O comércio brasileiro se prepara para uma das datas promocionais mais relevantes do segundo semestre: a Semana do Cliente, que ocorre entre os dias 13 e 19 de setembro, com o Dia do Cliente sendo celebrado em 15 de setembro. Segundo levantamento da Getnet, divulgado nesta quinta-feira (10), o período deve gerar alta de 8% no faturamento do varejo em comparação ao mesmo período de 2025.
Os números por meio de pagamento reforçam uma mudança de comportamento do consumidor que já vem se consolidando: as transações via Pix devem crescer 33% ante 2025, enquanto o cartão de crédito deve avançar 7% no mesmo comparativo. Entre os setores, o destaque projetado é o de atacado de alimentos e supermercados, com expansão estimada de 18% no faturamento — um indício de que parte do impulso da data vem também do consumo básico, não só de itens supérfluos.
Uma data pensada para testar estratégias
Segundo Aline Liston, Head de PMEs da Getnet, “o Mês do Cliente é uma oportunidade para o varejo testar ofertas, entender melhor o comportamento dos consumidores” antes de datas de maior demanda, como a Black Friday, em novembro. Na prática, isso significa que lojistas — inclusive os de pequeno e médio porte na Paraíba e em Pernambuco — tendem a usar a Semana do Cliente como um ensaio de campanhas, testando descontos, formas de pagamento e comunicação que depois são escalados para o fim do ano.
Pernambuco lidera o crescimento do varejo no país
O timing da Semana do Cliente é particularmente favorável para o varejo pernambucano. Dados do IBGE, por meio da Pesquisa Mensal de Comércio (PMC), mostram que Pernambuco liderou o crescimento do varejo no Brasil entre janeiro e maio de 2026, com alta de 11% nas vendas ante o mesmo período de 2025 — muito acima da média nacional, de 1,7%, e da média do Nordeste, de 3,2%. Em maio isoladamente, o estado cresceu 7,4% na comparação anual, o segundo melhor resultado do país naquele mês, com o índice de volume de vendas em 117,4 pontos, 17,4% acima do patamar de 2022.
Os setores que mais puxaram esse desempenho em Pernambuco foram supermercados e produtos alimentícios (alta de até 22,2% em segmentos específicos, chegando a 26,8% em recortes pontuais), livros, jornais, revistas e papelaria (+19,1%) e equipamentos de informática e comunicação (+18,2%) — uma composição parecida com a que a Getnet projeta nacionalmente para a Semana do Cliente, o que sugere que o estado pode capturar uma fatia acima da média do impulso da data.
Paraíba cresce de forma mais moderada, mas consistente
Já a Paraíba não repete o ritmo pernambucano, mas também mostra trajetória positiva: segundo o IBGE, o varejo paraibano acumulou alta de 4,7% em 12 meses até março de 2026, o que colocou o estado na 7ª posição entre os estados brasileiros nesse indicador. Diferentemente de Pernambuco, que vinha em sequência de altas mensais, a Paraíba registrou estabilização das vendas em março daquele ano, após dois meses consecutivos de crescimento — um sinal de que o varejo local avança em ritmo mais irregular, mais sensível a datas promocionais pontuais como a Semana do Cliente.
Consequências para empresas e consumidores
Para o pequeno e médio comerciante, a combinação entre uma data promocional nacional bem estabelecida e um cenário regional de crescimento (ainda que desigual entre os dois estados) cria uma janela relativamente favorável para recuperar margem e caixa antes do último trimestre do ano, tradicionalmente mais concorrido. Já para o consumidor, a expectativa é de acesso a descontos reais em categorias como alimentos, eletrônicos e vestuário, além de maior oferta de parcelamento via cartão e incentivos ao pagamento via Pix, que tende a vir acompanhado de descontos adicionais por parte de muitos lojistas.
Relação com o Brasil e com a região
Em âmbito nacional, a Semana do Cliente consolidou-se nos últimos anos como um evento de calendário comercial tão relevante quanto datas mais tradicionais, funcionando como termômetro de como o varejo chega ao último trimestre do ano. No recorte regional, o contraste entre Pernambuco — na liderança do crescimento do varejo brasileiro — e uma Paraíba com avanço mais modesto, mas positivo, ilustra como a recuperação do comércio no Nordeste não é uniforme: fatores como diversificação da base produtiva, presença de grandes redes varejistas e dinâmica do mercado de trabalho local ajudam a explicar por que estados vizinhos performam de forma tão diferente em um mesmo período.
Perspectivas
Se a Semana do Cliente confirmar a alta projetada pela Getnet, o resultado deve reforçar a trajetória de crescimento que Pernambuco já vinha construindo desde o início do ano, ao mesmo tempo em que pode servir de estímulo para a Paraíba retomar um ritmo de expansão mais próximo do observado no início de 2026. O período também deve funcionar, como apontado pela própria Getnet, como um indicador antecipado do apetite de consumo para a Black Friday e para o Natal — dados que só devem ser confirmados com a divulgação dos números oficiais do IBGE referentes a setembro, esperados para novembro.
Fontes: IBGE sobre o varejo paraibano.

