Enquanto o varejo ampliado enfrenta retração, o consumo nos supermercados continua avançando. Em maio, as compras das famílias cresceram 3,93% na comparação anual.
O consumo das famílias nos supermercados cresceu 2,23% entre abril e maio de 2026 e avançou 3,93% na comparação com maio de 2025, segundo a ABRAS. No acumulado dos cinco primeiros meses do ano, a alta real foi de 2,47%.
O varejo alimentar demonstrou maior resistência do que outros segmentos do comércio brasileiro. De acordo com o monitoramento da Associação Brasileira de Supermercados, o consumo nos lares cresceu 2,23% em maio de 2026 na comparação com abril, considerando valores reais e descontando a inflação.
Em relação a maio de 2025, o crescimento foi de 3,93%. No acumulado entre janeiro e maio, o consumo apresentou alta real de 2,47% frente ao mesmo período do ano anterior. A ABRAS também informou que o IPCA avançou 0,58% no mês e acumulou 4,72% no ano até aquele momento.
O resultado positivo não invalida a retração identificada pelo Índice Cielo. Os dois indicadores analisam universos distintos. O índice da ABRAS está concentrado no consumo realizado em supermercados, relacionado principalmente a alimentos, bebidas, higiene, limpeza e outros produtos de abastecimento doméstico. A Cielo acompanha um conjunto mais amplo de atividades comerciais e serviços.
A diferença revela uma característica importante do comportamento do consumidor: quando o orçamento fica pressionado, as famílias tendem a preservar gastos essenciais e reduzir compras adiáveis. Isso oferece maior proteção aos supermercados, mas não elimina a pressão sobre margens, preços e escolha das marcas.
O consumidor pode continuar comprando alimentos, mas migrar para embalagens menores, marcas mais econômicas, produtos em promoção ou itens de marca própria. Portanto, crescimento do consumo não significa que todas as categorias, produtos e faixas de preço cresceram na mesma proporção.
Para o supermercado, a estratégia deve combinar competitividade de preço, disponibilidade na gôndola, sortimento adequado e controle de ruptura. Estoque excessivo aumenta perdas e compromete capital de giro; estoque insuficiente entrega a venda ao concorrente.
As redes também precisam avaliar a margem por categoria. Produtos usados como geradores de fluxo podem operar com margem menor, enquanto categorias de conveniência, perecíveis diferenciados, padaria, açougue e marca própria podem ajudar na rentabilidade geral da loja.
Impacto para PB e PE
O cenário favorece supermercados regionais que conhecem os hábitos locais e possuem agilidade para ajustar o mix. Em PB e PE, festas, turismo, sazonalidade e diferenças de renda entre municípios exigem planejamento de sortimento por loja, e não uma política comercial totalmente padronizada.
Fontes e referências
- Monitoramento do Consumo nos Lares da ABRAS, atualizado em julho de 2026.
- Página institucional da ABRAS com os indicadores do setor.

