A balança comercial brasileira fechou o período entre janeiro e a primeira semana de julho de 2026 com superávit de US$ 44,63 bilhões, resultado de exportações somando US$ 190,66 bilhões — alta de 11,8% frente ao mesmo intervalo de 2025.
O crescimento não veio de forma uniforme entre os setores. A indústria extrativa liderou, com expansão de 81,7%, seguida pela indústria de transformação, que avançou 39,4%. Entre os produtos específicos, a carne bovina se destacou com salto de 43,9% nas exportações, enquanto o agronegócio como um todo cresceu de forma mais moderada, 1,5%.
Esse desempenho robusto do comércio exterior brasileiro acontece num momento delicado: os Estados Unidos impuseram, em julho, duas novas camadas de tarifas sobre parte das exportações brasileiras (uma sobretaxa de 25% ligada a uma investigação específica, e outra de 10-12,5% num pacote mais amplo contra 60 países). Ainda assim, o superávit segue crescendo — em parte porque essas tarifas não atingem toda a pauta exportadora, e em parte porque outros mercados (sobretudo Ásia) têm absorvido parte do produto que antes ia para os EUA.
Um superávit comercial forte tem efeito direto sobre o câmbio: mais dólares entrando no país ajudam a explicar por que o real se valorizou ao longo de julho (o dólar caiu 1,82% no mês). Isso é relevante para qualquer empresa da Paraíba ou de Pernambuco que compra insumos ou equipamentos importados — via Suape ou Cabedelo — porque um real mais forte reduz o custo dessas compras.
Por outro lado, o mesmo real mais forte reduz a receita em reais de quem exporta. Isso é particularmente sensível para a Paraíba, cujo principal produto de exportação aos EUA é o suco/polpa concentrado de frutas (cerca de 60% da pauta exportadora do estado): a combinação de tarifas americanas com um real mais valorizado aperta a margem desses exportadores por dois lados ao mesmo tempo.
Para os próximos meses, o dado a acompanhar é se esse ritmo de crescimento das exportações se mantém apesar das tarifas — e se a extração mineral e a indústria de transformação continuam compensando eventuais perdas em setores mais expostos ao mercado americano.

