As dez maiores redes de supermercado da Paraíba movimentaram, em conjunto, R$ 3,3 bilhões em faturamento em 2025, segundo levantamento do setor. A liderança é da BeMais Supermercados, operada pela Gomes Paixão & Cia, com R$ 860 milhões — a rede nasceu como mercearia e hoje é a maior operação de varejo alimentar do estado.
O ranking paraibano
Atrás da BeMais aparecem a Farias Supermercados (R$ 601 milhões), a Rede Paraíba Supermercados (R$ 539 milhões) e a Rede Menor Preço (R$ 501 milhões). Completam a lista das dez maiores o Mercadinho Cestão (R$ 176 milhões), Barbosa e Souza (R$ 128 milhões), Rei da Economia (R$ 125 milhões), Padaria e Pastelaria Brasil (R$ 122 milhões), Supernovo Atacarejo (R$ 122 milhões) e o Real Supermercado (R$ 107 milhões).
Um mercado pulverizado, por opção do consumidor
A Paraíba tem um dos mercados de varejo alimentar mais fragmentados do Nordeste — diferente de Pernambuco ou do Ceará, onde já existem operadores individuais com faturamento acima de R$ 1 bilhão. Segundo a própria BeMais, o consumidor paraibano tem “perfil mais tradicional” e prefere empresas já conhecidas e estabelecidas na região, o que tem levado as redes locais a investir em tecnologia e análise de comportamento do cliente como estratégia para se manter competitivas sem abrir mão da identidade regional.
Os gigantes nacionais que rondam a região
Enquanto isso, o tamanho dos concorrentes nacionais evidencia a escala da disputa: o Carrefour Brasil faturou R$ 58,2 bilhões somente no primeiro semestre de 2026, o Grupo Mateus fechou o último ano em R$ 43,6 bilhões, e o Assaí Atacadista registrou R$ 21,3 bilhões apenas no segundo trimestre de 2026 — valores que superam em muitas vezes o faturamento somado de todo o varejo alimentar paraibano.
O avanço do Grupo Mateus no Nordeste
O Grupo Mateus já opera diretamente nos estados vizinhos: após concluir a fusão de seus negócios com o Novo Atacarejo, o grupo passou a deter 51% do capital votante e total da rede, com os antigos controladores (NSA Participações e Ambapar) mantendo os outros 49%. Desde 19 de junho de 2026, as unidades que operavam sob a bandeira Mix Mateus em Pernambuco, Alagoas e na própria Paraíba (nove lojas no estado) passaram a operar sob a marca única Novo Atacarejo, como parte de um processo de unificação de operações do grupo no Nordeste.
Por que isso importa para o varejo local
Para as redes regionais paraibanas, a fragmentação do mercado é, ao mesmo tempo, proteção e vulnerabilidade: o apego do consumidor a marcas locais tradicionais dificulta a entrada de operadores de fora, mas também limita o ganho de escala das próprias redes paraibanas diante de concorrentes que compram e negociam com fornecedores em volume nacional. Em Pernambuco, onde o setor de supermercados, hipermercados e produtos alimentícios já acumula alta de 22,2% e ajuda a puxar a liderança do estado no crescimento do varejo nacional apurado pelo IBGE, a chegada consolidada de operadores como o Novo Atacarejo tende a intensificar a disputa por espaço de prateleira e por consumidor de menor renda, testando se o mesmo padrão de fidelidade a marcas regionais se repete lá.
Perspectivas
O ponto a acompanhar nos próximos meses é se a estratégia de investimento em tecnologia e relacionamento com o cliente, citada pela BeMais como resposta à concorrência, é suficiente para as redes paraibanas manterem participação de mercado à medida que operadores de escala nacional — como o próprio Grupo Mateus, já presente com nove lojas no estado sob a marca Novo Atacarejo — ampliam presença física na Paraíba.
Fontes
- Exame — Como uma mercearia se tornou o maior supermercado da Paraíba e fatura R$ 860 milhões

