puxam em direções opostas: de um lado, a demanda aquecida por commodities agropecuárias e minerais, que sustenta boa parte do crescimento das exportações; de outro, o efeito de barreiras tarifárias impostas pelos Estados Unidos a uma lista de produtos brasileiros desde julho, que já derrubou as vendas de itens taxados e levou o país a redirecionar parte da produção para outros mercados, sobretudo a China. O saldo positivo mostra que, até agora, o Brasil tem conseguido compensar essa perda pontual com o desempenho de outros setores e destinos.
Relação com o Brasil
Um superávit recorde beneficia diretamente a entrada de dólares no país, com efeito sobre o câmbio e sobre a arrecadação federal ligada ao comércio exterior. Ao mesmo tempo, a concentração do crescimento em commodities (agropecuária e indústria extrativa) e menos em manufaturados de maior valor agregado é um ponto de atenção de analistas, já apontado em boletins anteriores do setor, porque deixa a pauta exportadora brasileira mais exposta a oscilações de preço internacional dessas mercadorias.
Relação com Pernambuco e Paraíba
Os dois estados têm mostrado desempenhos distintos neste ciclo. Em Pernambuco, segundo o Portal CBN Recife, as exportações de março de 2026 somaram US$ 249,3 milhões, superando os US$ 132,3 milhões de fevereiro e os US$ 188 milhões de março de 2025 — mas o mês fechou com déficit de US$ 371,1 milhões na balança comercial do estado, puxado por importações mais fortes. A Argentina foi o principal destino das vendas externas pernambucanas naquele mês, com US$ 97,4 milhões (automóveis e veículos leves de carga), seguida por Cingapura, com US$ 44,2 milhões em óleo combustível, e China, com US$ 18,2 milhões em coque de petróleo não calcinado. É um retrato de março, o dado mensal mais recente localizado para o estado; o boletim nacional de setembro não detalha o resultado pernambucano da semana.
Na Paraíba, o retrato é de crescimento puxado por um único setor: segundo reportagem do jornal A União, o produto mais exportado pelo estado passou a ser o açúcar de cana, impulsionado pelo início das exportações via Porto de Cabedelo. As vendas combinadas de açúcar e etanol somaram US$ 77,1 milhões, o equivalente a 40% de todo o volume exportado pelo estado, tornando o setor sucroenergético o líder das vendas paraibanas ao exterior. A integração à Ferrovia Transnordestina é apontada pela reportagem como um fator que deve reduzir custos de transporte, ampliar a competitividade das exportações paraibanas, atrair investimentos industriais e consolidar o Porto de Cabedelo como plataforma estratégica de comércio exterior para o estado.
Perspectivas
Os próximos boletins semanais do MDIC devem indicar se o ritmo de crescimento das exportações se mantém acima de 30% ou perde força, à medida que a comparação passa a ser feita com uma base de 2025 mais forte. Para Pernambuco e Paraíba, o desafio segue sendo diversificar destinos e produtos: Pernambuco busca reduzir a dependência de poucos parceiros concentrados (Argentina, Cingapura, China), enquanto a Paraíba tenta transformar o bom momento do açúcar via Cabedelo em uma porta de entrada para outros produtos, aproveitando a infraestrutura ferroviária que está sendo ampliada — uma leitura de tendência, não uma garantia de resultado.
Fontes
Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), boletim semanal de comércio exterior divulgado em 8 de setembro de 2026 (via Jornal do Comércio); Portal CBN Recife, “Exportações de Pernambuco crescem em março impulsionadas por setor automotivo e petróleo” (23 de abril de 2026); jornal A União (PB), reportagem sobre exportações de açúcar via Porto de Cabedelo e Ferrovia Transnordestina.

