O Grupo Carrefour Brasil usa soluções de inteligência artificial há dois anos como apoio às equipes de comunicação e leva em conta as diferenças regionais do país ao planejar suas ações, segundo o Mundo do Marketing. A informação vem de entrevista de Renato Sales, gerente de comunicação externa do grupo, ao Podcast Mundo do Marketing, gravada ao vivo durante o Cortex Summit 2026.
Segundo a publicação, o grupo atende 60 milhões de clientes por mês e está presente em todos os estados brasileiros. Sales afirma que a IA ajuda no planejamento, na análise e na identificação de insights, mas não é usada para escrever um texto e distribuí-lo sem revisão. Para ele, o tempo economizado permite dedicar mais atenção a questões estratégicas.
De acordo com a matéria, a empresa também procura não tratar os estados como um único bloco. Sales diz que os dados regionais precisam estar no centro da estratégia, e não só aparecer em lançamentos ou crises. O grupo passou a testar projetos primeiro no Norte e no Nordeste, onde, segundo o executivo, ideias pensadas no Sudeste e no Sul podem ter menor receptividade e o público tende a ser mais crítico.
O que motivou
A matéria descreve uma operação nacional com realidades distintas, incluindo localidades com desafios logísticos específicos, algumas acessíveis por cabotagem. Nesse contexto, os dados regionais ajudam a definir prioridades.
Sales também falou sobre como a área mede o próprio trabalho. Segundo ele, o principal indicador é o NPS, por estar ligado ao negócio, seguido do impacto promotor e do protagonismo promotor. Notícias negativas e Share of Voice são acompanhados, mas ficam em segundo plano, para evitar uma atuação apenas reativa. O executivo cita ainda Instagram, TikTok e WhatsApp entre os canais onde o público se informa.
O que o varejo pode tirar disso
A entrevista trata da comunicação de uma grande rede, e a aplicação à loja é uma leitura. Na leitura do colunista Paulo Luiz Gomes, estrategista de negócios, marketing e vendas, o ponto para o varejo está em quem interpreta: a IA pode ganhar tempo, mas entender a região, o poder de compra e o canal certo continua sendo trabalho de gente. Ele observa que uma rede não precisa ter alcance nacional para falar igual com públicos diferentes, e que medir o que conversa com o negócio ajuda a não viver apenas reagindo.
“O risco não é usar IA na comunicação. É falar igual com um país que não é igual”, resume.
