O Porto de Cabedelo, principal porto marítimo da Paraíba, concluiu um investimento de R$
210 milhões para ampliar sua capacidade logística. As obras incluíram a reforma de armazéns, pátios e da
área primária do porto, elevando a capacidade estática para até 4 mil contêineres em diferentes
modalidades. O calado do porto também foi ampliado para 11 metros, o que passa a permitir a operação de
embarcações de até 50 mil toneladas — um salto relevante na capacidade de receber navios maiores.
Nelly Medeiros, gerente de operações do porto, resumiu o alcance da reforma: “reformamos nossa área
primária, os armazéns e os pátios, o que nos permite receber até 4 mil contêineres em diferentes
modalidades”. Entre os diferenciais competitivos que o porto busca explorar após o investimento estão a
agilidade operacional, a ausência de filas de navios e a redução no tempo de espera para atracação e
operação — pontos frequentemente citados como gargalos em portos mais movimentados do país.
Meta: crescer 20% em três anos e ampliar exportações
Com a nova capacidade instalada, a expectativa do porto é de um crescimento de até 20% na movimentação
de cargas ao longo dos próximos três anos, partindo de uma movimentação atual de 1,5 milhão de toneladas por
ano. Um dado relevante do perfil operacional atual do Porto de Cabedelo é que 95% das operações
correspondem hoje a importações — o que evidencia uma oportunidade concreta de crescimento pelo lado das
exportações, ainda pouco explorada proporcionalmente. Para atrair novos operadores, o porto está oferecendo
21 mil metros quadrados disponíveis para novos arrendamentos.
O que isso significa para a Paraíba e para Pernambuco
Para a Paraíba, a modernização do Porto de Cabedelo chega em um momento estratégico: com o tarifaço dos
Estados Unidos pressionando exportadores nordestinos a buscar rotas e mercados alternativos — como já
mostrou a cobertura recente deste Radar sobre o impacto da tarifa de 37,5% sobre a uva do Vale do São
Francisco —, ter um porto local com maior capacidade e calado mais profundo pode se tornar um ativo
competitivo relevante para empresas paraibanas que exportam ou pretendem passar a exportar. A meta de
crescer 20% em três anos, com foco declarado em ampliar a fatia de exportações, sinaliza que o porto está
se posicionando ativamente para capturar esse tipo de demanda represada.
Para Pernambuco, que conta com o Porto de Suape como seu principal ativo portuário — de escala
significativamente maior que Cabedelo —, a modernização do porto paraibano representa tanto uma
complementaridade quanto uma concorrência regional: cargas que hoje passam por Suape podem, em alguns
casos, encontrar em Cabedelo uma alternativa mais ágil e com menos filas para operações de menor porte.
Empresas pernambucanas que enfrentam gargalos logísticos em Suape podem passar a considerar o porto
paraibano como rota alternativa para parte de suas operações, especialmente para cargas com menor volume.
Fontes
Movimento Econômico.

