As dez maiores redes de supermercados de capital paraibano somaram R$ 3,3 bilhões em faturamento em 2025, número consolidado no Ranking ABRAS 2026, da Associação Brasileira de Supermercados. O levantamento mostra um varejo alimentar regional que continua crescendo, mas que passa a dividir espaço com redes nacionais de porte muito superior.
Quem lidera o varejo alimentar paraibano
No topo da lista estadual está a BeMais Supermercados, fundada em João Pessoa em 1994, com faturamento de R$ 860 milhões em 2025. A empresa opera cerca de 12 lojas na capital, mantém centro de distribuição próprio e emprega em torno de 2 mil pessoas de forma direta. Em seguida aparecem a Farias Supermercados (R$ 601 milhões), a Rede Paraíba de Supermercados (R$ 539 milhões, resultado de uma associação de supermercadistas independentes) e a Rede Menor Preço (R$ 501 milhões).
Completam o ranking estadual das dez maiores o Mercadinho Cestão (R$ 176 milhões), Barbosa e Souza (R$ 128 milhões), Rei da Economia (R$ 125 milhões), Padaria e Pastelaria Brasil (R$ 122 milhões), Supernovo Atacarejo (R$ 122 milhões) e Real Supermercado (R$ 107 milhões). É um grupo formado sobretudo por empresas de origem familiar, com forte presença de bairro e no interior.
A concorrência que chega de fora
O contraste com os grandes players nacionais é grande. O Carrefour Brasil registrou cerca de R$ 58,2 bilhões em vendas apenas no primeiro semestre de 2026; o Grupo Mateus, que nasceu no Maranhão e se espalhou pelo Nordeste, apurou aproximadamente R$ 43,6 bilhões nos últimos doze meses; e o Assaí, do modelo atacarejo, somou cerca de R$ 21,3 bilhões no segundo trimestre de 2026. Cada uma dessas empresas fatura, sozinha, várias vezes o que todas as dez maiores redes paraibanas juntas.
Na prática, isso significa mais concorrência por ponto comercial, por fornecedor e por preço dentro da Paraíba. O modelo atacarejo, em especial, tem avançado sobre cidades médias do estado e disputa diretamente o consumidor que antes fazia a compra do mês em rede local.
Como as redes locais reagem
A resposta das empresas paraibanas passa por três frentes. A primeira é logística: manter ou construir centros de distribuição próprios para ganhar escala de compra e reduzir ruptura de estoque. A BeMais já opera o seu; a Rede Paraíba tem projeto de central de distribuição em Guarabira, no Brejo, com incentivo fiscal estadual que reduz a alíquota de ICMS nas operações — mecanismo que o governo estadual usa para tentar segurar o investimento no estado.
A segunda frente é a proximidade: lojas de vizinhança, atendimento conhecido e adaptação do sortimento ao gosto local. Executivos do setor ouvidos pela imprensa paraibana afirmam que o consumidor do estado tende a ser mais tradicional, com preferência por estabelecimentos já conhecidos — um traço que ajuda a explicar por que as redes regionais mantêm participação relevante mesmo diante de concorrentes maiores.
A terceira é a cautela com o digital. As redes locais relatam que a operação de e-commerce alimentar ainda apresenta índices altos de troca e de item em falta, o que limita o avanço das vendas on-line. O varejo físico segue sendo o canal dominante do setor no estado.
O que isso muda para empresas e consumidores
Para os fornecedores paraibanos — indústrias de alimentos, laticínios, panificação, hortifruti e bebidas —, a consolidação do varejo tem dois lados. Redes maiores e centrais de compra podem abrir volume, mas também pressionam margem e prazo de pagamento. Pequenos fornecedores tendem a depender mais das redes regionais, que costumam ter processo de cadastro menos rígido do que o das grandes cadeias nacionais.
Para o consumidor, a disputa tende a manter a pressão sobre os preços no curto prazo, sobretudo nas categorias de maior giro. O risco de médio prazo é de concentração: se as redes locais perderem escala, parte das cidades menores pode ficar dependente de poucas bandeiras, com menos concorrência efetiva na ponta.
Relação com o Brasil
O movimento paraibano acompanha o que acontece no país. O varejo alimentar brasileiro vem se concentrando, com poucos grupos nacionais ganhando participação por meio de aquisições e da expansão do atacarejo, enquanto redes regionais buscam nichos, eficiência logística e associações de compra para sobreviver. O Nordeste é hoje uma das principais fronteiras dessa disputa.
Relação com a Paraíba e Pernambuco
Na Paraíba, o efeito mais visível é a corrida por centros de distribuição e a briga por pontos em João Pessoa, Campina Grande e no agreste. Em Pernambuco, a lógica é parecida: redes regionais fortes, como as que operam na Região Metropolitana do Recife e no interior, também enfrentam a expansão de Mateus, Assaí e Atacadão, e recorrem às mesmas estratégias de logística própria e marca regional. Para os dois estados, a questão de fundo é se o varejo de capital local vai conseguir manter escala suficiente para negociar em pé de igualdade com a indústria e com os grandes distribuidores.
Perspectivas
O setor deve seguir crescendo em faturamento nominal, puxado por inflação de alimentos e pela recuperação do consumo, mas com participação relativa das redes locais sob pressão. A eficiência logística — e a capacidade de investir em tecnologia de gestão de estoque e precificação — tende a separar as redes que vão continuar relevantes das que podem virar alvo de aquisição nos próximos anos.
Fontes: Ranking ABRAS 2026 (Associação Brasileira de Supermercados);

